Você está navegando por: Notícias Artigos
Assine o nosso Feed de Artigos

Piauí e Gurguéia: farinha do mesmo cofo. Dividir para dominar

Publicada em 14 de Setembro de 2011 às 00h35 Versão para impressão


* Por Olavo Pereira da Silva Filho

» Siga-nos no Twitter
» Siga no Orkut



Por trás das motivações que se levantam para a divisão territorial do Piauí, emerge essa antiga máxima beligerante do exército chinês, notadamente praticada no império romano.

É no poder de dominação que se vê o intuito de desmobilizar os indivíduos, para depois liderá-los em meio à segregação. Por meio dessa maquiavélica fragmentação da identidade social, a África foi partilhada no século XIX entre um seleto grupo de potências ocidentais.

A indigência crônica do Piauí pode ter outra dimensão política. Mas, exemplos de desmembramentos só servem de escudos aos grupos dominantes. Por quanto desse tipo de apelo anti-social, o separatismo fomenta a criação de facções ativistas aliadas a protetorados políticos. Isso remete à ilusão do inimigo, criado na consciência dominadora. Por tanto, não se pode intempestivamente anunciar a separação como uma prova de amor para com o Estado, porque isso não depende da divisão territorial. Pelo contrário, a estima por um lugar está na consciência de nacionalidade e na apreensão da aldeia global.

Demarcações geográficas podem favorecer a administração política. Contudo, nessa divisão fisiológica muitas indagações merecem respostas dessas lideranças. Em que a gente do Gurguéia se distingue da gente do Piauí ou de suas adjacências? Suas escolas, hospitais, estradas, aeroportos seriam melhores? O povo teria acesso ao conhecimento ou suas universidades se contentariam com a famigerada distribuição de cotas e proliferação de diplomas? Suas paisagens urbanas seriam limpas dos nefastos engenhos publicitários que mascaram Teresina? Seus presídios teriam celas vazias? Suas vias seriam de paralelepípedos e não do antiecológico asfalto que permeia nossas ruas? E os acervos arquitetônicos e urbanísticos seriam preservados? O que seria objeto de valorização cultural? Redenção do Gurguéia remiria para Gurguéia? Como a cara metade deixaria de ser tão miserável quanto o resto do Estado? Se esses minguados anseios fossem afiançados pelo POVO, seria o primeiro a desejar essa separação. Para esses questionamentos, as respostas estão além da simples delimitação territorial. Prescinde a valorização do gênero humano. Exemplos de interdependências, não faltam e aqui mesmo temos um emblemático: Timon - mais que território maranhense é um bairro de Teresina.

Seus articuladores sabem que os problemas da região do Gurguéia não são problemas isolados do Estado, e que não podem ser resolvidos isoladamente. Se as jazidas minerais, pastagens, água, sol, vento, paisagens desse território não são devidamente explorados, certamente, não se pode dizer da falta de ganância generalizada pelo crescimento econômico. Mas, por certo, da nossa própria cultura política.

No Brasil, o crescimento econômico nunca foi sinônimo de felicidade. Sabemos a riqueza econômica dos antigos currais do Piauí se esvaiu para os latifundiários do litoral leste. Quem se beneficiou com a exploração de Serra Pelada? E a Itabira de Drumond? E o pré-sal? Seriam os bens auferidos de possíveis explorações das riquezas naturais do Gurguéia fraternalmente divididos com o resto do Estado? Então, quem se beneficiaria com isso?

Nesse contexto, o plebiscito não deixa de ser uma saída democrática. Reflete a nossa realidade social, o espírito das pessoas, ou a sua falta de espírito. Com isso, se pode mudar o mapa administrativo, mas não o mapa da miséria, da indigência, da indiferença que sombreia esse acontecimento. Seria realmente indispensável? Ou um bom debate nas escolas, instituições e nos meios de comunicação seria mais proveitoso? Quanto vai custar essa consulta? Não seria mais louvável canalizar tais recursos para as casas de caridade?

Separar diz muito: pôr à parte; desunir; desligar; desmembrar; apartar; segmentar; fragmentar; isolar; desagregar; segregar. Por isso vale lembrar: Povo trabalha unido permanece unido.

Estamos na mesma balsa,  em breve domada pelas represas do Parnaíba.



* O arquiteto campomaiorense Olavo Pereira da Silva Filho, autor do livro “Carnaúba, Pedra e Barro na Capitania de São José do Piauhy” – obra que foi publicada, em três volumes, graças ao Prêmio Rodrigo Melo Franco que lhe foi concedido, pelo IPHAN, em 2008 – é um verdadeiro baluarte da luta pela preservação do Patrimônio Cultural e Arquitetônico nos Sertões de Dentro do Piauí. Sua militância, no entanto, é mais abrangente, como se vê .


