Uruçui ganha a primeira fábrica de adubos do Piauí

Publicada em 04 de Abril de 2011 às 15h11 Versão para impressão


 Considerado a principal fronteira agrícola dentro da região conhecida como Mapito (Maranhão, Piauí e Tocantins), o Piauí ganha no mês que vem sua primeira unidade misturadora de adubos. Por trás do investimento, de R$ 5 milhões, não está qualquer tradicional nome internacional do setor, e sim a Ribeirão S.A., do agricultor gaúcho José Carlos Gorgen. A nova fábrica fica em Uruçuí, principal centro do agronegócio piauíense, e terá capacidade para misturar 100 mil toneladas de adubos por ano. A unidade será maior do que a misturadora de 70 mil toneladas da Ribeirão em Balsas (MA), sede do grupo agropecuário fundado em1979.

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Gorgen e o pai saíram de Não-me-toque (RS) em busca de terras baratas. “Há terras aqui que foram compradas a um preço por hectare de meio saco de soja e que hoje valem 120 sacos”, diz o produtor, queé conhecido e se apresenta como Zezão. Apenas a título de comparação, uma boa fazenda em Não-me-toque ainda custa muito mais: até 700 sacas por hectare produtivo.

Histórico
A primeira fazenda da família no Maranhão, de 1,3 mil hectares plantados, foi comprada pelo preço de um caminhão médio. Hoje, Gorgen comanda uma empresa rural que fatura R$ 123 milhões, com 38 mil hectares plantados, sem contar outros 9 mil hectares cultivados nas mesmas terras na safrinha. Mesmo bem-sucedido, o empresário não perdeu o jeito simples. Come de colher no refeitório de suas fazendas, em vez de sujar a cozinha das sedes. São esses hábitos que explicam algo de seu sucesso, já que a aversão ao luxo permitiu que boa parte dos lucros fosse reinvestida na empresa.

Diversificação
Com o ganho de escala, a decisão do produtor foi verticalizar o negócio. Foi em uma decisão assim que Gorgen criou sua própria misturadora de adubos, em 2000, após ter dificuldade em garantir seu suprimento de fertilizantes. No ano seguinte, sua misturadora passou a prestar serviço para a Cargill e, no terceiro ano, ele começou a vender fertilizantes diretamente para outros produtores. No ano passado, a Rbeirão importou 113 mil toneladas de matéria-prima para fertilizantes. Hoje o grupo possui ainda uma revenda de agrotóxicos e comercializa a produção de clientes que pagam o adubo com grãos. O próximo passo, após a nova misturadora entrar em operação no Piauí, é ser sócio de um terminal portuário para exportar diretamente a produção. A Ribeirão é sócia em um consórcio criado para disputar a licitação de um terminal graneleiro no porto do Itaqui, ao lado de Bunge, Cargill, Ceagro e Algar. A licitação foi suspensa,mas o consórcio permanece.
Veja mais notícias sobre Uruçui.


Fonte: Luiz Silveira / Valor Econômico  |  Edição: Patrick Ernandes
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