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Sexta - Feira Maior

Publicada em 05 de Abril de 2010 às 00h41 Versão para impressão


Foto: Lameck Valentim Descimento da Cruz Descimento da Cruz
*Por Júnior Vianna



Quando o dia vira noite e o alarido da cristandade silencia, eis ali no adro da Catedral de Nossa Senhora da Vitória o apoteótico “Descimento da Cruz”. Jaz o Cristo! Uma tragédia ou um espetáculo? Diria! Uma tragédia milenar que dramaticamente se transformou em espetáculo na secular Oeiras. Assim, sob o olhar atento dos fieis, os Freitas retiram do madeiro a imagem dependurada efetivando desta forma na Sexta- Feira dita Santa, mais uma procissão a percorrer as ruas e becos, desta vez ao som dolente da matraca que compassadamente exterioriza o sofrimento litúrgico.

Junto aos fieis vai Maria Béu, nossa Verônica, que do latim ganhou a popular denominação. Lamuriante exorta em seu cântico a dor e expõem aos caminheiros na replica do Sudário a face de Jesus. Lamenta alternadamente, ora no latim arcaico, ora no português nosso de cada dia. Durante o percurso são ao todo sete paradas, uma desta é justamente em frente à casa que residiu o Visconde da Parnaíba, será que ate mesmo nas festas religiosas interferiria o velho Né de Sousa Martins? Uma dúvida pertinente... Uma certeza que se desfez com o passar dos anos. Sem entraves a procissão segue seu rumo ao som também dos acordes da Banda Santa Cecília, que entoa marcha fúnebre que muito faz lembra um tango argentino pela sua cadência musical.

Debaixo do palio roxo vai à imagem do Senhor Morto, levado pela oeirensidade penitente, por homens que herdaram de seus antepassados o catolicismo provinciano. Procissão que outrora foi patrocinada pela irmandade do Santíssimo Sacramento, porém findou-se a tal a confraria, mas a tradição perdura pelo bem querer dessa gente. Desta vez Zé de Helena não carregou o tamborete de Maria Béu, a sua fragilidade humana o impede, mas foi substituído a altura por Miguel de Jerônimo, coincidência ou não, ambos irmanam na mesma fé em Cristo.

A procissão delineia-se pelas ruas do centro-histórico, na antiga Rua do Izidro duas paradas, uma desta virada para Rua do Fogo, onde Expedito imortalizou Juca que após muitos anos encontrou em Cristo o caminha certo e abandonou o caminho da loucura. A procissão passa, mas fica miticamente a certeza que a Santa do Pescoço Fino não quebrou o seu pescoço. È sem dúvida um misto de sensações, um dia de encantamento e de muitas narrativas. Na frente na Casa das Doze Janelas mais uma parada, mais uma vez lamenta a Maria Béu, onde discretamente os filhos de Oeiras cantam o seu lamento e encantam os quem vem à cidade acompanhar a monumentalidade cristã desse povo.


Finaliza-se a procissão do Senhor Morto no adro da Matriz onde os oeirenses cumpriram mais um rito de passagem e depositaram toda a sua esperança no Cristo que não tardara ressuscitar. Finda mais uma manifestação sacra, mas permanece o desejo de vivê-la novamente, por isso que Oeiras é o grande destino de muitos durante a Semana Santa.


* Júnior Viana é historiador


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Fonte: mosaicodavila.blogspot.com  |  Edição: Milena Palha

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Comentários (10)

  • Fernanda, Oeiras-PI disse:
    Deixado em 16/05/2010 às 21h24

    Quem retirou Jesus da cruz não foram os "Freitas" e sim José de Arimateia e Nicodemos. Concordo com o Senhor Pedro Silva Ramos, ou seja, deveria ser feito o revezamento das pessoas que participam da semana santa, pelo que eu sei, há até brigas pra se carregar o andor de Bom Jesus. Seria Justo que houvesse um sorteio entres as pessoas interessadas em participar. Boa Sugestão.

  • Altamiro guedes, São Luís-MA disse:
    Deixado em 15/04/2010 às 18h27

    A semana santa em OEIRAS sempre foi linda e sempre sera eu fui só passa a semana santa ai pq gosto muito...
    logo logo estarei de volta a minha querida Oeiras...

  • Antonio de Freitas Silva, Chaval-CE disse:
    Deixado em 09/04/2010 às 18h08

    O que consta de ferino no meu comentário? Só expressei o que vem se repetindo pelo historiador desde o ano passado.
    ?Saber ler e escrever não é o fim da educação, sequer o início.?

