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Felicidade!

Publicada em 09 de Outubro de 2011 às 23h19 Versão para impressão


* Por Oliveira Sinimbu

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Sou filho de uma família agropecuarista, modesta, trabalhadora, humilde e honesta, qualidades que tive o privilégio de herdá-las.

Nasci com o dom de ser feliz.

Aos 08 anos de idade fui trabalhar no sítio e na roça, era vaqueiro na mata e nas pistas de morão; fui caçador e pescador.

Aos 15 anos fui estudar no grupo.

A professora ensinava 04 matérias: Português, Matemática, Geografia e Redação; e fazia apresentações dramáticas para desinibir os alunos. Eu era o Cômico. Nos domingos e feriados jogávamos bola.

Minha professora era casada com um telegrafista que me ensinou telegrafia; aos 17 anos fiz concurso e fui aprovado no 17º lugar e logo nomeado para trabalhar em Amarante.

Ao completar 18 anos apresentei-me voluntariamente no tempo da 2ª Guerra Mundial para servir o Exército brasileiro, trabalhando na comunicação, fazia tudo que os soldados faziam para aprender a defender-me e atacar.

Jogava bola, ganhei até troféu, também tive 02 promessas de Exílio na Ilha de Fernando de Noronha, porque namorava uma professora inglesa. Era a maior punição naquele tempo.

Em 1945 quando terminou a Guerra voltei a trabalhar como telegrafista em Amarante e em diversas cidades; ao aposentar o Diretor Regional deu-me 02 promoções por merecimento.

De 10 anos até aos 32 quando casei-me era forrozeiro doentio.

O único vício que aprendi, foi o de admirar e gostar exageradamente do belo sexo feminino, até sem muita exigência.

Tive várias doenças: labirintite, 04 cânceres, 03 infartos, pedra nos rins, operei 04 vezes de catarata, 02 viradas de carro e um choque elétrico de uma faísca, onde na roça fazendo ração para os animais, a manivela saiu do motor, bateu na minha boca, quebrou 06 dentes e abalou os outros. Cai, sangrei muito e estava sozinho. Confesso que foi a pior operação que já fiz porque não fui anestesiado.

Não me lembro se já chorei ou fiquei triste.

Não estou deixando nenhum problema ou desafio sem solução.

Sou conhecido e diferenciado carinhosamente por 80% dos oeirenses como o homem da felicidade.

Em casa, na rua, nos clubes, nos forrós, nos leitos de hospitais, sozinho ou no meio da multidão, em todas as passagens de minha vida, nunca fiquei só, sempre senti a presença da minha felicidade.

O pouco que aprendi foi com os meus pais, 02 anos de grupo e com a vida.

Concluindo, fugindo a modéstia e exagerando o orgulho, no dia final de minha existência terrena, o atestado da causa da minha morte será uma forte explosão de felicidade e paixão.

Manoel Oliveira Sinimbu (Oeiras-PI


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Fonte: Da Redação  |  Edição: Redação Oeiras

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Comentários (8)

  • Perpétua Mary Neiva S M Moura, Teresina-PI disse:
    Deixado em 19/10/2011 às 08h45

    Senhor Oliveira,
    Fiquei extasiada ao ler este artigo. Ele é inédito nos dias atuais, aliás o Senhor é inédito. Parabenizo sua maneira de ser e valorizar a vida. Também parabenizo a Profa. Cassi Neiva pelo gosto literário e iniciativas de nos proporcionar leituras de seus artigos tão ricos de valores, quando os posta na internet. O senhor merece um troféu jamais entregue: o de homem irradiador de lições de vida. Abraços,
    Perpétua Mary

  • Thaís Sinimbu, Teresina-PI disse:
    Deixado em 11/10/2011 às 13h27

    Querido e dileto vovô, sou uma pessoa abençoada pelo fato de poder conhecer sua história e compartilhar ensinamentos que levarei para toda a minha vida. Tem um trecho de uma música que me lembra muito o senhor: "Felicidade é só questão de ser". Espero ter essa mesma espirituosidade. Beijos e felicidades sempre

  • Agnelo Santos, Pedro II-PI disse:
    Deixado em 10/10/2011 às 23h27

    Caro Oliveira, tuas palavras e sentimentos constratam radicalmente com a realidade atual, imersa em sentimentos fugazes e efêmeros. Denotam os resquícios de homens e tempos raríssimos. Dizem que o amor só durou até o século vinte. E a fecicidade, então? Teu verdadeiro nome é Oliveira Sinibu Felicidade.

  • Carmosina Neiva, Oeiras-PI disse:
    Deixado em 10/10/2011 às 22h21

    Prezado amigo Oliveira,
    Ao ler o seu artigo, constatei o quanto és grande nas ações e nas palavras. Conhecer e conviver com um amigo de tamanha inteligência e entusiasmo pela vida, nos fortalece e nos torna melhores como pessoa. Que Deus seja o teu farol de luz e glórias e que a sua vida seja uma contínua explosão de felicidade. Abraços da amiga Carmosina Neiva.

  • willamy, Araguaína-TO disse:
    Deixado em 10/10/2011 às 22h20

    Tio oliveira sou seu fã , willamy sinimbu e familia

  • xico carbo, Oeiras-PI disse:
    Deixado em 10/10/2011 às 14h29

    Querido Oliveira, desta vez vou recorrer ao poeta Manoel de Barros, é o jeito.
    "Na lingua dos pássaros uma expressão tinge a seguinte.
    Se é vermelha tinge a outra de vermelho.
    Se é alva tinge a outra de lírios da manhã.
    É lingua muito transitiva a dos pássaros.
    Não carece de conjugações nem de abotoaduras.
    Se comunica por encantamentos.
    E por não ser contaminada de contradições
    A linguagem dos pássaros
    Só produz gorjeios"
    forte abraço
    xico de minha vó.

  • JOTA jOTA SOUSA, Oeiras-PI disse:
    Deixado em 10/10/2011 às 12h35

    "Não me lembro se já chorei ou se fiquei triste"
    Que coisa maravilhosa de se ler! Só podia vir deste homem. O leio numa segunda de uma semana desafiadora. Soa como estímulo em um momento onde a vida parece pesar como uma cruz. Como eu gosto de você meu querido, meu velho, meu amigo!

  • Cassí Neiva, Oeiras-PI disse:
    Deixado em 10/10/2011 às 07h29

    Querido amigo Oliveira,
    Quando recebi de suas mãos este artigo , não me contive e enviei para o Lameck postar no Mural, pois a essência do mesmo vem permeada de otimismo, coragem e amor a vida.
    Quisera eu ter a graça de Deus de envelhecer com a sua sabedoria e principalmente a sua especial e permanente alegria. A sua existência cheira o doce aroma da felicidade. Sou sua fã. Beijos de quem muito lhe quer bem,
    Profa. Cassí Neiva.

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