OBS.: O texto acima foi postado originalmente em "O Berrante nº 4" (de 07-09-2011), newsletter que o autor faz circular na internet



Veja mais notícias sobre Artigos.


Palavras-chaves: piauí - gurgueia
Fonte: Da Redação  |  Edição: Redação Oeiras

Comente através do Facebook

Veja também

Comentários (3)

  • Reginaldo Pires, Teresina-PI disse:
    Deixado em 29/09/2011 às 20h54

    Vixe Maria e Joca não se manifesta?

  • Eugênio Paraguassú, Teresina-PI disse:
    Deixado em 27/09/2011 às 12h45

    Por mais respeito que eu tenha ao livre direito de manifestação de pensamento, direito básico que deve sempre estar presente numa democracia como a nossa, não posso deixar de me opor a esse artigo, que, em nossa modesta opinião, demonstra equívocos em relação à causa pró-Gurgueia. Ora, como afirmar que o POVO do Sul do Piauí não deseja sua emancipação, a separação?! Se isso não ocorre de uma forma mais sensível, certamente é porque tal inércia popular é um problema cultural do povo piauiense, que no geral, é movido por seus políticos...! Muita gente prefere o conformismo, a conhecer a grandeza e magnitude uma causa como a do Gurgueia, que, seguramente, vem para beneficiar todo o Piauí. Gurgueia e Piauí, resumidamente, são divisão de despesas e soma de recursos, e aproveitamento melhor de potencialidades e riquezas, que as duas partes, sem dúvida nenhuma, possuem. Criar o Gurgueia é também reconhecer e corrigir uma dívida histórica que o Piauí e seus sucessivos governos tem com o Sul piauiense e sua gente. A propósito, à medida que aparecerem boas lideranças e empresários investindo mais intensamente na causa pró-Gurgueia (com campanhas de conscientização e mídia) ela ganhará mais dimensão e demonstrará o quanto o povo sul piauiense almeja a criação de seu Estado, do ESTADO DO GURGUEIA, contrariando o pensamento equivocado de quem pensa diferente!!! O povo do Sul do Estado tem sim vontade de que seja criado o Gurgueia, mas já sofre tanto, é tão maltratado e sem coragem, pelo sofrimento e as mazelas que lhe são impostos ao longo dos séculos, que pode passar a impressão de que não tem interesse na criação do Gurgueia...!!! Ledo engano de quem subestima a vontade que povo sul piauiense tem de se libertar do atraso e de aproveitar melhor suas vantagens, a fim de progredir e se desenvolver mais e mais...!!! Não dá para reduzir a causa pró-Gurgueia, também, aos políticos e às classes dominantes, como demonstra o autor do artigo sob comento. O maior beneficiário com a criação de um Estado (ou Município) é o povo, que certamente terá uma máquina administrativa própria para promover mais saúde, educação, segurança púbica, moradia, trabalho e outros benefícios e deveres do Estado para com a sociedade. Caberá ao povo eleger, nesse sentido, os melhores representantes, que estarão mais próximos do povo ? e é bom que se diga, um povo com identidade cultural própria (incluindo o sotaque) em relação ao do Norte do Piauí, no caso do Gurgueia! Conheçam melhor o Sul do Piauí, ao invés de viajarem tanto para as praias do Ceará e para os Lençóis Maranhenses, antes de se posicionarem sobre o Gurgueia, para não fazerem injustiça no plebiscito!

  • Baltazar Dias Monteiro, Teresina-PI disse:
    Deixado em 26/09/2011 às 08h04

    Compadre, tu podias ter vendido esse discurso para outro nortista igual a ti, o Dep. João (escuso-me a chamar de Deus) do PT, pois, ambos são ignorantes das mazelas sofridas durante séculos pelo povo do sul do Estado, agora, querer impedir que sonhemos com nossa independência política, social e financeira, já passa de simples esquizofrênia, ha, o teu curriculo e da troup que estão formando contra a criação do Gurguéia, pode junta-los e.......

Comentário

Comente


Publicidade Passe a Limpo - Gráfica rápida
Publicidade Casa do Frango
Publicidade Caso New
Publicidade Dona Moça
Publicidade Honda Direito
Publicidade Supermercado Alternativo
Publicidade Lanches e Cia
Publicidade Glamour
Publicidade Fio de Prata - Oeiras
Publicidade Color system
Publicidade Engipec
Publicidade Motel Eros
Publicidade Café Oeiras