Você está navegando por: Notícias Artigos
Assine o nosso Feed de Artigos

O Beco

Publicada em 15 de Abril de 2010 às 01h04 Versão para impressão


Foto: Arquivo Júnior Vianna O BECO O BECO
* Por Júnior Vianna


Q que é tristeza?
Q que é saudade?
Me responde com justiça
E não com lágrimas.
(Lobão/Toda Nossa Vontade)




Uma das propostas culturais mais interessantes do final do século XX na cidade de Oeiras ocorreu há 20 anos, com lançamento de um jornaleco com o sugestivo nome de O Beco, idealizado pelo cronista Rogério Newton. Há bem da verdade, um jornaleco audacioso, cheio de ironias e desabafos, um verdadeiro pasquim oeirense. Pode ser considerado um dos mais relevantes informativos que já circulara na terrinha, onde o bom humor e a irreverência eram o que mais chamavam a atenção do leitor. Segue abaixo um dos mais interessantes escritos desse informativo datado de 1989 de autoria do idealizador.
.


Fábula atual
Era uma vez uma cidadezinha perdida no mapa cujos habitantes eram todos cegos. Em sucessivas eleições, a mesma família se manteve no poder, exercendo-o com mediocridade exemplar. Um belo (mas nem tanto) dia apareceu um homem com um olho cego e outro bom, tirou os mais cegos que ele do poder, o homem fez algumas obras a todos os cegos acharam aquilo o máximo. Rapidinho, sua fama de bom administrador cresceu (não esquecer que todos eram cegos) e ele foi convidado para ser conselheiro de um rei balofo, na capital da província. Ele foi (quem não iria?), deixou dois rapazes (cegos) tomando de conta dos negócios, mas com um único olho continuou controlando tudo na cidadezinha, onde só ia fazer ajustes ou puxar as orelhas de alguém. Moral da história: em terra de cego quem tem um olho controla o poder.
(Rogério Newton)



Por força do destino ou por mera coincidência, o texto em sua essência é por demais contemporâneo, denotando o quanto a matreira política da cidade segue uma dinâmica cíclica e ardilosa o que sem dúvida é um dos principais entraves para o desenvolvimento não só econômico, mas também intelectual, uma vez que a maior parte da população devota uma paixão ardente pelas arcaicas facções políticas que por sua vez sobrevivem desse clientelismo eleitoral. Fato corriqueiro e comum no nordeste e sem anacronismo, algo não muito estranha o povo piauiense, uma sociedade que nasceu pautada em currais de gado.



A produção textual sobre política em Oeiras é por demais perigosa, redigir qualquer que for um texto sobre tal temática pode colocar quem escreve numa situação constrangedora, pois apontar erros ou acertos de tais políticos denota a partir da interpretação do leitor a que facção a pessoa pertence. Assim, atrofiados ideologicamente vivem até mesmo aqueles que pregam aos quatro ventos a sua intelectualidade, porém, ficando nítido que não passam de leitores rasos e quase sempre recorrem às velhas orelhas dos livros. Tão quanto esses políticos são esses homens e mulheres que se tornam matrizes culturais, acreditando serem detentores da história e da memória da cidade e passam a cultuar velhos heróis sórdidos que há muito já tombaram.



Dessa ligação com a política existem aqueles apegados a sobrenomes como se estes fossem o único motivo norteador de competência e grau de importância, algo refutável, pois muito já provaram ao contrário, a bem da verdade, “Quando Deus Quer é Assim”. Essa era a proposta desse jornaleco que teve vida breve, porém expôs sem rodeios o que afligia a sociedade oeirense da época e no mais, desfez o errôneo equivoco que cultura é só divertimento, mas sim, algo bem mais abrangente, pois ela é feita pelo povo cotidianamente e todos independente de quaisquer coisa é facultado a apreciá-la.



O jornaleco “O Beco” como tantos outros é só lembrança!



* Junior Vianna é historiador

» Siga-nos no Twitter
» Siga no Orkut


Veja mais notícias sobre Artigos.


