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O abandono do poder

Publicada em 24 de Agosto de 2010 às 23h28 Versão para impressão


* Por Jadson Santos



Ninguém tem o direito de agredir um cidadão com palavras, gestos, ou fisicamente. Nem submetê-lo a vexame ou constrangimento. Os abusos, demonstrações de poder e arrogância, o exibicionismo, são marca de policiais em grupos fardados e armados.

Jovens desarmados, que sequer tenham entrado em conflito com a polícia, não representem ameaça a grupos armados. Não seria necessário citar Leis. É questão de bom senso, mas elas existem.

Tornou-se comum, pelas ruas da periferia de Oeiras, encontrar jovens, pessoas comuns e pais de família abordados, com armas apontadas no rosto, na cabeça, como se flagrados em delito. Isso pelo simples fato de estarem transitando em via pública. Tais situações são uma agressão aos cidadãos comuns que trabalham, pagam seus impostos, e jamais cometeram qualquer delito.

Ao invés de criarem programas educativos, ou de recuperação para nossos jovens e adolescentes, ficham seus nomes ou abrem TCOs e os tratam antecipadamente como delinquentes. Eu me pergunto o que será desses jovens, já taxados de marginais, quando precisarem de uma referencia para trabalhar, ingressar num curso de especialização ou mesmo frequentar escola pública. O que sentem os pais, ao verem seus filhos em situação de miséria moral e constrangimento? Tais situações marcam a pessoa para toda a vida: moralmente, emocionalmente, psicologicamente. Esse tipo de operação e posicionamento do poder é inaceitável.



Os bairros onde residem estão no nada. Assistência social, sistema de saúde e educação são completamente inoperantes e ineficientes. Os índices de alcoolismo, depressão, prostituição infantil, pedofilia crescem absurdamente. Nenhuma providencia real é tomada. Segundo as pesquisas realizadas, os números atendidos pelos programas do Governo Federal são inexpressivos diante da realidade.

Agredir, punir, bater, humilhar e até algemar esses jovens, adolescentes e adultos, sem saber areal situação a que estão submetidos é fácil. Punir, quando não conhecemos a realidade de pessoas ainda mais fácil. Essa gente vive em casebres, em condições precárias, onde mesmo água, fundamental à vida, só se tem quando aparece alguém para ligar alguma bomba (quando não está quebrada) e por poucas horas. Fazem suas necessidades no mato, por que vivem no lajedo, onde nem fossa se pode cavar. Enfiam forquilhas em frestas da pedra para sustentar sua taipa. Foram jogados para morar à margem, na terra que ninguém queria. Cozinham em trempes de pedra, em latas de leite em pó, e comem carne de fussura, que vão buscar de madrugada no matadouro, retiradas das carcaças de cabeça e das sobras de ossadas.

Mesmo com tantos problemas, o potencial desses jovens é imenso. A produção cultural seria a fortaleza dessa gente. É sua cultura que os mantêm vivos.

Quase nada tem sido investido nesses bairros, nessas pessoas, nessas comunidades.

Oeiras vai enfrentar agora três eleições. Quantos milhões têm sido investidos em marketing político, produção de som e propaganda? Vocês sabem quanto custa um auto falante, um carro de som equipado para fazer tanto barulho durante alguns dias? - Com toda certeza, muito menos que se investiria na manutenção anual de programa cultural ou esportivo para esses jovens, que os levariam à inclusão e não à marginalidade.

Que autoridade se responsabilizaria por tudo isso?



*Texto retirado da pesquisa “A criminalidade nos Bairros de Oeiras”, de autoria de Jadson Santos.


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Palavras-chaves: Pobreza - Opinião
Fonte: Da Redação  |  Edição: Lameck Valentim

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Comentários (4)

  • Baltazar Dias Monteiro, Teresina-PI disse:
    Deixado em 02/09/2010 às 07h33

    Falou e disse Cumpade Jadson, precisamos ugentemente mudar este estado de coisa, por que senão ficará pior num futuro bem próximo, futuro que os jovens não tem agora e nem tem perspectiva de te-la a curto ou longo prazo.

  • Josevita Maria de Freitas Tapety Pontes, Oeiras-PI disse:
    Deixado em 25/08/2010 às 17h02

    Sempre que nos deparamos com estas situações, retrato do abandono de nossa juventude. Vem-nos à mente cada olhar que capto nas imagens que colho na minha sonyzinha, nas andanças silenciosas pelos bairros de Oeiras.
    À tarde, nas caminhadas descendo a Transamazônica, subindo a Duque de Caxias, Rua do Sol Nascente até o Leme, Jureminha e volta no Anel Viário, observo: menininhas pulam corda, rapazinhos correm, jogam peteca ( bolas de gude), estudantes se movimentam vindo e indo para a Escola... tanta gente bonita. Providências precisam ser tomadas e urgentemente.
    O que nossa sociedade está fazendo pelo futuro de nossos jovens, nossas crianças? - Esportes, resgate cultural e valorização das raízes, oportunidade de realização criativa, oportunidade de valorização de cada indivíduo e de suas potencialidades, isso tudo é responsabilidade nossa.
    À noite, resta a rua, a praça e os perigos da exposição ao óscio não criativo. Farra e cachaça anestesiam a frustração de todos. Todos conscientes, tenhamos certeza disso. Daí a frustração e a perda.
    Desde a noitinha, jovens e adolescentes perambulam sem rumo e sem meta, olham o nada ou escutam os carros de propaganda, sentados sob os poucos postes de iluminação e nas jardineiras das praças.
    Escola em tempo integral pode ser uma saída, mas ainda não será suficiente. A responsabilidade do apoio à família e o diálogo escola, família e sociedade precisam ser tomados como prioridade número 1. Nossa atitude cidadã e responsabilidade assumida revelarão o potencial de mudança.

  • Monteiro, Rio Verde-GO disse:
    Deixado em 25/08/2010 às 09h21

    Sobrio, sem delongas, direto ao ponto. Segundo o mandatario maximo deste País estamos na " Suiça Latina". - Mentira. Quem planta miséria, colhe violencia. Nada muda, mesmo tendo oportunidades para isso. Democracia - pura utopia. Vivemos mesmo é um estado de exceção.

    F. Monteiro Nunes

  • Leando Vieira, Oeiras-PI disse:
    Deixado em 25/08/2010 às 08h27

    É devido a falta de politicas públicas, dos administradores é comum ver esta massa ociosa de jovens nas periferias em bares ou jogando bola por não terem uma perspectiva de trabalho ou emprego com o passar dos dias a fome aperta e uma revolta por se encontrar nesta situação acabam virando presas faceis para o crime, onde são aliciadas para o tráfico ou cometem pequenos furtos para sustentarem o vício das drogas ou matarem sua fome. Quando uma sociedade gera um "Menino de Rua" ou um jovem infrator vemos ai o sintoma mais agudo de uma crise social que precisaria de medidas urgentes para sufocar tais crises com politicas públicas de primeiro emprego, o ferecer cursos qualificadores para aproveitar esta vasta e crescente mão de obra que se ver tomando rumo diverço por falta da ação dos governantes.

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