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'Sou um cara que deu certo', diz Netinho de Paula

22 de Setembro de 2010 às 10h26 Imprimir

José de Paula Neto, 40, se considera "um cara que deu certo". Empatado com Marta Suplicy (PT) na disputa pelas duas vagas de São Paulo ao Senado, o vereador Netinho de Paula (PC do B) rechaça a possibilidade de ocupar uma posição secundária.

"Não vim para ser o segundo", afirmou na única entrevista que concedeu desde que ascendeu à liderança nas pesquisas.

Instado a falar sobre como pretende pautar sua atuação no Senado, desconversa com uma resposta genérica: diz que pretende "dialogar".

Criticado por adversários por ter batido em sua ex-mulher em 2005 --o que gerou um processo que mais tarde resultou em acordo--, Netinho diz que isso o tornou o maior "dos feministas".

Leia trechos da entrevista.



FOLHA - O sr. tem passado muito tempo com o senador Aloizio Mercadante, candidato do PT ao governo de São Paulo. Essa proximidade com ele tem lhe ajudado?

NETINHO DE PAULA - Primeiro, a gente percebe que o processo legislativo é igual no país inteiro. O que acontece na Câmara [Municipal de São Paulo] na condução das comissões é muito semelhante com o que acontece no Senado.

É claro que o volume de trabalho e as discussões do Senado são muito mais intensas. Então, estar ao lado de uma pessoa que nos últimos anos foi líder do governo passa muito conhecimento.

Ele é uma pessoa muito generosa, tem sido muito companheiro, inclusive nas condições da minha campanha, que é uma campanha sem recursos. E ele desde o início achou que era positivo que uma figura popular pudesse ter abertura e ser encarado como candidato ao Senado.

Diferente de outras pessoas, ele parou para ouvir o que eu pensava sobre o país, o que eu achava que a gente podia fazer pelo nosso Estado e, a partir desse momento, criou-se uma grande amizade. Eu também tenho muito prazer de estar onde ele está, não é só ele que faz questão que eu esteja. É uma parceria que deu muito certo.

Aparentemente há uma parceria maior do senhor com o Mercadante do que dele com a Marta Suplicy (PT), que concorre ao seu lado ao Senado.

Eu não sei analisar. A história deles de militância é anterior à minha chegada. Mas todas as vezes que estamos juntos o nosso modo de agir, de pedir votos, é de um time.

A Marta sempre foi comigo muito cordial, sempre foi muito gentil. E eu tento retribuir da mesma forma.

Há cerca de um mês circulou na internet um vídeo que utilizava uma paródia do seu jingle de campanha para prejudicar a sua imagem, vinculando o senhor a episódios como a agressão à sua ex-companheira em 2005. Esse vídeo foi divulgado por um coordenador político da campanha da Marta. Como o sr. reagiu a isso? A Marta é sua aliada, ou sua adversária?

Olha, eu não tive tempo de reagir a isso. Antes de o assunto chegar na imprensa a Marta me ligou dizendo o que tinha acontecido, disse que o que o rapaz tinha feito não era para acontecer daquela forma, e que não deixasse que a nossa relação estremecesse por causa daquele episódio. Nada na minha vida foi fácil, então eu tenho que acreditar no que as pessoas falam e eu acreditei.

Isso para mim é um fato superado. Eu já tive com esse rapaz em outras situações. Acho que deve ter feito [a divulgação do vídeo] involuntariamente. Isso não mexeu com os meus eleitores, não mexeu com a minha campanha. É uma tentativa muito mais, talvez, de mexer com a minha honra, mas o carinho que eu tenho encontrado nas ruas é que tem me dado força para fazer campanha.

