Teresina

Excesso de aguapés no Rio Poti preocupa e oferece riscos em Teresina

As plantas dificultam o deslocamento de embarcações e encobrem a superfície da água, prejudicando a localização de pessoas desaparecidas.

Excesso de aguapés no Rio Poti preocupa e oferece riscos em Teresina
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O acúmulo de aguapés no Rio Poti, em Teresina, tem preocupado especialistas pelos riscos à população e pelas dificuldades que a vegetação provoca nas operações de busca e resgate de vítimas de afogamento. As plantas dificultam o deslocamento de embarcações e encobrem a superfície da água, prejudicando a localização de pessoas desaparecidas.

O problema ganha destaque após os recentes casos de afogamento no rio. No domingo (18), três pessoas da mesma família se afogaram nas proximidades do Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças (CEFAP), no bairro Ilhotas.

As vítimas foram Antônio das Dores Ferreira de Sena, de 43 anos, e seus filhos Vitor Dyerrisson Sousa de Sena, de 26 anos, e Pablo Vinícius Sousa de Sena, de 24 anos. Os três corpos foram encontrados pelo Corpo de Bombeiros.

Segundo o biólogo Marcelo Ventura, a concentração de aguapés dificulta a navegação e a visualização de vítimas na água.

"As embarcações têm dificuldades muito grandes para fazer o deslocamento e chegar até as vítimas de afogamento. Outro problema grande é que essa vegetação encobre a lâmina superficial da água e você não consegue fazer a observação visual de pessoas que podem estar, porventura, afogadas no rio ou em condição de desaparecimento", explicou.

Conforme o especialista, os aguapés localizados no centro do rio são transportados pela correnteza, enquanto aqueles próximos às margens permanecem praticamente parados, formando uma cobertura que dificulta a identificação de corpos.

"Você observa que há uma movimentação dos aguapés. Eles são levados pela correnteza, mas você observa que a margem fica praticamente toda parada. Então, o corpo que possa estar boiando ou desaparecido nessa área de imagem dificilmente vai ser encontrado", afirmou.

Baixo volume de chuvas e poluição favorecem proliferação

De acordo com Marcelo Ventura, a proliferação dos aguapés está relacionada ao baixo volume de chuvas, à redução da circulação da água e ao excesso de nutrientes provenientes do lançamento de esgoto no rio. Substâncias como nitrogênio e fósforo favorecem o crescimento acelerado da vegetação.

"Estamos com poucas chuvas. O rio está um pouco baixo. Há uma baixa circulação de água, e essa pouca circulação de água, com a quantidade excessiva de nutrientes, principalmente de esgotos, a partir de nitrogênio e fósforo, que são nutrientes importantes para o desenvolvimento dessa planta, faz com que haja um excesso de aguapés no rio", destacou.

Especialista aponta medidas para reduzir o problema

Para reduzir a concentração de aguapés, o biólogo defende a retirada manual ou mecanizada das plantas como medida imediata. A solução a longo prazo, no entanto, depende do controle do lançamento de esgoto e da identificação dos pontos de poluição.

"A prevenção tem duas frentes. Ela pode ser aquela frente imediata, a retirada manual ou por meio de maquinaria do excesso de aguapé na lâmina da água. E a solução de prevenção, sendo aquela em que a gente vai ter que ter melhores estratégias de controle e filtro de esgoto e identificar os pontos de poluição", explicou.

Marcelo Ventura ressaltou que a remoção da vegetação, isoladamente, não resolve o problema, pois o excesso de nutrientes continua favorecendo a proliferação das plantas. "Não adianta tirar o aguapé com as mãos, pois a causa é esse excesso de nutrientes e resíduos jogados no rio", alertou.

Aguapés também representam risco para banhistas e pescadores

Além de prejudicar os resgates, os aguapés oferecem riscos a banhistas e pescadores. Segundo o biólogo, as raízes formam uma estrutura densa que pode dificultar a movimentação de pessoas na água, especialmente quando a vegetação é deslocada pela correnteza.

"A trama de raiz é muito grande. Como elas se deslocam, a pessoa pode, num banho eventual, acidentalmente, estar na água achando que está tudo bem. Quando pensar que não, vem aquele monte de plantas, aquele monte de aguapé. Elas podem encobrir aquele local onde o indivíduo mergulhou e, para sair, fica mais complicado, porque ele vai estar numa trama de raízes", explicou.

O especialista alertou para os riscos de entrar em áreas cobertas pela vegetação e reforçou a necessidade de controlar a poluição para reduzir a proliferação de aguapés no Rio Poti.