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Devoção dos homens pardos a virgem da conceição

Publicada em 01 de Dezembro de 2009 às 01h11 Versão para impressão


No apagar das luzes do século XVIII, eis que se oficializava o desejo de erguer na cidade de Oeiras, então capital da capitania do Piauí, uma ermida em devoção a Virgem Maria, que embora a tantas dedicações, coube a escolha a Imaculada Conceição, fervorosamente celebrada na Corte portuguesa como padroeira do Reino. Algo que não tardaria em também se fazer em terras piauiense sob o auspicio dos chamados homens pardos, denominação hibrida para denominar a mistura étnico-racial dos africanos com europeus em terras brasílicas.

Dessa maneira, em documento datado de 1798, pertencente ao arquivo Arquidiocesano de São Luís - MA, explicita o desejo de tais homens em construir o referido templo, mas para tanto, redigiram um abaixo assinado junto a Câmara Eclesiástica maranhense para que assim pudessem efetivar o desejo religioso. Assim, uma vez deferido o pedido inicio-se com beatitude a construção da ermida nas cercanias de Oeiras não muito distante do centro, tendo por nome Deserto.

A atitude daqueles senhores dava-no mais que um espaço de sociabilidade, mas acima de tudo, a construção de sua identidade socioreligiosa, legitimando a irmandade em invocação Nossa Senhora da Conceição, dita dos Homens Pardos, como uma instituição a ser respeitada pelo seu comprometimento junto a Igreja Católica de disseminar a palavra de Deus. Nesse sentido, mas do que a cor da pele se colocava em questão a capacidade de promover a fé cristã, uma vez que o catolicismo se apegava a essas associações de leigos com o intuito de barrar os avanços das idéias reformistas que naquela época já se transpunham aos limites do Velho Mundo.


A construção da igrejinha no limiar do século XIX, já se achava por demais elevada, como assim consta em planta do ano de 1809, período que se tem noticia das primeiras celebrações naquele lugar. Seguindo a tradição colonial fora construída de frente para o poente como assim ditava a tradição, algo que se fazia em meio a símbolos e simbologias do catolicismo secular, mas a bem da verdade, segundo o historiador Dagoberto Júnior: as igrejas de irmandades começavam pela capela-mor que, prestando-se de culto de um número ainda reduzido de irmãos, inspirava as campanhas da construção das obras. De fato isso se comprova em detrimento a construção da mesma estender-se até ao século XX quando por significantes mudanças arquitetônicas.


Por coincidência ou não, a escolha pela devoção a Nossa Senhora da Conceição, rememora a devoção que também eram feita no Reino, todavia, devoção que não foi muito difundido quando a citada corte veio hospedar-se no Brasil, algo contemporaneamente ao início do culto a Virgem Imaculada Conceição em Oeiras. Em contra partida a Frei Galvão, primeiro santo brasileiro tinha singular dedicação ao culto a Senhora da Conceição.

Assim, num misto de história e religiosidade, Oeiras jubilosa celebra os duzentos anos da edificação primitiva da igreja de Nossa Senhora da Conceição, Imaculada pela vaticanidade da Bula Inefabillis, Virgem pela graça de Deus e dos homens pardos.Homens pardos pela devoção mariana que atravessa os anos.




* Júnior Vianna é historiador



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Fonte: Mural da Vila  |  Edição:

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