Eleição na câmara: ciro nogueira acredita num 2º turno

Publicada em 31 de Janeiro de 2009 às 13h54 Versão para impressão


O deputado federal Ciro Nogueira (PP) é hoje o político de maior projeção fora das fronteiras do estado. A disputa pela presidência da Câmara e as propostas apresentadas como candidato deram uma amplitude muito grande ao seu nome. Faltando menos de 48 horas para a votação, ele acredita no resultado favorável, apesar da vantagem que possui o principal oponente, o deputado paulista Michel Temer (PMDB).



O piauiense ainda espera reverter o favoritismo de Temer, que conta com apoio direto do Palácio do Planalto, e levar a eleição para o 2º turno. “Não é tradição da Câmara se sujeitar às pressões do Executivo”, pontifica. Se for eleito, Ciro Nogueira afirma que vai priorizar a discussão do orçamento impositivo –tornando obrigatória a execução do Orçamento da União aprovado pelo Congresso Nacional. Hoje, a Lei Orçamentária aprovada tem caráter autorizativo.



O objetivo, segundo ele, é fazer com que os deputados sigam suas promessas de campanha e não precisem se submeter à vontade do Executivo na aprovação de matérias, em troca da liberação de suas emendas. Promete também dar prioridade aos projetos de iniciativa dos parlamentares. “Não existe prioridade para os projetos da Câmara. É raro o parlamentar que consegue que uma proposta sua tenha tramite na Casa”, avalia. Segundo o deputado, a Câmara tem suas funções usurpadas pelos demais poderes da República.



É propósito de Nogueira, ainda, criar o Parlamento Virtual ou E-democracia, por meio do qual viabilizará maior participação social nos trabalhos legislativos por meio da internet. O Regimento Interno deverá ser reformulado para agilizar a tramitação dos projetos de iniciativa dos deputados e garantir o cumprimento dos prazos.



As comissões devem ser fortalecidas, visando garantir a participação das bancadas minoritárias nas comissões temporárias e dar a cada comissão permanente a prerrogativa de avaliar a admissibilidade e a constitucionalidade dos seus projetos, que hoje só é dada à Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania.



IMPORTANTE PARA O PIAUÍ

Ciro Nogueira falou sobre a possibilidade de ser eleito presidente da Câmara. Ele contabiliza votos suficientes para um 2º turno, mas evita falar em números. "Temos tido várias conversas e acredito que iremos levar para o 2º turno. Não falo quantos votos, porque pode parecer arrogância", revelou.



Também não trata sobre a possibilidade de assumir a vice-presidência, já que o atual, José Alencar (PR), está com sérios problemas de saúde. "Acho que tratar disso é de muito mal gosto. O vice presidente está se recuperando e estamos todos torcendo para que ele saia dessa situação o mais rápido possível".



Perguntado se teve alguma conversa com o presidente Lula (PT) sobre a disputa e uma possível interferência, Ciro é enfático: "Já conversei sim com o presidente da República. Ele não vai interferir em nada". Com relação à importância para o Piauí, ele diz que tem muitas: "É o terceiro cargo da República. Com certeza estaremos analisando e discutindo a situação de estados mais carentes como o Piauí".



QUEM É CIRO NOGUEIRA

Ciro Nogueira está em seu quarto mandato consecutivo como deputado federal pelo Piauí. Originalmente filiado ao PFL, passou para o PP em 2004. Atualmente, ocupa a função de 2º secretário da Câmara. Ciro Nogueira é empresário e formado em Direito pela PUC do Rio de Janeiro.



O parlamentar fez parte da Mesa Diretora da Câmara em três outras ocasiões. Foi 4º secretário em 2001 e 2002, cargo para o qual foi reconduzido nos dois anos seguintes. Em 2006 e 2007, foi o segundo vice-presidente da Câmara, cargo que também responde pela Corregedoria da Casa.



Como corregedor, Ciro conduziu sindicâncias para apurar as denúncias relativas ao escândalo do "mensalão", e ao escândalo das "sanguessugas", sobre a venda superfaturada de ambulâncias com emendas do Orçamento da União.


CONFIRA O PERFIL DOS CANDIDATOS À PRESIDÊNCIA DA CÂMARA

A dois dias da eleição que vai definir o novo presidente da Câmara dos Deputados, os quatro concorrentes declarados ao cargo vão com expectativas diferentes para a disputa.


Apoiado por 14 partidos e preferido pelo Palácio do Planalto, Michel Temer (PMDB-SP) não nega seu favoritismo. Ciro Nogueira (PP-PI), atual secretário da Câmara, diz ter votos suficientes para chegar ao segundo turno.