Palavras-chaves: Júnior Vianna - Beco
Fonte: mosaicodavila.blogspot.com  |  Edição: Lameck Valentim

Comente através do Facebook

Veja também

Comentários (16)

  • Chico, Bom Conselho-PE disse:
    Deixado em 09/05/2010 às 09h10

    em terra de caolho quem tem um cego... ERREI!!

  • Jônatas Orlando, Teresina-PI disse:
    Deixado em 01/05/2010 às 18h29

    Li todos os comentários postados. Só me resta perguntar algo para o que ninguém atentou: que dizer de Luiz Vaz de Camões, Sammy Davis Jr., Moshe Dayan, para ficar somente nestes três?

  • rogério newton, João Pessoa-PB disse:
    Deixado em 30/04/2010 às 00h15

    Sem querer botar mais lenha na fogueira (aliás, a julgar por alguns comentários, há mais fumaça que fogo), darei alguns esclarecimentos:
    1. O Beco foi um jornal impresso em mimeógrafo e xerox. Circulou em Oeiras em 1989. Não era escrito só por mim. Colaboraram: Francisco Leandro, Ivoncleiton, João Hípólito, Anchieta Pinheiro, Cida Maracajá, Jadson Santos, Isabel Andrade, Espedito Cavalcante e Gorete Sousa.
    2. O jornal teve ao todo cinco números. O nº 2,5, do qual Junior Vianna retirou Fábula Atual, foi o último e o que mais radicalizou tanto na forma quanto na linguagem.
    3. Fábula Atual, cuja transcrição não é fiel ao original, está longe de ser o texto mais representativo da existência d'O Beco. Por que Junior Vianna o escolheu? Há, naquele jornal, outros textos, digamos, mais consequentes.
    4. Fábula Atual é um pequeno texto humorístico, de circunstância. Uso indevido e interpretações redutoras, nem de longe sugeridas pelo escrito, são de quem as faz. Não posso me responsabilizar por elas.
    5. O Beco não pretendia (nem podia) mudar Oeiras nem o mundo. A seu modo, com as armas que dispunha, participou do seu tempo.
    6. Apesar de alguns exageros e equívocos, que a maturidade ajudou a iluminar, não me arrependo de ter ajudado a parir O Beco.
    Gracias a la vida!

  • Herbert Fonseca, Teresina-PI disse:
    Deixado em 26/04/2010 às 15h19

    Creio que devam estar certos; Ferrer, Roosevelt, Rodrigo etc.
    entendo que o Jr. Viana não tem que se condenar, por ter posto um tema tão melindroso pra ser discutido, F. Monteiro Nunes não julgue o artista da "fábula", o Sr. também quando jovem, deve ter tido digamos, umas ideiasinhas um tanto revolucionárias (veja a data real da "obra"), resumindo concordo plenamente com o Zé Grigulim, com base no dito popular que "Os políticos e as fraldas devem ser trocados frequentemente e pela mesma razão", não importam sobrenomes.

  • Fernando José Alves, Palmas-TO disse:
    Deixado em 25/04/2010 às 10h32

    "Eu lembro, lá pelo meio da década de 60, minha professorinha primária contando a todos nós como seria bom o Maranhão após a queda de Vitorino Freire e a subida de José Sarney. Como o Estado se desenvolveria após nos livrarmos da velha oligarquia. Bom, após tanto tempo veja só no que deu, meu estado retrocedeu e hoje disputa com o Piauí o pior lugar em desenvolvimento no país." Isso mesmo ocorre com a Oeiras das oligarquias "boca-preta" e "tupamaro".

  • Robson Carvalho , Teresina-PI disse:
    Deixado em 20/04/2010 às 15h49

    Não me iludo
    Tudo permanecerá
    Do jeito que tem sido
    Transcorrendo
    Transformando
    Tempo e espaço navegando
    Todos os sentidos...

    Pães de Açúcar
    Corcovados
    Fustigados pela chuva
    E pelo eterno vento...

