Você está navegando por: Notícias Artigos
Assine o nosso Feed de Artigos

Homenagem à lingua

Publicada em 05 de Fevereiro de 2012 às 22h25 Versão para impressão


(*) Por Ferrer Freitas

» Siga-nos no Twitter
» Siga no Orkut

Certa vez alguém em roda no bar Café Oeiras disse em alto e bom som: “Oeiras não muda!”, frase ouvida do outro lado do Passeio Leônidas Mello, na calçada do Cine. “Não muda mesmo!”, respondeu um circunstante, desses que adoram contar o que mineiros e paulistas chamam “causos”, mas que, tratando-se da velha terra, prefiro chamar “oeiradas”. Aliás, diga-se, são bem melhor contadas pelo mano Bené, de nome literário Benedito Amônico, em homenagem ao nosso avô paterno, homem de muitos afazeres nobres, como disse em versos seu primo , desembargador Vidal de Freitas: “foi pintor, escultor, imaginário/mágico do buril/moldador, desenhista extraordinário/litógrafo excelendo a mais de mil.” Ressalta ainda seu lado de músico (“das musas, só Euterpe o embeveceu”). Tocava violoncelo e uma espécie de órgão, com pedais (harmônio), de muito uso nas igrejas de Oeiras. Aliás, “oeiradas” foi-lhe sugerido por este locutor que vos fala.

Bem, mas a propósito de que intróito tão cheio de arrodeios? É justo por conta de interessantíssimo texto do multimídia Joca Oeiras, postado no Portal do Sertão, de título “A Língua nossa de cada dia”, em que narra episódio burlesco, dando a entender que pode ter ocorrido em qualquer cidade pequena e conservadora. Trata de casal formado por rapaz do lugar e moça de centro adiantado que se sujeitou a acompanhá-lo quando de seu retorno às origens, concluídos os estudos. Só que, passado algum tempo , terminou levando-o de volta pela alegativa de total incompatibilidade com o que considerava hábito nocivo da terra, o disse-me-disse do dia-a-dia, tão comum em cidade pequena. Diz-se até, com gozação, tratando-se de alguém que se ocupa muito da vida alheia: "ô língua!"

E o que precipitou a volta foi banquete oferecido à nata da sociedade local, principalmente aos casais-parceiros de clube filantrópico, um banquete cujo cardápio era todo à base de língua, a saber: com farofa, alho-poró e pimenta, com batatas ao molho de vinho, defumada com ervilha e champignon, ao molho madeira, finalmente, língua com jiló. Aí, segundo o caro Joca, os convivas perguntaram: ”mas por que este festival de língua?”. Resposta incisiva da anfitriã: “é uma homenagem à língua de vocês. E fiquem certos, não tem veneno!”

Mas, a coisa não fica por aí. O texto mereceu de um leitor de nome Flávio José comentário que é um primor e merece transcrição: “Um nobre senhor mandou um dia seu criado ao açougue, dizendo-lhe: ‘traze-me o melhor bocado que lá encontrares’. Para atender fielmente ao pedido de seu amo, o servo trouxe-lhe uma língua. O nobre senhor mandou que as criadas a preparassem e assim se deliciou com o apetitoso bocado. Dias depois, chamou novamente o servo e recomendou-lhe: ‘traze-me agora, do mesmo açougue, o bocado mais desprezível que encontrares’. O criado foi depressa, pensou, e trouxe mais uma língua. Tomado de admiração, o seu senhor indagou-lhe: ‘que significa isso: pedi o melhor bocado e me trouxestes uma língua; depois pedi o pior bocado e me trouxestes também uma língua?’ Então o servo, que era sumamente sábio, explicou-lhe: ‘não me enganei, senhor. É isso mesmo: a língua é, ao mesmo tempo, tudo o que há de melhor e tudo o que há de pior no mundo. Pode causar os melhores bens na boca de uma pessoa boa e pode causar os maiores males na boca de uma pessoa má".

(*) Ferrer Freitas é do Instituto Histórico de Oeiras

Veja mais notícias sobre Artigos.


Fonte: Da Redação  |  Edição: Redação Oeiras

Comente através do Facebook

Veja também

Comentários (3)

  • João Andrade, Floriano-PI disse:
    Deixado em 10/02/2012 às 09h23


    Esopo, como descrito na Crônica de Nuremberg de Hartmann Schedel.

  • Rayanna Victória, Sobradinho-DF disse:
    Deixado em 07/02/2012 às 19h41

    "O cão não ladra por valentia e sim por medo"".
    Provérbio chinês.

    "Difícil é ganhar um amigo em uma hora; fácil é ofendê-lo em um minuto".
    Provérbio Chinês

    "As más companhias são como um mercado de peixe; acabamos por nos acostumar ao mau cheiro".
    Provérbio Chinês

  • Ferrer Freitas, Teresina-PI disse:
    Deixado em 06/02/2012 às 18h16

    Nenhum gesto de amizade, por muito insignificante que seja, é desperdiçado."

    "Um pedaço de pão comido em paz é melhor do que um banquete comido com ansiedade."

    "Os hábeis oradores, com astúcia e prudência, sabem converter em elogios os insultos recebidos dos amigos."

    "Quem trama desventuras para os outros estende armadilhas a si mesmo."
    Algumas citações de Esopo.

Comentário

Comente


Publicidade Casa do Frango
Publicidade Spazzo
Publicidade Supermercado Alternativo
Publicidade SID
Publicidade Passe a Limpo - Gráfica rápida
Publicidade Lanches e Cia
Publicidade Motel Eros
Publicidade Glamour
Publicidade Construtora
Publicidade Engipec
Publicidade Caso New
Publicidade Honda Direito
Publicidade Fio de Prata - Oeiras