O namorado da Marta, o empresário Márcio Toledo, se reuniu com o ministro do Esporte, Orlando Silva Jr., que é do seu partido. Conseguimos apurar que foi uma conversa difícil, e que Toledo teria dito que há uma guerra interna no PT, entre Marta e Mercadante e que o senhor teria escolhido o lado errado. Como o sr. vê a interferência do Toledo na campanha e como o sr. reagiu a essa conversa dele com um dirigente do seu partido?

O Márcio também sempre foi uma pessoa cordial. Tivemos juntos em várias situações no Jockey, como vereador, em várias situações.

A conversa dele com o ministro se tratou mais de uma posição política, de uma visão superior da política, não interna, até porque ele não é filiado aos partidos. Portanto, eu não levei muito em consideração o fato dele dizer que eu optei pelo lado A ou pelo lado B.

A minha postura desde o início da campanha foi de pedir votos para mim e também para a Marta, minha companheira de chapa. Todos os outros detalhes, se há algum tipo de divisão, de incoerência na relação [entre Marta e Mercadante], eu acho que isso tem que ser tratado dentro do PT e não comigo.

Eu não participei dessa conversa, e continuo fazendo a minha campanha sem me abater com nenhum tipo de comentário. A militância do PT têm sido comigo muito companheira. Os deputados federais, os estaduais... de maneira geral. Pode haver um ou outro que não tenha carinho ou que não concorde com a ideia, mas a grande maioria tem agido comigo de maneira profissional.

Nós estamos trabalhando juntos em prol de um projeto. Eu desconheço essa divisão. Eu acho que ela existe quando eles estão disputando algum cargo e esse não é o caso, nós estamos disputando juntos por uma chapa. Acho que é um equívoco de tentar criar uma disputa interna.

Uma parte do PT, inclusive ligada à Marta, acredita na possibilidade de o Aloysio Nunes, candidato ao Senado pelo PSDB, chegue a 30%, 35% dos votos, e consiga desbancar uma das duas candidaturas da chapa petista. O sr. também tem percepção?

Absolutamente. Nós estamos fazendo uma campanha boa, uma campanha vitoriosa. Acho que a campanha do Aloysio Nunes também é uma boa campanha, é a campanha que mais tempo de televisão tem, mas o povo já vem se manifestando.

Acho que é a primeira vez que a gente tem duas candidaturas do mesmo campo com condições reais de serem eleitas, e eu acho que o nosso trabalho é para isso. Para que as duas candidaturas se efetivem. Não tem motivo de ficar preocupado com o que vai acontecer do lado de lá, se nós vamos perder uma vaga ou outra. Se nós temos chances de eleger dois, o time tem que se unir e trabalhar para dois. O [presidente] Lula tem dito isso. Desde as primeiras pesquisas, ele ficou feliz com a possibilidade.

Geralmente, aqui no Estado, lançam uma candidatura forte e uma outra que chamam de segunda candidatura. Eu não entrei para ser segundo. Eu sempre acreditei que poderia ser senador, sempre acreditei na minha capacidade, sempre acreditei no meu povo e to colhendo isso nas pesquisas. Eu tenho trabalhado desde o início acreditando que existem duas primeiras candidaturas e que o povo possa decidir quem acha que é o melhor.

O senhor sempre quis ser senador? Na sua primeira entrevista após a eleição para vereador o senhor disse que a meta era ser senador. Por que essa predileção pelo Senado?

Porque eu sempre achei que o Senado era uma Casa extremamente conservadora, sempre achei que o Senado não poderia servir de aposentadoria honrosa para políticos que já passaram por vários estágios e que querem encerrar sua carreira.

Eu acho que o senador tem que ter disposição para trabalhar, para dialogar, para entender as dificuldades que o Estado enfrenta e, em alguns momentos, inclusive, fazer a junção entre prefeitos e governador, quando não há diálogo; entre o governador e o presidente da República.

Essa é a função do Senado. Trazer recurso para o seu Estado, dialogar, conversar, ter disposição. E acho que nós perdemos um pouco o sentido disso no Senado. Talvez, muito em função de escândalos que aconteceram, o povo acabou se distanciando muito do Senado. Isso também se refletiu nessa eleição.

