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Combatendo o maligno

Publicada em 26 de Setembro de 2011 às 01h28 Versão para impressão

Atualizada em 26/09/2011 às 01h34


Por Carlos Rubem*

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Há uns 04 meses, notei macerado o rosto da minha mãe, Aldenora Campos, 79 anos. Disseram-me que estava com anemia. Prescreveram-lhe medicamentos. Determinado dia, soube que não queria ir a um consultório médico. Resolvi, então, convencê-la a se receitar. Deitada numa rede, em visível estado depressivo, segredou-me: “Meu filho, está chegando a hora do meu fim...” O certo é que a Dra. Alice a examinou. Recomendou-lhe que procurasse um centro médico especializado.

Gordona, com dificuldade de locomoção, na manhã seguinte, enquanto se arrastava até a casa do vovô Joel, foi acometida por uma síncope. Levaram-na ao hospital, em Oeiras. De imediato, foi transportada a Teresina. Mal dormiu numa cadeira do Hospital São Marcos para garantir uma acomodação adequada já na manhã do outro dia. Cousas da vida!

Sua saúde foi investigada com muita presteza. Submeteu-se a exames vários. O clínico, Dr. Guilherme, trouxe a notícia: câncer intestinal. Uma cirurgia se fazia necessária.

Marcada a operação, seu estado de saúde foi avaliado por diversos facultativos. O chefe da junta médica, Dr. David Carvalho, comunicou aos nossos familiares o alto risco contido na intervenção cirúrgica: idade avançada, cardiopatia, diabetes e outros trecos. As condições adversas eram patentes.

Mais corada, achou por bem rever seus pagos natalinos. Rendeu culto à imagem do Divino, ardente invocação da “Capital da Fé”. Oeiras lhe fez muito bem. Recebeu reforço espiritual durante os dias que antecederam sua operação, ocorrida nesta última terça-feira (20.09). Foi visitada por parentes e amigos. À noite, antes de ser submetida a uma laparotomia, confessou-se com o Padre Domingos, colado à Paróquia de N. Sra. da Vitória. Foi ungida com os santos óleos. Houve uma rápida liturgia. Em dado momento, ela começou a cantar: “O meu coração é só de Jesus / A minha alegria é a Santa Cruz...” Contive a emoção..

No dia combinado, por volta das 11h, conduziram-na ao centro cirúrgico. Fiz questão de acompanhá-la elevador abaixo. No momento em que a maca estava adentrando a área restrita, ainda pude lhe dizer: “Este beijo quem lhe mandou foi Benedito de Macedo Reis” (meu falecido pai). Satisfeita, sorriu.

O Dr. David Carvalho nos havia dito que a cirurgia deveria terminar por volta das 15h. Passado este horário, meus irmãos e demais familiares, ficamos todos apreensivos. Certamente tendo visto as mil chamadas que foram feitas para o seu celular, o primo Joel Neto – ortopedista, que a tudo presenciou – telefonou para dizer que, dali a pouco, viria conversar conosco. O medo dominou a todos!

Quando o Dr. Joel Neto apontou no final do corredor, a mana Amada, com os nervos em pandarecos, elevou a voz: “Mamãe morreu?” Joel explicou que o tumor havia aderido ao fundo da bexiga. Foi preciso cortar parte deste órgão e, com isso, a extirpação do “maligno” em si, só naquele momento estava se dando. Os minutos duraram uma eternidade. Lá pelas 17h30min, enfim, o Dr. David Carvalho nos apareceu para relatar as intercorrências. Afirmou que a paciente havia resistido, a contento, à operação, encontrando-se já na UTI. Foi um alívio... Bem que gostaria ter fotografado aludido procedimento medicinal!

Agora, convalesce num leito hospitalar. Demonstra alegria e confiança na recuperação. Faz até planos. Diz que mereceu a graça de Deus! Está doida para agradecer a todos que, de qualquer forma, contribuíram para o sucesso de sua cirurgia.

