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Entrevista: O olhar do fotógrafo Mauro Sampaio

Mauro Sampaio não nasceu em Oeiras, mas tem sangue oeirense, vindo da sua mãe, Anatália.

04 de Agosto de 2017 às 16h14 Imprimir

Atualizada em 07/08/2017 às 23h04

 Mauro Sampaio não nasceu em Oeiras, mas tem sangue oeirense, vindo da sua mãe, Anatália. Nosso entrevistado tem fotografado por aí, e já colheu alguns bons resultados, como o livro "De ônibus", selecionado para o Festival Internacional de Fotografia de Belo Horizonte, que ocorreu em julho, e logo estará em exposição no Centro Cultural da Câmara dos Deputados, em Brasília. Mauro Sampaio se define como fotógrafo de rua. Ele gostaria de fotografar Oeiras e sua gente circulando pelas ruas históricas da primeira capital.

Você nasceu em Oeiras?

Não, minha mãe é oeirense. Anatália, filha de Paulo de Tarso, o Dr. Tarso, e de Iolanda. Passei muitas férias em Oeiras, na infância e adolescência. Nasci em Esperantina, no norte do Piauí. Oeiras é outra parte de mim. Está no meu sangue.

O que você mais gosta de Oeiras?

Dos primos (risos). São primos e amigos. Tenho primos tupamaros e bocas pretas (risos). Dou-me bem com todos. Gosto demais da Praça da Vitória. Aquele conjunto histórico que cerca a praça é muito fotogênico.

Você já fotografou Oeiras?

A última vez que estive na cidade, há dois anos, arrisquei alguns disparos. Nada excepcional, que seja digno de um quadro. Gostaria de fotografar Oeiras com mais atenção, especialmente fotografar as pessoas inseridas na história que está nas suas ruas.

Você gosta mais de fotografar pessoas do que paisagens?

As pessoas sãos as melhores paisagens. Sou um praticante da chamada fotografia de rua. E a melhor rua é aquela que tem gente para lá e para cá. Claro que há situações em que o vazio de gente se torna bastante atraente para um fotógrafo. Uma bicicleta velha encostada num muro pode ser uma boa fotografia. Essa bicicleta velha pode representar o dono ausente. Onde ele está? Terá abandonado a bicicleta? Ou volta logo? Luz, câmara e olhar. Cada fotógrafo tem o seu olhar, inclusive para uma mesma paisagem. Eu fotografaria Oeiras de uma forma. Paulo Gutemberg e Sérgio Carvalho, de outra. Meu primo Inamorato Reis gosta muito de fotografar a Praça da Vitória ao pôr do sol. Cada pôr do sol pode ser um novo pôr do sol no olhar de um mesmo fotógrafo.

Você é fotógrafo profissional?

Não. Há uma clara divisão entre fotógrafos profissionais e amadores. Eu sou amador porque não vivo das minhas fotografias. O profissional é aquele que paga as suas contas com o que a máquina lhe revela. Mas, essa divisão ficou um pouco abalada com a descoberta de uma das maiores fotógrafas de rua do século XX, a babá Vivian Maier. Ela nasceu em Nova Iorque em 1926 em morreu em 2009 sem que ninguém soubesse da sua perícia com a renomada câmara Rolleiflex. Somente após a sua morte é que foram descobertas, por acaso, mais de 150 mil fotografias, especialmente das ruas de Los Angeles e Chicago nas décadas de 1950 e 1960. Vivian Maier virou cult pós morte. Fotografou a vida inteira, de forma anônima, sem compromissos profissionais, nas horas vagas e nas férias de seu trabalho como babá. Quem diria? Suas fotografias estão em exposição pelo mundo e passou a ser considerada uma profissional do ramo. Talvez essa definição, amador ou profissional, esteja em aberto com a descoberta de Vivian Maier.

Você já participou de alguma exposição? Quais seus livros publicados?

Participei este ano da exposição Cores Vivas, no Ministério da Fazenda, que agora irá para o espaço cultural do Venâncio, em Brasília. A exposição é coletiva dos fotógrafos associados ao Candango Fotoclube. Meu trabalho chamado "De ônibus" estará em exposição pelo Centro Cultural da Câmara dos Deputados de setembro a novembro, no décimo andar do anexo IV da Câmara dos Deputados. Já publiquei cinco livros. O primeiro não traz uma narrativa fotográfica. É o "Mas, pai, é sério!", que é um pequeno livro das tiradas do meu filho, Maurício, na primeira infância. Os demais, "Guia Turisticamente Incompleto da Europa - uma lua de mel", "O país da felicidade - outro Guia Turisticamente Incompleto da Europa", "Nem anjos Nem demônios - o Congresso Nacional" e "De ônibus" são narrativas textuais e fotográficas.

Fale - nos do "De ônibus".

Eu deixei de ser proprietário de carro em novembro de 2014 e passei a circular de ônibus em Brasília. Dessa experiência, nasceu o projeto "De ônibus". Durante dois anos fotografei personagens que faziam parte do meus itinerários, principalmente da morada para o trabalho e a volta. O livro foi publicado em janeiro de 2017 pela editora Quarteto, de Fortaleza. Foi selecionado para participar da mostra de livros do Festival Internacional de Fotografia de Belo Horizonte, em julho, e estará em exposição em Brasília. Tudo indica que seja um bom livro, com boas fotografias. E que andar de ônibus traz algumas vantagens sobre o carro. Para o fotógrafo, é fundamental estar com as mãos e o olhar livres. Dirigir inibe o fotógrafo (risos).

E depois do "De ônibus"?

No festival de fotografia de Belo Horizonte me sugeriram o De pé (risos). Bom, eu estou sem uma nova história para contar. Mas, deverá aparecer. Assim espero.

Algum conselho para quem quer fotografar?

É fácil. Basta olhar à sua volta. Eu não sei falar de técnicas de fotografia. Sei usá-las razoavelmente e sei que o olhar faz a diferença. A máquina? Todo mundo tem uma câmera no celular. "Você olha por aqui e aperta ali", escreveu na crônica "A linguagem da arte" o escritor uruguaio Eduardo Galeano. Simples assim. Não há mistério.





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Fonte: Da Redação  |  Edição: Redação Oeiras

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