A última candidatura que as pessoas prestam atenção é a candidatura de senador. Há quase 15 anos eu tinha esse planejamento. E você disse bem: quando eu fui eleito [vereador] eu não enganei o povo de São Paulo, eu disse que queria ser senador.

O senhor já deu declarações em que afirma querer ser presidente da República...

Não, não. Eu não disse que quero ser presidente da República. Perguntaram se eu sonhava em ser presidente, e eu respondi que ser presidente é mais do que querer, é a arte de fazer com que queiram. Então com o tempo, e à medida em que você vai cada vez mais se politizando, criando relações políticas, tratando de assuntos delicados e mostrando sua capacidade de interlocução com vários campos políticos, isso pode acontecer.

O Senado é uma Casa, como o senhor disse, conservadora. Abriga ex-presidentes da República, ex-governadores, nomes estabelecidos na política. Como o senhor acha que vai ser recepcionado? Acha, por exemplo, que pode haver preconceito pelo senhor ter sido cantor de pagode?

Acho que vou ser recebido como sempre fui. Sempre visitei o Senado, tenho relação com vários senadores, inclusive com o senador José Sarney [do PMDB, presidente da Casa], que sempre foi comigo de muito bom trato, muito gentil. Acho que o respeito a gente conquista.

Eu não chego no Senado com medo do que há. Chego no Senado como o senador do maior Estado do país, e que eles respeitam pela minha carreira artística, pelo meu passado como músico e por ter sido eleito, caso seja, por milhões de paulistanos. Então não tenho nenhum temor de falar o que eu penso, de poder usar dos microfones, discutir, questionar, de entender o que está acontecendo lá dentro.

O senhor está preparado para deixar de ser o mano Netinho e passar a ser chamado de vossa excelência no Senado?

Eu vou ser sempre o Netinho da galera, do gueto, do povo, independente de onde eu esteja. Eu tenho muito orgulho do que eu sou, de onde eu vim. Quem quiser me chamar de vossa excelência será tratado do mesmo modo de quem me chamar de mano Netinho, mano senador.

Uma discussão que vai acontecer no Senado, até por pressão do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, é a questão dos limites de financiamento. A cidade de São Paulo não pode contrair novos financiamentos porque está acima do limite. O sr. defende a renegociação do contrato?

Você vai ver no discurso de quase todos os candidatos a senador neste questionando muito o Fundo de Participação dos Estados. Essa questão é um debate bem mais amplo do que a gente querer simplesmente, porque isso mexe na Constituição, isso vai de entendimentos que a gente vai tentar fazer.

Eu acredito ser uma pessoa de entendimento, de ouvir, de propor, e eu quero o melhor para nosso Estado e quero o melhor também para nossa cidade. O que eu puder fazer para ampliar esse leque dos empréstimos de São Paulo a gente vai tentar fazer.

O Mercadante foi um senador que batalhou muito pra isso também. Os empréstimos que o Estado adquiriu junto ao governo federal, todos eles, de uma certa forma, o Mercadante participou. Ele não deixou de participar, de opinar. Eu pretendo ser da mesma forma. Eu não vou ser diferente de nenhum senador que defende o interesse de seus Estados.

O que acontece é o seguinte: eu tenho que estar convencido de que aquele empréstimo que está sendo tomado e a bem da maioria da população. Não pode ser um empréstimo porque privatizaram sem conversar, sem dialogar, e estão com o caixa devendo. E muito disso que aconteceu aqui no Estado foi isso: privatizaram e ficaram sem um fundo de financiamento para tratar de situações, por exemplo, de moradia, de infraestrutura.

O problema do contrato do município de São Paulo é que, no final da gestão Marta, a prefeitura deixou de fazer uma amortização de 20% do valor do contrato e agora o Kassab faz uma pressão para fazer uma renegociação, que demanda uma mudança na lei. Isso tem de ser feito?

