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Por amor ao Divino

Publicada em 25 de Março de 2010 às 01h28 Versão para impressão


Foto: Adleuza Pacheco Casa do Divino Casa do Divino
* Por Olavo Braz B. Nunes Filho


Após cinquenta dias da páscoa é pentecostes, a festa do Divino. É assim desde os primórdios do homem como hoje somos. As famílias se reuniam para o início da colheita do trigo, principalmente, mas outros produtos também faziam parte do paiol. No início eram os cananeus, hábeis agricultores daquele tempo, depois vieram os judeus, muito mais chegados a criação de pequenos animais, e habitavam as regiões mais inóspitas do conflitado, ainda hoje, oriente médio


O cristianismo incorporou à sua pauta de festividades esta festa universal. Porém, somente no início da baixa idade média, é que, a festa de pentecoste chegou a península ibérica, através da atitude da rainha portuguesa de então, chamada Izabel, que ao perceber a sua família em conflito pelo poder, fez promessa fervorosa para união dos seus, quando pai e filho se digladiavam pelo controle do reino. Ao Espírito Santo ela prometeu grande festa, se pai e filho se abraçassem novamente, como a graça foi alcançada, o culto ao divino Paráclito começou, com coroa e cetro a um menino filho do povo, por um dia, lastreado de esmolas aos mais pobres e muita comida para as comunidades em geral.



Os colonizadores portugueses, os não assassinos e ladrões, certamente, espalharam a festa por onde passavam. E assim, chegou também a Oeiras do Piauí. O historiador Possidônio de Queiroz faz referência de movimentação musical, inclusive, nas fazendas da região de Oeiras. Era algo como a folia do Divino, ainda muito comum em alguns rincões brasileiro, mas em Oeiras, atualmente, é uma festa tipicamente classe média urbana, onde a invocação ao Espírito Santo se faz tanto no mundo da racionalidade, bem como, quando se refere ao corpo místico do Cristo. É o que preconiza o teólogo Leonardo Bolf ao dizer que o Espírito Santo atua especialmente na história, e a história é feita pelas ações das pessoas e de suas instituições, no jogo de projetos políticos e utopias que movem as sociedades contemporânea, que tem também suas estruturas fundamentadas, pelos dons emanados do Espírito, tais como:sabedoria,inteligência,conselho,fortaleza,ciência, piedade
e respeito a Deus. Fora disso, seria com certeza a barbárie, é meu entendimento.



Somente no ano de 2008, em Oeiras, é que apreendi o poder advindo, do culto ao Divino.Tanto no que diz respeito a questão cultural, quanto a espiritual. Encantou-me sobremaneira, as milhares de assinaturas deixadas no livro de visitação. Mas maravilhou-me, mesmo, quando o núncio apostólico romano, jogou-se de joelhos diante da imagem do Divino de Oeiras, e orou por longos minutos, na presença atônita e silenciosa duma pequena multidão que naquela oportunidade, o acolhia como visitante ilustre da cidade. Foi emocionante aquela fração tempo. Prendi a respiração. Como, um intelectual daquela estatura, de cultura refinada,mais do que um pianista qualquer, educado em escolas de reconhecimento universal, habituado aos reluzentes assoalhos do poder temporal e espiritual, se abandonara de tal forma, diante de uma imagem sem rebuscamento artístico? Só mesmo a força do Verbo que se fez homem.



A partir de então procuramos materializar o nosso trabalho como economista, no eixo da economia solidária e popular, incentivando a indústria da arte e artesanato santeira, a produção de imagens, também do Divino, e colecionar algumas das obras, sem exclusão de mestre e/ou aprendiz, hoje organizados em cooperativa, modalidade associativista. A primeira obra captada foi a do Kim, genro do mestre Dezinho, e um a um fomos adquirindo e estimulando a fabricação livre das imagens. Lindíssimas. E por serem de beleza única no mundo da arte santeira brasileira, já reconhecida como patrimônio imaterial por órgão competente, estamos por amor a Oeiras, doando-lhe todo o acervo, que exposto ao público será a partir do dia 25 de março de 2010.


* Olavo Braz B. Nunes Filho, é oeirense, economista com especialização em planejamento econômico e em ciências ambientais.


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Fonte: Da Redação  |  Edição: Lameck Valentim

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Comentários (2)

  • Fátima de Deus, Brasília-DF disse:
    Deixado em 03/04/2010 às 08h08

    Olavo,
    Bendito seja aquele que dividi o pão, o saber, a beleza e principalmente o amor.
    A Casa do Divino é alimento para os homens.
    Sua generosidade e de Bebel em compartilhar beleza, saber e religiosidade fazem de vocês seres humanos especiais.
    A gente quer comida, diversão, arte e espiritulidade, tudo isso é a Casa do Divino.
    Bjs,
    Fátima, Chico, Pedro, Vitor e Otamir (aqui de Brasília, seus irmãos de vida).

  • Cassi Neiva, Oeiras-PI disse:
    Deixado em 02/04/2010 às 01h17

    Prezado Olavo Braz,
    Parabéns pela primazia do texto que vivifica e rememora o Divino Espírito Santo.Você e sua esposa merece o nosso profundo agradecimento pela especial lembrança religiosa que ofertaram aos oeirenses:Galeria Casa do Divino.
    O mundo precisa de homens com coração grande e fervoroso.Continue gigante de espiritualidade e colherá bons e saudáveis frutos existenciais.A festa de inauguração foi linda, foi divina.
    Abraços,
    Cassí Neiva e família.

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