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Não basta que seja pura e justa a nossa causa

Publicada em 30 de Abril de 2010 às 00h42 Versão para impressão


Foto: Mural da Vila Cine Teatro Oeiras Cine Teatro Oeiras
* Por Rogério Newton




Nos últimos dias, por conta de duas notícias veiculadas no site Mural da Vila, sobre a situação do Cine Teatro Oeiras, que se encontra de portas fechadas, apesar de ter sido “reinaugurado” com honras e pompas no último 24 de janeiro, vários comentários foram encaminhados para esta página na Internet. As opiniões dos internautas são todas de protestos, os quais são compreensíveis, mas correm o risco de caírem na vala comum do “denuncismo” inconsequente.


Também me associei ao coro dos descontentes: quero ver o Cine funcionando como um verdadeiro espaço público onde se pratica a Arte. Mas, abraçando a opinião do leitor que se identificou como Vivaldo, discordo da maneira politicamente rasteira como quase todos os internautas se manifestaram. Pensando (ou me iludindo) em contribuir para o debate em curso, faço aqui um pequeno resumo dos tópicos que abordei em dois comentários que fiz sobre a questão:


1. Os protestos contra a falta de funcionamento do Cine devem se fundamentar em propósitos elevados. Não podem atender a interesses partidários miúdos, entre outros motivos, porque os partidos políticos em Oeiras, historicamente, nunca deram a merecida atenção para as questões culturais.


2. O caso do Cine é apenas a "ponta de iceberg" de uma questão mais ampla e mais grave, que não comporta atitudes emocionais mal resolvidas, tão ao gosto de quem quer desviar o foco da questão essencial, que é fundamentalmente política, no sentido aristotélico do termo, e não no sentido redutor que muitos, propositadamente, querem dar.


3. É necessário mais cuidado e mais respeito com uma causa tão linda. Sem traição da consciência crítica, é preciso buscar um canal de comunicação com os gestores municipais. Não temos tradição de diálogo político em que as partes envolvidas sejam mutuamente respeitadas, mas esse diálogo, que não é fácil, tem de ser construído. Tem que ser pelo menos tentado. Ou tudo estará perdido.


4. A Prefeitura e a Secretaria de Cultura de Oeiras, de um lado, e os artistas, de outro, não podem ou não devem ser blocos monolíticos, cada qual entrincheirado nas suas “verdades”.


5. A indignação sincera e a consciência crítica são necessárias, mas não são suficientes. É preciso também agir. Concretamente, sugiro que os artistas e parceiros preparem, por escrito, uma pauta de reivindicações sobre o Cine e a entreguem ao Sr. Prefeito de Oeiras. Nessa pauta não podem faltar três tópicos:
a) gestão democrática do Cine;
b) que seja um espaço público de desenvolvimento da arte, principalmente teatro e cinema, e não mero local de cerimônias;
c) metas claras e planejamento para alcançá-las.

No mais, lembro os versos do poeta angolano Agostinho Neto: "Não basta que seja pura e justa a nossa causa / É preciso que a pureza e a justiça existam dentro de nós" (citado de memória).


*Rogério Newton é escritor oeirense


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Palavras-chaves: Cine - Teatro - artigo
Fonte: Da Redação  |  Edição: Lameck Valentim

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Comentários (8)

  • Amparo Tôrres, Oeiras-PI disse:
    Deixado em 07/05/2010 às 10h18

    Eu respeito a opinião do colega abaixo, mas discordo dela, visto que, trabalho diretamente com a secretária e sei que a mesma é aberta ao diálogo. Creio que o que houve foi falta de comunicação. Ta havendo muito "disse me disse". Ambos , (Carla e Lameck), são civilizados, educados, só ta faltando diálogo. Espero que isso se resolva da melhor forma possivel.

  • Edson, Teresina-PI disse:
    Deixado em 06/05/2010 às 19h07

    Não sendo pessimista, mas penso eu ser muito dificil haver dialogo entre as partes interessadas, pois com certeza existe politicagem pelo meio.

  • Assuéro Pinheiro, Oeiras-PI disse:
    Deixado em 03/05/2010 às 09h28

    Acredito que a secretaria de cultura e os representantes da classe artística oeirense deveriam se reunir e criarem um calendário cultural para a cidade, onde o cine pudesse ser utilizado o ano todo.

  • Lena, Teresina-PI disse:
    Deixado em 02/05/2010 às 09h25

    O comentário do Rogério está muito bem posto. Difícil é fazer determinados tipos, sobretudos os de fora, entenderem que o caminho a seguir deve ser o apontado no texto. Teatro fechado, povo calado.

  • Joca Oeiras, Oeiras-PI disse:
    Deixado em 01/05/2010 às 19h44

    O Rogério atinge, com grande sabedoria, o nó górdio da questão: se queremos que o Cine Teatro seja um instrumento público de elevação cultural dos oeirenses, é preciso que haja regras claras para o seu funcionamento. Falou, com seu costumeiro brilhantismo, o que eu gostaria de ter dito antes, ainda que de modo, certamente, mais singelo. Faço minhas, com muito orgulho, as palavras dele.

  • Raiane Veras, Morro Agudo-SP disse:
    Deixado em 30/04/2010 às 20h46

    De discurso velado o povo de oeiras está cheio precisando vê as coisas acontecerem.

  • Washington, Oeiras-PI disse:
    Deixado em 30/04/2010 às 18h52

    A doença é grave, mas tem solução!!! O nome do remédio é: "Competência".

  • Baltazar D. Monteiro, Redenção do Gurguéia-PI disse:
    Deixado em 30/04/2010 às 08h34

    Efim, alguém com a devida lucidez, apresenta sensatamente o caminho a ser trilhado neste e outros problemas que existem na vida de uma cidade. Agora bem fizemos, eu, voce, Cilene, Chico Carbó e Vanda Barromeu, que no dia da farsa de inauguração do teatro, estavamos no B. Jureminha, mais precisamente na Pça. José de Helena, assistindo à uma apresentação de Reisado.

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