Eu tô dizendo pra você que isso não é só o Kassab. A maioria das prefeituras tem esse tipo de problema com o governo federal. É função do senador intervir para ver que lado que pode ser mais manso nessa negociação.

Acontece que você amortizar uma dívida, não é só porque você quer. Você tem que ver como você vai deixar de contribuir como você contribui mensalmente. Por isso que o Fundo de Participação dos Estados pode intervir na negociação da mobilização das dívidas.

O governo do Estado, se ele estiver com caixa forte, pode intervir no empréstimo. Ele pode fazer essa interlocução, não precisa ser necessariamente o governo federal. Quando não há diálogo, e é o que aconteceu com o Estado de São Paulo, a prefeitura e o governo do Estado ficaram eles conversando entre eles e cortaram o diálogo com o governo federal. É isso que aconteceu. A minha função é reabrir esse diálogo.

O Estado de São Paulo deu o Banespa para amortizar a dívida e a prefeitura não deu nada, por isso paga juros maiores. O sr. acha que é possível renegociar o contrato?

Eu acho que é possível, mas você tem de ouvir os dois lados, por que o governo federal está sendo intransigente e por que a prefeitura chegou nessa situação.

O sr. é vereador, aprovou dois Orçamentos da prefeitura, acompanhou essa discussão.
Aprovei o Orçamento duas vezes. Eu acompanhei, discutimos muito sobre isso, faço parte da comissão de Justiça, os projetos passaram por lá. O José Police Neto, líder do governo, teve um amplo debate comigo e com o vereador Jamil Murad também.

Agora, a situação de São Paulo não é a pior das situações que a gente tem, não. Nós temos prefeituras com situação muito pior. Nós temos prefeituras como Carapicuíba, Francisco Morato, prefeituras que não conseguiam sequer acessar linhas de crédito pra nada. Não era para amortização de dívida. Nem para conseguir benefícios, convênios com Secretaria do Esporte, pudessem acontecer. Estava completamente parado. Vai da negociação isso, do seu poder de convencimento, de amostra também. Você tem de ser transparente nas suas contas, nos seus projetos.

Uma das questões que o sr. vai discutir quando chegar lá será uma MP do presidente que flexibiliza as regras para fiscalização das obras da Copa de 2014. O que o sr. pensa sobre isso?

Isso já vem sido discutido. O ministro Orlando Silva intensificamente tem ido ao Senado e também na Câmara dos Deputados debatendo isso com os deputados.

A agência reguladora que vai estar tomando conta de todos os investimentos da Copa deve sair agora para o próximo mês, o ministro deve assumir já a conclusão dessa agência, onde tem todos os orçamentos, tem tudo. Isso foi amplamente discutido com todos os deputados, uma das poucas coisas que a gente teve consenso.

O ministro teve um papel aí. Ele aliviou a vida de muitos governadores, porque ele conseguiu de maneira igualitária defender os interesses dos investimentos nas cidades que vão receber jogos.

Mas vai haver uma flexibilização das regras. O TCU vai perder os parâmetros de fiscalização...
O TCU não vai perder poder de fiscalização, isso não é verdade. O que o TCU vai fazer, nesse caso, é entender que o regime de urgência que a gente tem para poder construir as coisas no prazo correto, senão a gente vai infringir o contrato com a Fifa, por exemplo, eles sabem que vão ter de ter uma flexibilização no modo de vistoria, mas ele não vai perder poder nenhum de fiscalizar.

Ele continua podendo fiscalizar, mas ele não tem parâmetro. Como ele vai dizer se a obra foi superfaturada se ele não tem parâmetro?

Como não tem parâmetro? De onde tiraram isso?