Como sempre ocorre, tornou-se amiga do pessoal do “São Marcos”. Aliás, tem um fisioterapeuta, não sei seu nome, que a chama de madrinha. Seu novo afilhado fez amizade, também, como Inácio Barbosa, fiel escudeiro de Aldenora. Pessoas de fino trato.

Ao conhecer a gentil, dedicada e competente enfermeira Carol – que, apesar do seu estafante trabalho e de sua indumentária despojada de adereços (uma exigência do ofício, eu não sabia) não perde a capacidade de ser linda – estou convicto de que mamãe está sendo bem tratada.

Conquanto esperançoso, não me iludo: minha genitora vai precisar de muita força para enfrentar os percalços que tem pela frente...

*Promotor de Justiça

Originalmente publicado no Portal FNT


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Fonte: Portal FNT  |  Edição: Redação Oeiras

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Comentários (10)

  • Baltazar Dias Monteiro, Redenção do Gurguéia-PI disse:
    Deixado em 04/10/2011 às 08h40

    Biu de Ditim, ainda não fico muito a vontade indo ao HSM, devido aos 06 anos e 08 meses que lá passei tratando do......de minha companheira Marinete Amorim, conhecendo-os, é desnecessário dizer tenham fé, meu desejo é que Bom Jesus irá dar-lhes confiança e força para combater e superar o........ no tratamento de D. Aldendora. Abraços DC.

  • JOTA JOTA SOUSA, Oeiras-PI disse:
    Deixado em 01/10/2011 às 12h26

    Recentemente ao passar frente a sua residência, lhe acenei. Ela correspondeu com um sorriso. (o mesmo da fotografia). Esse riso é só lições, pena que muitos não percebam. Sua cabeça em posição linear, não muito alta para que não venha ser inperpretada como arrogância, nem baixa para não mostrar fragilidade ou subserviência, A cabeça (tal qual a foto) na altura certa de ver lá adiante e a ciente do chão que guarda seus passos. Pena que muitos não percebam! Ah! mas se eu fosse escrever algo sobre essa Aldenora, não abriria mão do Título: NEM NIZAN, OLIWETOS, SALES OU SIMILARES. APENAS ALDENORA DE DITIM.

  • Ferrer Freitas, Teresina-PI disse:
    Deixado em 27/09/2011 às 12h35

    No meu comentário sobre dona Aldenora, não sei se longo, esqueci do saudoso Ditim (Benedito), seu esposo, de quem também guardo boas lembranças. Uma delas jogando de ponta direita do meu Cruzeiro, ainda de Roserval, Pedão, Lindolfão e outros menos votados, pra não dizer outra coisa. Guardo foto a seu lado, tirada antes de jogo com o arqui-rival, Mafrense, o time da rua da Feira, ele estampando, de forma provocativa, três dedos da mão direita, gesto indicativo de que o placar seria 3 a 0 para nossas cores, como de fato foi. É só perguntar a Pedão lá no alto do Rosário. Lembro ainda, e muito bem, dele pilotando uma enorme moto pelas ruas de Oeiras, sobretudo quando descia pela frente da minha casa, o que levava Tupi, um vira-lata lá criado, com desmedido carinho, a correr a seu lado quase pegando-lhe o pé. Numa das vezes, Ditim parou, a pretexto de tomar uma cervejinha no Café Oeiras, ali ao lado, e pegou um taco de sinuca, dos muitos que o arrendatário, também saudoso Raimundo Brandão, punha apoiado na balaustrada, como forma de colar rodelinha de couro na ponteira. Tupi foi tomando chegada, entre as mesas, e Ditim, com "ódio" dele, pegou o taco mais próximo e desferiu a tacada. Pois não é que o cão foi mais rápido e saiu correndo ileso, para minha alegria e gozação dos malandros que ali estavam. A reação do arrendatário do famoso bar foi uma só, a de dizer, em alto e bom som, quanto seria o prejuízo para o caro e saudoso Benedito de Macedo Reis. São lembranças que me chegam aos borbotões. Desculpem o saudosismo.

