Um caso de agressão registrado na noite de 20 de julho, em um bar localizado nas proximidades do CAIC, no bairro Jureminha, em Oeiras, é investigado pela Polícia Civil. O episódio envolveu Maura Neves Carvalho Araújo e Juliana Aparecida Vieira Nunes. O Portal Mural da Vila ouviu as duas envolvidas e apresenta nesta reportagem as versões de ambas sobre o ocorrido, além dos desdobramentos judiciais do caso.
A versão apresentada por Juliana
Segundo Juliana Aparecida Vieira Nunes, em relato prestado à Polícia Civil, a discussão ocorreu por volta das 22h30 e teve origem em desentendimentos relacionados à ciumes ao seu vínculo com José Nilton, padrasto de Maura Neves Carvalho Araújo.
De acordo com seu relato, registrado no auto de prisão em flagrante, Maura teria quebrado uma garrafa de vidro e tentado atingi-la com o gargalo na região do pescoço, sendo contida por José Nilton. Juliana afirma que, em seguida, foi agredida com socos e chutes, inclusive na região do estômago, atingindo o local de uma cirurgia bariátrica, chegando a perder os sentidos. Ela foi socorrida e encaminhada para atendimento na Unidade de Pronto Atendimento (UPA).
Juliana na tarde da quarta-feira, 22, registrou um Boletim de ocorrência em desfavor de Maura Neves por ameaças. Segundo a mesma, Maura estava lhe fazendo ameaças de morte. Ela também afirmou que sente tonturas o dores devido as agressões.
A versão apresentada por Maura
Ao Portal Mural da Vila, Maura Neves Carvalho Araújo afirmou que os acontecimentos ocorreram em um contexto de luto pela morte da mãe, em 19 de maio, recuperação de duas cirurgias e conflitos familiares.
Segundo ela, poucos dias após o sepultamento da mãe, seu padrasto lhe fez um pedido de casamento. Maura relata que procurou orientação jurídica e compartilhou o episódio com Juliana por acreditar que podia confiar nela.
Ainda conforme sua versão, a relação entre as duas mudou a partir desse momento. Ela afirma que passou a enfrentar comentários, atitudes e situações que considera prejudiciais à sua imagem, mesmo após pedir que os conflitos cessassem em razão de seu estado físico e emocional.
Maura relata que, posteriormente, passou a ver Juliana e José Nilton juntos em público. Em um desses encontros, questionou os dois sobre um possível relacionamento e sobre o motivo de terem negado essa situação anteriormente. Segundo ela, a discussão se intensificou e houve agressões físicas entre ambas.
Na manifestação encaminhada ao Portal Mural da Vila, Maura afirma lamentar que a situação tenha chegado a esse ponto e sustenta que não houve planejamento nem intenção de praticar violência. Segundo ela, o episódio ocorreu em meio ao sofrimento provocado pelo luto, pela recuperação das cirurgias e pelos conflitos familiares acumulados ao longo dos últimos meses.
Desdobramentos judiciais
Após o registro da ocorrência, equipes da Patrulha Maria da Penha localizaram Maura Neves Carvalho Araújo em sua residência. Ela foi presa em flagrante e conduzida à Delegacia de Polícia Civil. Conforme o procedimento policial, houve resistência à condução, sendo necessário o apoio de outra equipe policial.
Maura permaneceu presa por mais de 24 horas. Na audiência de custódia realizada na quarta-feira (22), o juiz homologou a prisão em flagrante e concedeu liberdade provisória, por entender que, naquele momento, não estavam presentes os requisitos para a decretação da prisão preventiva.
A decisão impôs medidas cautelares, entre elas a proibição de manter contato com Juliana Aparecida Vieira Nunes e José Nilton, bem como de se aproximar deles a menos de 300 metros; a proibição de frequentar o local onde ocorreram os fatos; o recolhimento domiciliar no período noturno e nos dias de folga; o comparecimento periódico em juízo para informar e justificar suas atividades; e a proibição de deixar a comarca sem autorização judicial.
Na mesma decisão, o magistrado determinou que o processo tramite na 1ª Vara da Comarca de Oeiras, por entender que os fatos devem ser analisados no âmbito da Lei Maria da Penha. O caso seguirá com a produção de provas e a análise das versões apresentadas pelas duas envolvidas antes da decisão final da Justiça.
NOTA DA REDAÇÃO
Fiel aos princípios do jornalismo, o Portal Mural da Vila ouviu as duas envolvidas e reuniu nesta reportagem as versões apresentadas por cada uma delas. A apuração dos fatos prossegue na Polícia Civil e no Poder Judiciário, aos quais caberá analisar as provas produzidas e definir as responsabilidades decorrentes do caso.