Tinha uma tabela de preços e as empresas que farão obras da Copa estão livres de usar essa tabela de preços.
Essa informação não é verdade. O que está correto é o seguinte: o TCU tem um acordo de flexibilizar o prazo das construções das obras. Você trabalha com uma tabela que é padrão, o governo trabalha, o PAC com uma tabela que é padrão de construção.

O que acontece é que neste momento, para que as obras fiquem prontas, os erros vão acontecer e o TCU vai ter de tentar intervir de uma outra forma, não como ele agiu, por exemplo, com o PAC.

Com o PAC, o TCU teve de ser muito rígido com os índices, com os valores contratados. Para que a gente possa cumprir os prazos das obras para a Copa do Mundo o TCU entende que ele vai ter de flexibilizar. Mas não é perder o parâmetro de tabela. As construtoras vão ter de justificar onde elas estão gastando, por que gastaram, se foi a mais, o por quê. É essa tolerância que o TCU está dando agora e que não deu, por exemplo, nas obras do PAC.

O sr. acha que é viável ter tolerância com o mau uso do dinheiro público?

Quem é que vai responder pra você que é viável ter tolerância com o mau uso do dinheiro público?

O sr. disse que é preciso ter tolerância.

Eu não falei isso. Desculpa, você entendeu errado, como a grande maioria da imprensa sempre entende errado as coisas que a gente fala. Eu disse que o TCU entende que o nosso prazo para construir as obras da Copa do Mundo está muito restrito. Então, o método que ele vai usar vai ser outro. Eu não disse que o parâmetro que ele vai usar é um que não é o mesmo que ele vai usar pelo PAC. A rigidez do TCU é que vai ser diferente por entender que precisa ser construído mais rápido. E por construir mais rápido podem acontecer equívocos. Mas, de maneira alguma, nem o presidente, nem a Dilma, ninguém ia autorizar não haver regulamentação, não ter um critério de construção.

O sr. está dizendo que o TCU vai ser mais ágil, mas não menos rigoroso?

Exatamente.

Se tiver alguma outra coisa na MP, o sr. defende que seja modificado?
Que seja modificado.

O sr. aceita só prazos?

Só prazos.

Falando de assuntos mais polêmicos, o sr. é a favor da legalização da maconha?

Não, não sou a favor da legalização da maconha.

Isso pode ser uma discussão no Congresso.

Pode ser. Eu nunca fui [a favor da descriminalização da maconha].

E do aborto?

Também não. Pra mim, o aborto é uma questão de saúde. Eu não consigo tratar o aborto como uma questão religiosa. Por exemplo, eu sou batista. Meu segmento de igreja é totalmente contrário. Eu, Neto, entendo diferente. Eu acho que todo mundo é contra o aborto. Não acho que exista uma situação em que a pessoa é a favor do aborto. Existem circunstâncias que levam à questão do aborto, e o aborto tem que ser tratado como saúde pública.

Se no Senado, em uma discussão acalorada, acusarem o sr. de agressão contra a mulher, como o sr. vai tratar?
Eu vou dizer que eu me tornei o mais feminista dos feministas. Eu acho que a gente nunca teve no Brasil, em uma campanha para o Senado, a Lei Maria da Penha citada tantas vezes, e eu acho que isso foi um ganho para o movimento feminista, porque, perante o povo, perante à sociedade, nos últimos cinco anos da minha vida eu já havia me desculpado várias vezes, eu disse que foi um erro. A minha companheira mesmo já disse isso. Temos uma ótima relação.

Agora, eu acho que o movimento feminista no Brasil ficou em destaque nessa campanha para o Senado em função da agressão. Eu sempre trabalhei muito com mulheres, seja na música ou até mesmo na televisão, no dia de princesa", e essas pessoas sabem que eu não sou um agressor, sabem que eu sou contra esse tipo de violência com a mulher, tal. E o que aconteceu foi uma coisa muito pontual e que eu sempre me arrependi muito. E que depois desse arrependimento isso virou uma bandeira. Por onde eu passei eu nunca fugi desse assunto, eu sempre chamei essa discussão para que as pessoas pudessem analisar, a ponto de levar a Maria da Penha no meu programa pra falar sobre isso. Eu acho que isso não vai acontecer no Senado, não. Pelos e-mails que eu recebo de senadores, pelos amigos que a gente tem, eles têm muito respeito por mim.