Os outros dois candidatos –Aldo Rebelo (PC do B-SP), que já presidiu a Casa, e Osmar Serraglio (PMDB-PR) –, são mais comedidos. Rebelo aposta nos votos dos que não concordam com a possibilidade de o PMDB assumir as presidências da Câmara e do Senado. Osmar Serraglio concorre como “azarão”, sem aprovação de seu partido, que tem Temer como candidato oficial.



QUEM É O FRANCO FAVORITO

Apoiado por 14 partidos que formam o chamado “blocão”, Michel Temer não esconde o seu favoritismo. “Embora eu aguarde o dia 2, eu prevejo o dia 2 com vitória”, disse na última quarta-feira (28). Temer já foi presidente da Câmara duas vezes.



O “blocão” é formado por PMDB, PSDB, PR, PTB, PPS, PHS, PTC, PT, DEM, PDT, PV, PSC, PTdoB e PRB. Juntas, essas legendas somam mais de 400 deputados. No entanto, por haver dissidentes na maioria dos partidos e principalmente pelo fato de o voto de ser secreto, não se descarta a possibilidade de a eleição ir para o segundo turno.



Questionado se acredita em traição por parte de deputados de partidos que declararam apoio a seu nome, Temer descartou a possibilidade. “Absolutamente não. Nada disso. Nossos colegas são sérios, cumprem sua palavra, sabem o que estão fazendo. Tenho absoluta convicção de que isto é risco zero”, afirmou. “Não sei se não haverá nenhuma traição, mas se for será a meu favor”, completou.



LIDERANÇA NO BAIXO CLERO

O deputado Ciro Nogueira (PP-PI) disse que está confiante com a possibilidade de chegar ao segundo turno na eleição. “Estamos na reta final, certos de que temos números que nos colocam no segundo turno”, afirmou Ciro Nogueira.



Otimista, ele afirmou que se chegar ao segundo turno contra Michel Temer suas chances de vitória serão reais. “Conversei com pelo menos 500 deputados durante a minha campanha. Quem conhece o dia-a-dia de todos os deputados sabe que a minha vitória não será surpresa”, completou.



Atual segundo-secretário da Câmara, Ciro Nogueira é conhecido como uma das principais lideranças do chamado “baixo clero”, grupo de deputados com menos espaço na mídia e pouca expressividade.



Para ele, o fato de o PMDB lançar candidato próprio no Senado [José Sarney (AP)] beneficia os três candidatos que disputam a eleição na Câmara contra Michel Temer, já que há parlamentares insatisfeitos com a possibilidade de os peemedebistas presidirem as duas Casas.



EX-PRESIDENTE E QUERENDO O CARGO

Aldo Rebelo concorda que o descontentamento com a possibilidade de o PMDB assumir as presidências da Câmara e do Senado as duas casas pode atrair parlamentares de partidos que declaram apoio a Temer para outras candidaturas.



Ex-presidente da Câmara, Aldo disse que pretende conquistar votos não só de petistas insatisfeitos, mas também de tucanos, democratas e parlamentares descontentes de outras legendas.



Ele é um dos maiores opositores à ideia de um mesmo partido ocupar as presidências da Câmara e do Senado. Para ele, “não é ético um mesmo partido presidir as duas Casas”.



Assim como seus concorrentes, Aldo tem dedicado seus últimos dias de campanha a reuniões com colegas da Câmara e telefonemas para pedir apoio dos parlamentares.



QUEM ESTÁ CORRENDO POR FORA

Candidato avulso, mesmo contra a vontade de seu partido, Osmar Serraglio afirmou que não vai desistir da candidatura. Ele defendeu que é o candidato com mais condições de administrar a Câmara de forma eficiente, por ser um candidato independente.



Serraglio criticou a candidatura de Michel Temer. “O fato de Michel ser o presidente do partido complica sua candidatura à presidência da Câmara. Comigo na presidência, não há riscos, pois não sou da Executiva do partido”, afirmou.



“Aposto nos dissidentes, que sabem que se votarem no Osmar tirarão o risco de ter um presidente que amanhã ou depois terá que negociar em nome do partido”, completou Serraglio, que é o atual 1º secretário da Casa.



Questionado se está sofrendo pressão do PMDB para abandonar a candidatura, Serraglio contou que o partido vem pedindo para ele desistir, mas sem pressão. “Pressionado não estou, mas estão pedido para eu repensar, refletir.”


Fonte: G1 e 180 Graus




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Fonte: Mural da Vila  |  Edição:

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