    Água mole
    Pedra dura
    Tanto bate
    Que não restará
    Nem pensamento...

    Tempo Rei!
    Oh Tempo Rei!
    Oh Tempo Rei!
    Transformai
    As velhas formas do viver
    Ensinai-me
    Oh Pai!
    O que eu, ainda não sei
    Mãe Senhora do Perpétuo
    Socorrei!...

  • edson, Teresina-PI disse:
    Deixado em 19/04/2010 às 09h22

    Uma coisa é certa, enquanto a população oeirense não acordar e darem um basta nestas demagogias baratas que estes dois grupos sugadores vivem pregando em Oeiras, está cidade nunca mudara. Tenho grande repudio a todos os politicos oeirenses pois nao vejo estes fazerem nada por esta cidade. Senhores comentadores deixem de se fazerem de cegos, querendo não ver o descasos que todos estes politicos tem por esta cidade.

  • Vespasiano Amaral, Teresina-PI disse:
    Deixado em 19/04/2010 às 09h03

    A pergunta que não quer calar: e por que Rogério não permaneceu em Oeiras pra tentar mudar as coisas? Pelo menos poderia conversar com os cegos, falando dos absurdos que aconteciam.

  • Ferrer Freitas, Teresina-PI disse:
    Deixado em 17/04/2010 às 11h09

    Estou fora de Oeiras há bastante tempo. Vejo no entanto, com tristeza, que a mentalidade da minha gente quase não mudou. Para maior tristeza ainda, vejo que os que tecem loas e escrevem questionando o "statu quo" vigente há mais de 70 anos na cidade, ingenuamente acreditam que podem mudar esse estado de coisas apelando para uma total desqualificação do passado. Chamam de "herois sórdidos" (esta última palavra é muito forte, significa "abjeto", "imundo", "repugnante") pessoas que, bem ou mal, pontificaram na política local. A colocação é forte. Nem todos foram isso! Ou então o povo não é só cego, é também abúlico (sem vontade)! E que dizer dos que vieram do interior do município? Por que não tentaram fazer política em faixa própria? Terminaram tomando partido (lado), a troco de quê? As oligarquias sempre vão existir, ainda mais com a legislação eleitoral que permite reeleição para cargos do executivo, renovação de mandatos legislativos, de forma indefinida, e ocupação de sinecuras por parentes dos que estão no poder. Antigamente oligarquia era continuidade do mesmo grupo no mando. Agora, é "continuidade de um projeto". Olha, caras, estou fora de Oeiras há bem mais de 40 anos.Tudo que consegui na vida, materialmente falando, foi única e exclusivamente por esforço próprio. Mas não guardo nenhuma mágoa da velha terra. É meu berço e aí também existem herois verdadeiros. Guardo na lembrança alguns: seu Terto, Joaquim e Indé Copeiro, João Matos, Lindoro e seu velho pai, Ludgero, João Diogo, pai e filho, e outros. Parabenizo o Junior Viana pelos seus textos, todos muito bem escritos. Mas, não posso fugir de emitir minha opinião como amigo seu e do seu avô Leônidas.

  • Francisco do Vale, Teresina-PI disse:
    Deixado em 16/04/2010 às 20h33

    Com a palavra Rogério Newton!

  • Roosevelt Araújo, Palmas-TO disse:
    Deixado em 16/04/2010 às 09h46

    O problema disso, que outro nome não tem se não maniqueísmo, é que não está restrito aos que se acham os eleitos (talvez até por Deus) a gerirem a cidade. São os de "sobrenome", de que fala o articulista. Os intelectuais de origem humilde (esta palavra vem de "húmus", do solo), envolvidos emocionalmente pelos pais, tios e outros familiares, terminam também tomando partido, ou lado. Teriam importante papel na mudança desse aspecto anacrônico, se ficassem neutros, não se envolvessem emocionalmente. Capitulam por conta de uma "ajudinha" aqui, um "empreguinho" acolá e não vão direto ao "olho do furacão". De uma coisa todos podem ter certeza: "terra de sapo, de cócoras com ele" e, "em terra de cegos que tem um olho é rei".