Nas discussões acaloradas do Senado as pessoas falam coisas que não deveriam falar ali. Há muita baixaria.
Eu acho que pode acontecer, pode haver destemperamento no calor das discussão, mas isso não deve sair do parlamento. Isso é do parlamento, ali é o lugar para discussão mesmo.

O candidato Aloysio Nunes tem martelado, ainda que sem citar o nome do sr., essa questão da agressão. E na campanha suja da internet tentam colar no sr. a imagem de uma pessoa agressiva. Como é que o sr. reage? O sr. se considera tranquilo?

Me considero uma pessoa tranquila. Os fatos pessoais da minha vida são questões já superadas. Não só pra mim, acho que para o povo também. Acho que cada vez que ele [Aloysio Nunes] fala isso de mim as pessoas que gostam de mim devem ficar chateadas com ele. Acredito que até por isso ele parou.

O sr., quando fez um acordo com sua companheira, em 2005, pediu para não arcar com as custas do processo e se declarou uma pessoa pobre. Em 2008, o sr. declarou um patrimônio milionário, cerca de R$ 1,4 milhão. Agora, seu patrimônio está em R$ 193 mil. Afinal, o sr. é um homem milionário ou é uma pessoa pobre?

Eu sou um cara que dei certo na vida. Não me considero um cara milionário, também não me considero um cara pobre. Me considero um cara trabalhador e um cara que as minhas rendas, a população sabe de onde veio, diferente da grande maioria das pessoas que estão disputando a eleição este ano no Brasil.

Vem da música e do trabalho na televisão?

Exatamente.

Como é a sua relação com o Negritude Jr. hoje?

Praticamente não tem mais. Desde 2000 não os vejo mais. Eu sei que eles continuam tocando, tal, a gente nunca mais se falou. Cada um seguiu sua vida. Quatro anos depois que eu saí eles receberam de um músico um processo em que eu tive que ser solidário mesmo não estando mais no grupo, mas não temos mais relação. Talvez seja só saudade mesmo.

O sr. tem saudade? Eles disseram que fazem o possível para desvincular a imagem da banda do sr., até porque o sr. saiu da banda e eles passaram por dificuldades. E o sr. está usando uma música que foi consagrada pela banda como jingle de campanha. Tem um constrangimento pelo sr. saber que eles querem desvincular sua imagem do nome do grupo e o sr. usando na campanha eleitoral canções que foram feitas quando o sr. ainda estava lá?

Eu não acho que o Negritude queira desvincular, porque é impossível. Os grandes sucessos do Negritude foram cantados por mim. Eu não tenho motivo para desvincular. Eu amo todos, tenho o maior carinho por todos até hoje. Não fui eu que saí, fui convidado a me retirar, e a minha vida seguiu, deu certo. Eu não tenho do que reclamar. Acho que segui um caminho bom pra mim.

Quanto às músicas, é importante que entenda que o jingle da minha campanha é uma música que é minha, fui eu que fiz. Então, não tenho sentido nenhum para ter constrangimento. Jamais poderia falar: vocês estão proibidos de cantar música minha. Isso não existe, não é prática normal. O Negritude continua tocando, é um grupo que tem um nome muito forte, continua seguindo a vida dele, e eu sigo a minha vida, sem nenhum tipo de ressentimento, muito pelo contrário. Eu tenho muita saudade de todos os momentos que a gente viveu junto, tenho muito amor por todos ali.


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Palavras-chaves: Netinho - Senador
Fonte: Folha  |  Edição: Redação Oeiras

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