  • Ze Fernando(zezé de Lindoca), Colônia do Piauí-PI disse:
    Deixado em 27/09/2011 às 10h30

    desejo melhoras a nossa querida dona Aldenora que Deus possa lhe conceder essa graça.

  • Ribeiro Junior, Teresina-PI disse:
    Deixado em 26/09/2011 às 22h31

    Não poderia deixar de expressar aqui todo o meu respeito, consideração, carinho, e amor por dona Aldenora Campos Reis e toda sua FAMILIA.Orgulho-me de te-la como tia e madrinha por afinidade , sou devoto de sua bondade e de sua maneira simples , mais objetiva de ajudar as pessoas, tive o imenso prazer de conhece-la assim que cheguei a Oeiras em 83 ,atraves da majestosa RITA CAMPOS, GRANDIOSSIMA amiga, bem como JOÃO HENRIQUE, PAULO JORGE,AMANDA, DR. CARLOS RUBEM[BIO] E CEICINHA, sem deixar de mencionar o ancora, meu grande amigo DITINHO [de saudosa memoria]. Foram dias , meses e anos de convivio com toda a familia, foram momentos de muitas alegrias, são pessoas de espiritos elevados, alegres , simpáticos, educados e acolhedores, pessoas assim são dificeis, mas DEUS, soube com muita firmeza prestar esta homenagem ao povo de Oeiras abençoando esta grande familia para o bem de nossa humanidade. Dona Aldenora, estou rezando desde que tomei conhecimento de sua internação e consequentemente da cirurgia em que a senhora reagiu tão bem os efeitos que está ajudando a combater esse intruso mal. A senhora vai se recuperar rápido, vai voltar de forma precisa para nosso convivio, e ainda vai dar muitas alegrias a todos que lhe adoram e lhe quer muito bem. Recordo-me aqui, dos anos 84, passagem dificil para o homem do campo que sofria com a estiagem, sem comida e sem água para tomar, recorreram a instituição que a senhora presidia a Sociedade Manoel Rodrigues, e a senhora , com muita simpátia e entendendo a necessidade dequeles que sofriam com os efeitos da seca, convidou-me para ajuda-los..foi então que sem a ordem do diretor presidente da Radio Primeira Capital, Dr. JUAREZ TAPETY, coloquei os microfones da Radio na praça Orlando Carvalho e passamos então a pedir ao comercio local, ajuda para os flagelados da seca...Recordo-me de sua emoção, de sua alegria quando encerravamos a programação com uma grande quantidade de alimentos, e imediatamente entregavamos a direção da sociedade MANOEL RODRIGUES,para que fosse distribuido a todos...quantos votos de LOUVOR, foram dados a senhora pela iniciativa, então são passagens que nenhum ser humano esquece...mas rogo a NOSSO SENHOR JESUS CRISTO, seu restabelecimento urgente...rezo, peço, imploro a DEUS, que a senhora há de se livrar de tudo isso que DEUS lhe ilumine...são os nossos desejos [ Ribeiro Junior e familia.]

  • Frederico Barroso, São Paulo-SP disse:
    Deixado em 26/09/2011 às 20h51

    Bil, outro dia, véspera da cirurgia de dona Aldenora, vi uma postagem no Facebook de Edmo, solicitando que colocássemos dona Aldenora em nossas preces. Atendi ao pedido do amigo ainda naquela noite. O câncer é uma doença que ataca nosso corpo e principalmente nossa mente. Desejo que Dona Aldenora mantenha seu característico astral e tenha a determinação costumeira no enfrentamento das dificuldades que virão.Que Nossa Senhora da Vitória a proteja e mantenha a serenidade de vocês familiares que a acompanharam nesta batalha a ser vencida. Para Deus nada é impossível. Muita fé e força.

