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A loucura diverte a vida monótona dos becos sombrios

Publicada em 28 de Agosto de 2010 às 00h06 Versão para impressão


*Por Stefano Ferreira




Para Coló


Entre um sorriso e outro, calava-se mirando a rua vazia. Após o último gole de vinho, vermelho como seus olhos de sono, saiu disfarçadamente do bar já seco e pegou o beco que dava no velho cabaré da rua estreita próxima ao riacho.

Ficou ali observando as mulheres velhas já gordas, cansadas da vida.

Deu alguns passos lentos e entrou no ambiente de luminosidade encarnada, sentando-se em uma das mesas. Pediu o pior conhaque, tossiu ao bebê-lo.

Não foi apreciada pelos homens que jogavam bilhar. Levantou e foi ao banheiro levantando a saia. Mesmo assim foi ignorada.

Levantou sem pagar a conta e seguiu pelo beco até a praça próxima ao sobrado embrejado pelo último inverno. Ali, sentou-se no banco e arrancando uma flor no canteiro cruzou as pernas. O dia já dava sinais que estava acordando. Dormiu como uma rapariga de ponta de rua. Sonhou estudando em um convento.

Com o sol em seu rosto, surpresa, levantou-se, retirou a flor carmim do cabelo e se ajeitando correu por entre os casarões velhos já com idosos sentados mirando a vida silenciosa e triste de um domingo.

Já não sabia onde morava, onde se escondia, aonde iria. Surtou ali mesmo próximo à catedral.

Hoje canta hinos de louvor durante o dia, boleros à noite e corre atrás das crianças que alegram o largo entristecido pela monotonia da cidadela.




*Stefano Ferreira é professor e jornalista



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Palavras-chaves: Stefano Ferreira - Loucura
Fonte: www.acordachita.blogspot.com  |  Edição: Lameck Valentim

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Comentários (9)

  • Teresinha Sinimbuy, Brasília-DF disse:
    Deixado em 24/10/2010 às 14h51

    Quanta sensibilidade! Seu texto tem vida. Parabéns!
    bjs
    Tete Sinimbu

  • ademir santos, Oeiras-PI disse:
    Deixado em 14/09/2010 às 19h24

    stefano nunca duvidei que você é meu mestre, sempre me inspirei e inspirarei no seu comprometimento com a educação.
    obrigaduuuuuuuuuu!

  • Amparo Tôrres, Oeiras-PI disse:
    Deixado em 10/09/2010 às 11h31

    Esta maravilha só partiria de vc mesmo, tão sensível e tão real. Realmente, ao mesmo tempo em que lemos, projetamos a imagem em nossas mentes, e conseguimos retratar fielmente seu texto. Maravilhoso, como vc. Te gosto mt, e te admiro mt mais. Abraços de sua ex-aluna, amiga e admiradora.

  • joaquim ferreira, Fortaleza-CE disse:
    Deixado em 09/09/2010 às 14h15

    Beleza pura. Parabéns.

  • Olavo Braz Barbosa Nunes Filho, Oeiras-PI disse:
    Deixado em 02/09/2010 às 07h31

    O sentimento é o que vê-se todos os movimentos, cores e cenário do Conto.

  • Milena Palha, Fortaleza-CE disse:
    Deixado em 01/09/2010 às 15h15

    Belo texto! Comovente! É possível ver a cena forma-se diante dos olhos! Lindo!

  • Maryllia Reis Lopes, Teresina-PI disse:
    Deixado em 01/09/2010 às 10h21

    Parabéns, Stefano. Muito bom, mesmo!

  • Hítallo Cavalcante, Teresina-PI disse:
    Deixado em 31/08/2010 às 14h28

    De emocionar, caro Stefano!

  • Josemilton, Brasília-DF disse:
    Deixado em 28/08/2010 às 14h34

    Stefano,
    Belíssimo.

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