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Actus

Publicada em 09 de Fevereiro de 2012 às 01h35 Versão para impressão


Todos os meses do ano vou a Oeiras. Este ano resolvi passar férias lá. Escolhi um período que coincidisse com VII Festival de Cultura, assim poderia desfrutar melhor da programação; participar de alguma oficina de teatro; assistir a todos os shows musicais e espetáculos; rever amigos; conversar com visitantes, etc. Tive que alterar três vezes o período das férias, devido aos adiamentos do Festival, que chegou à sétima edição sem data certa. Começou num domingo, dia em que, via de regra, os visitantes retornam às suas cidades.

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Comenta-se que o Festival foi organizado de última hora (22 a 24/01/2012) para que coincidisse com 24 de Janeiro, período em que se “instala” naquela cidade o Governo do Estado, em comemoração à Adesão do Piauí à Independência do Brasil; período de intensa agenda política: ajusta-se acordos, decretos; reinaugura-se fachadas, distribui-se medalhas.

Capinaram ruas, pintaram meios-fios , roçaram quintais, ajustaram paralelepípedos, lustraram móveis e egos.

Durante o Festival, o governo anunciou a construção de um monumental obelisco, que, segundo consta, custará aos cofres públicos cerca de um milhão de reais. Oeiras já é um monumento, basta que lhe dediquem merecido respeito.

O VII Festival não ofertou nenhuma Oficina, nem mesmo para os músicos da Banda Santa Cecília, a “homenageada”. Das quatro peças de teatro programadas, duas foram encenadas, entre elas a concorridíssima Transferência da Capital, com vasto e conhecido elenco, farta em figurantes, cuja Trama, Ação Dramática, Clímax e Desenlace já sabemos de cor e salteado, posta em cena pela Cia do Palácio, aplaudida em cena aberta.

Num contexto envolvido pela estética ilusionista, que ajuda a perpetuar o status quo, os espectadores nem se dão conta que estão assistindo a um espetáculo cuja intenção é a “catarses” aristotélica, ou seja: a purgação dos sentimentos do público, para chegar à passividade e não despertar nenhuma atitude critica racional. Ilusão a serviço da ação política e do doutrinamento declarado. Desde Atenas, tiranos, fulanos e sicranos operam e logram com estes artifícios.

O dramaturgo alemão Bertolt Brecht denominava isso de empatia por abandono.

Não sei o porquê da classificação “Nacional” “Regional” e “Local”. Seja como for, os artistas cumpriram sua parte.

Retorno das férias meio mordido.

Próximo ano, o mesmo cartaz.


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Palavras-chaves: xico carbó - cultura
Fonte: Da Redação  |  Edição: Redação Oeiras

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Comentários (6)

  • Gutemberg Rocha, Teresina-PI disse:
    Deixado em 13/02/2012 às 00h50

    Falou e disse, Xico. É uma pena que um Festival de Cultura, principalmente o de Oeiras, aconteça de modo tão improvisado e com tantas "idas e vindas". Mas não desanime: um dia ainda teremos a felicidade de ver as coisas mudarem na nossa terrinha. Otimista incorrigível que sou, acredito que "amanhã há de ser outro dia", porque existem pessoas como você, que não se calam e não se acomodam.

  • Paula, Oeiras-PI disse:
    Deixado em 09/02/2012 às 19h40

    para mim o festival,foi um sucesso.ah as oficinas aconteram em novembro.

  • Rossana Ferreira, Oeiras-PI disse:
    Deixado em 09/02/2012 às 18h32

    Tudo muito mal entendido Chico.Mas muito bem dito,ou melhor,bendito.

  • xico carbó, Oeiras-PI disse:
    Deixado em 09/02/2012 às 11h25

    pelo contrário, meu cumpade, as férias foram ótimas.
    xc

  • Eliel Damasceno, Teresina-PI disse:
    Deixado em 09/02/2012 às 11h09

    cara veio isso ´é verdade, fazer festival onde começa no domingo e vai ate terça...é mesmo só para os que detem o poder, o pobre trabalhador não tem como participar, espero que nas proximas ferias sejam melhores...

  • baltazar dias monteiro, Teresina-PI disse:
    Deixado em 09/02/2012 às 08h13

    É velho, e pelo andar da carruagem (ou tartaruga), isso ainda vai durar por algum tempo, solidarizo-me com o fracasso das suas frustradas férias.

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