  • João Francisco Leal, Oeiras-PI disse:
    Deixado em 09/04/2010 às 08h53

    Não acredito que a família Freitas tenha brasão, se descendem de um padre.Não vi ninguém fazer críticas ao texto. Outra, todo mundo sabe que aspas servem pra realçar, sobretudo mensagens ou lema, mas nunca vi alguém referir-se a sobrenomes colocando aspas. Já pensou aqui em Oeiras falar-se nos "Barbosas", "Nunes", "Sousa Martins" etc. Vejo falar que determinada pessoa descende da família tal. Acabou aquilo de família legítima ou natural. Antigamente é que se dizia, "fulano é filho legítimo de beltrano". Ou então, "fulano é filho natural etc.". O mais é "conversa pra boi dormir". Será que elas, neste caso, estão colocadas de forma correta?

  • Milena Palha, Fortaleza-CE disse:
    Deixado em 08/04/2010 às 21h11

    Vendo os comentários ferinos postados contra o querido historiador nesta matéria tão bela, lembrei-me de uma passagem do livro "Minutos de Sabedoria" em que Pastorino compara: "As abelhas buscam as flores no meio de um pântano. As moscas bucam as chagas, num corpo inteiramente limpo."
    Caro amigo Júnior, pode ter certeza de que a maioria das pessoas entendeu suas intenções e não as maldou. Seu texto está maravilhoso e as pequeninas aspas, já retiradas (por sua manifesta vontade) não interferiram em nada no seu brilhante conteúdo! Parabéns pelo texto!
    Abraços!

  • Junior Vianna, Oeiras-PI disse:
    Deixado em 08/04/2010 às 19h35

    Quando as aspas fazem a diferença
    Quando coloque as aspas no sobre nome Freiras em nenhum momento quis explicitar que os mesmo eram falsos, muito pelo contrario, quis destacar o quando é importante a heráldica participação deste nessa cerimônia religiosa. Quanta maldade! Que se tirem as aspas, que se faça a concórdia e que faça valer a verdade! A Oeiras vida longa, aos Freitas a permanecia da tradição e aos leitores atenção e boa interpretação nos texto vindouros

  • Antônio Pereira, Oeiras-PI disse:
    Deixado em 08/04/2010 às 09h07

    Pelo que escreveu, esse Pedro da Silva Ramos deve ser ligado aos Freitas de Floriano, que são os mesmos aqui de Oeiras. Concordo com ele, plenamente. Imagine se o bispo ou o padre João de Deus vão se preocupar em procurar alguém, que não seja de uma determinada família, para auxiliar nas festas religiosas aqui de Oeiras. Concordo que quem deseja tirar a imagem do senhor morto da cruz, na semana santa, que se habilite.

  • Pedro da Silva Ramos, Floriano-PI disse:
    Deixado em 07/04/2010 às 10h46

    Bem, Antonio, você tem razão em parte. Ao colocar o sobrenome Freitas entre aspas, o articulista deixa transparecer que existem outros, e que os citados são falsos. Essa coisa deles, os Freitas, participarem, há anos, das cerimônias da Semana Santa de Oeiras, tem uma explicação. Vem do tempo em que era vigário o padre José Dias de Freitas, a partir da metade do século XIX. Como ele tinha muitos filhos (temos agora outro exemplo, o do bispo que é presidente do Paraguai), estes o ajudavam em todas as cerimônias, como carregar as imagens nas procissões, além do descimento da cruz. Não deixavam o padre, sobretudo quando ficou velho, só. Aí, à medida que iam falecendo, passavam a incumbência para os filhos, quase como uma promessa, até chegar aos dias atuais. Penso que, se existem pessoas que gostariam de participar das cerimônias, direito que lhes assiste, deveriam formar uma comissão e pleitear, junto ao bispo, a alternância dos carregadores das imagens, bem assim dos que retiram o Cristo da cruz. Como se faz com a Maria Beú, que muda a cada ano, a paróquia faria uma seleção de interessados em participar efetivamente das ações litúrgicas da Semana Santa de Oeiras. Seria de inteira justiça. Fica a sugestão.

  • Antonio de Freitas Silva, Chaval-CE disse:
    Deixado em 06/04/2010 às 15h40

    Junior, na próxima semana santa você devia se candidatar junto as autoridades da igreja em Oeiras para representar, ou melhor, retirar do madeiro a imagem do Senhor Morto. Todos os anos você se incomoda com os Freitas - ( da forma que voce coloca o sobrenome Freitas entre aspas, dá entender que os que retiram o santo são falsos. Quem são os Freitas verdadeiros?). E porquê dessa implicância toda?

  • carmilson soares, Colônia do Piauí-PI disse:
    Deixado em 05/04/2010 às 11h14

    foi lindo a semana santa em oeiras

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