  • Ferrer Freitas, Teresina-PI disse:
    Deixado em 26/09/2011 às 10h31

    A caríssima dona Aldenora foi minha catequista, em outras palavras, ensinou-me a rezar e a ter fé em Deus. Nunca esqueço, ela muito moça, e eu menino magro, na capela do Bom Jesus, onde eram ministradas as palestras sobre diretrizes, mandamentos e outros ditames da Fé em Deus. Depois, rapazinho, fui frequentador assíduo da casa de tio Joel, como fui ensinado a chamar seu pai, ainda da rua da Feira. Acho até que todo mundo que passava pela calçada daquela residência, não resistia e adentrava para dois dedos de prosa com aquela gente amiga, as Campos, filhas e esposa do cabeça branca, como ainda era conhecido o velho Joel. Dona Maria Jesus, a inesquecível dona Bembém, entre uma tarefa e outra da faina doméstica, conversava com todos que por lá apareciam, alguns até para uma boquinha, coisa que ninguém podia se queixar que não ocorresse. Quem lá chegasse tinha que comer um docinho ou tomar uma bebidinha, fosse vinho de caju ou outra chamada "leite de onça", esta uma delícia preparada por Mirora. Os malandros, aqui no bom sentido, amigos de Gerson, Antônio e meu compadre Joelim, iam mesmo era pegar a boia, na hora do almoço, entre eles Zé Wilson Maranhão (Zezé) e o sobrinho da casa, Benedito Tapety. Não sei de outra casa, em Oeiras, que desse o "de comer" a tanta gente da cidade. E tinha ainda as amigas das filhas, entre elas a mana Afonsina, ligadíssima a Ritinha. Era a casa mais alegre da cidade. De tal modo que eram lá os ensaios do coral do GMO, regido pela mestra Nadir Tapety. Tem outras estórias da casa e da famíla que vou tentar narrar um dia, como a da inesperada visita do parente Bugyjja Britto e a do peru que não ingeriu um mísero gole da cachaça levada por Bizoga e Antônio na preparação para o abate. Imaginem onde foi parar a "marvada"? Um grande abraço para dona Alednora, com votos de pronto restabelecimento, abraço que estendo aos filhos, meus amigos-irmãos Bill e Paulo Jorge, João Henrique, Amada e Ceicinha. E inté!

  • JOÃO AUGUSTO,MARCELLE E FILHAS, Oeiras-PI disse:
    Deixado em 26/09/2011 às 09h49

    DONA ALDENORA, UMA PESSOA MUITO ESPECIAL,QUERIDA E CONHECIDA DA NOSSA AMADA OEIRAS.SOMOS TESTEMUNHOS DAS ORAÇÕES NA CASA DO DIVINO ESPÍRITO SANTO,ONDE TEMOS A SATISFAÇÃO DE ACOMPNHAR AS ORAÇÕES DOS FIÉIS,PELA SAÚDE E RECUPERAÇÃO DE DONA ALDENORA E NÓS AMIGOS DA FAMÍLIA CAMPOS E REIS,ESTAMOS EM ORAÇAÕ PELA SAÚDE E RECUPERAÇÃO DE D.ALDENORA,ESTAMOS ACOMPANHANDO A EVOLUÇÃO DA SUA SAÚDE,POR INFORMAÇÕES DA NOSSA AMIGA AUREA.UM FORTE ABRAÇO EM TODOS.

  • Marie, Oeiras-PI disse:
    Deixado em 26/09/2011 às 09h03

    Belo texto, comovente sem ser piegas.
    Estamos todos rezando por Dona Aldenora, para que ela alcance ainda mais graças do que as que tem alcançado.

  • Verbena, Oeiras-PI disse:
    Deixado em 26/09/2011 às 06h31

    Com a tragetória de vida regada de coisas boas feitas por ela ,pelo bom coração que sempre teve,a fé que tem , o acolhimento da familia e dos demais,(Inacio e demais),é claro sim que vi ter muita força pra se libertar...abraços para ela .

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