  • Rodrigo Silva, Teresina-PI disse:
    Deixado em 16/04/2010 às 00h21

    Não sei se estou sendo arrogante,mas...O POVO É BURRO!!(como já disse Luis Fernando Verissimo).A proposta do autor do texto,Jr Vianna, é justamente questionar e discutir essa 'politiquinha' de quinta,desenvolvida em Oeiras.Por meio de metaforas,claro!O que é perigoso,porque muitos só entendem o pé da letra.Em nenhum momento ele deu nome aos 'bois'.O que fez foi um recorte do texto(brilhante) de Rogério Newton,reportando-se a acontecimentos passados que ainda permanecem atuais.Pena que a mente engessada desse povo nao consiga ver a essência do escrito.

  • Junior vianna, Oeiras-PI disse:
    Deixado em 15/04/2010 às 23h33

    Que os homens são filhos de seu tempo isso ninguém pode negar, mas mitificar heróis todos nós estamos facultados, creio que em nenhum momento fui mesquinho em chamar "Heróis sórdidos que a muito tombaram", pois na história não existe verdade absoluta, até por que boa parte dela foi escrita ?via prussiana? pela elite. Estúpido? Seria eu manter uma crendice sobrenatural a homens que na verdade foram pessoas como agente e que fez algo no tempo certo, porque caso contrário outro faria mais adiante, assim ?o passado é lição pra se meditar e não para se reproduzir?. Mesquinho é não acordar a tempo para ser reflexivos, pois, enquanto os tributos e os preitos forem derramados em vão, continuaremos desta maneira, discutindo sem chegar a uma opinião coerente. Aqui no mural da vila, muitos são os comentários passadistas, poxa! Vou deixar de escrever nesse espaço, pois acho que os meus textos não estão sendo compreendidos!

  • ZE GRIGULIM, Teresina-PI disse:
    Deixado em 15/04/2010 às 18h40

    Ja falei varias vezes:
    Oeiras pode ter uma chance de melhorar se colocar em primeiro lugar educação e depois :um silva,pereira,valentim,sousa ou camarço na direção. E,expurgar de vez :sás,carvalhos,tapety,freitas,reis.
    Agora, que o pessoal é cego isso é verdade. Porém, é uma cegueira que exite possibilidade de visão. É ISSO.

  • F. Monteiro Nunes, Rio Verde-GO disse:
    Deixado em 15/04/2010 às 17h52

    Lia todos os artigos de Rogério, no entanto sua face revelada neste, me faz refletir. As entrelinhas de sua "fábula" não dão sustentatação moral ao conteúdo do texto.
    "Heóis sórdidos que a muito tombaram" é uma expressão mesquinha e desreipeitosa para com aqueles que em seu tempo, com suas armas, com seus meios, tornaram possível a existencia desta terra. Se o caro conterrâneo fosse um estúpido eu jamais me manifestaria mas, é uma pessoa favorecida intelectualmente e faz uso desse atributo para atingir que não mas pode se defender.

  • Pedro Silva Costa, Teresina-PI disse:
    Deixado em 15/04/2010 às 10h14

    O texto do Rogério mereceria aplausos se não fosse preconceituoso. Óbvio que fala do B.SÁ - o volumoso ! Porém, agride o íntimo do prefeito volumoso ao falar da sua cegueira, coisa que todo mundo sabe que ele odeia. Não queira, qualquer de nós, ter um olho, fatidicamente, perfurado e depois receber chacotas.

Comentário

Comente


Publicidade Honda Direito
Publicidade Spazzo
Publicidade Construtora
Publicidade Casa do Frango
Publicidade Supermercado Alternativo
Publicidade Lanches e Cia
Publicidade Posto Chico
Publicidade Color system
Publicidade Glamour
Publicidade Café Oeiras