Escolas brasileiras testam 'laptop tupiniquim'

Publicada em 12 de Novembro de 2008 às 00h00 Versão para impressão


Enquanto o projeto do notebook educacional não avança dentro do governo federal, uma opção alternativa chegou a algumas escolas da cidade de Serrana (SP) com a promessa de custo baixo e maior conforto aos estudantes de escolas públicas.

O "lap tup-niquim", como foi batizado, ou a carteira escolar digital, foi patenteada por pesquisadores do Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer (CTI) de Campinas e conta com o apoio da Secretaria de Inclusão Social do Ministério da Ciência e Tecnologia e da Secretaria de Ensino à Distância do Ministério da Educação.

Victor Pellegrini Mammana, gerente da Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP) de Displays do Governo Federal e um dos responsáveis pela patente do lap tup-niquim, afirma que o governo federal estuda a adoção das carteiras como uma alternativa, e não um substituto, aos notebooks educacionais.

Ele cita, entretanto, em entrevista à Reuters, que "o laptop [educacional] tem certas características, como tela pequena, teclado apertado e o fato de poder ficar obsoleto em pouco tempo". Por isso, "surgiu idéia de fazer algo diferente, que valorizasse o conforto e a saúde" dos estudantes da rede pública.

No modelo, a carteira do aluno recebe uma tela de vidro que é, na verdade, um display sensível ao toque que interage com uma caneta e funciona como um terminal de computador. Um software permite armazenar como arquivo digital tudo o que o aluno escreve com a caneta ou lapiseira e o terminal também pode acessar a internet.

Segundo Mammana, "o preço do equipamento pode ficar abaixo de R$ 800 por unidade" e um terminal pode ser compartilhado por vários alunos, o que reduz ainda mais seu custo.



Fabricação
De acordo com o pesquisador, já existem "vários grupos privados dispostos a fabricar" o modelo no país. Ele citou, especificamente, dois pedidos de licenciamento da patente registrada nos Estados Unidos e no Brasil. Os nomes das companhias ainda não podem ser revelados, segundo Mammana, mas uma delas é brasileira e outra norte-americana, informou.

Cidades como São Vicente e Campinas, em São Paulo, assim como Erechim, no Rio Grande do Sul, já manifestaram interesse em também testar o lap tup-niquim, de acordo com o pesquisador.

Segundo Mammana, tramitam hoje algo como "50 emendas parlamentares para que cada cidade tenha o seu recurso" de carteira digital.



Grupo
Mammana gerencia um grupo do CTI que propõe medidas ao governo para atrair fabricantes de displays aos país. O segmento de displays, ou mostradores digitais, inclui desde telas de plasma e cristal líquido para TVs e monitores de computador até a tela do celular e o mostrador de uma bomba de gasolina.

Mammana explicou que a cadeia brasileira de displays é basicamente constituída dos tubos de TV, bastante concentrada em Manaus. "Esse segmento está perdendo relevância porque todo mundo quer LCD e as telas de tubo estão ficando obsoletas", disse.

Diante da falta de fabricantes das tecnologias mais modernas, o que se viu nos últimos três anos foi um aumento do déficit comercial desse produto, por conta do aumento nas importações. Em 2007, por exemplo, o déficit em displays foi de US$ 1,463 bilhão. "Em 2004 não passava de meio bilhão e a média anual era de US$ 300 milhões", compara Mammana.

"O Brasil era um produtor importante de CRT (tubos), agora essa produção perdeu totalmente a importância. Isso exige uma ação para reverter esse quadro", afirmou.

O grupo gerenciado por Mammana espera que, através do estímulo às parcerias e da desoneração fiscal dos gastos com pesquisas, o Brasil possa atrair elos da cadeia de fabricação de telas até o final de 2010. "Talvez trazer uma indústria completa seja um desafio grande, mas um elo da cadeia não", disse o pesquisador.

G1

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Palavras-chaves:
Fonte: Mural da Vila  |  Edição: Patrick Ernandes

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