O fim da escala 6x1 abre caminho para mudanças na jornada de trabalho de milhões de brasileiros. A lei foi promulgada pelo Congresso Nacional na tarde desta sexta-feira (16) e prevê dois dias de descanso remunerado por semana, redução gradual da jornada máxima de 44 para 40 horas semanais e manutenção dos salários. O período de transição previsto é de 14 meses.
A mudança pode beneficiar trabalhadores de diferentes setores, especialmente aqueles que atualmente trabalham seis dias por semana e dispõem de apenas um dia de folga. Com a ampliação do descanso semanal, esses profissionais terão mais tempo para compromissos familiares, estudos, cuidados pessoais e atividades de lazer.
Em Oeiras, onde o comércio reúne parte expressiva dos estabelecimentos privados com empregados formais, a alteração também coloca em discussão os possíveis efeitos sobre o consumo, a organização das jornadas e a geração de empregos.
Comércio concentra parte dos empregos formais
Dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) de 2025, utilizados em levantamento sobre o mercado de trabalho de Oeiras, apontam 554 estabelecimentos privados no município com pelo menos um empregado formal. Desse total, 278 são do comércio varejista.
O levantamento registra ainda 2.933 trabalhadores do setor privado com jornadas contratadas superiores a 40 horas semanais, dos quais 1.497 atuam no comércio.
A RAIS, entretanto, informa a carga horária contratada, e não a escala de folgas. Por esse motivo, os dados não permitem determinar quantos trabalhadores do município cumprem especificamente a escala 6x1.
Mais descanso e manutenção dos salários
A proposta prevê a redução da jornada sem diminuição salarial em razão da mudança. Com isso, os trabalhadores abrangidos pela nova regra poderão cumprir menos horas semanais e contar com dois dias de descanso remunerado.
A alteração poderá facilitar a conciliação entre trabalho e compromissos pessoais, além de ampliar o tempo disponível para estudos, acompanhamento dos filhos e cuidados com a saúde. O descanso adicional também é relevante para profissionais submetidos a jornadas extensas e a atividades que exigem esforço físico ou atenção contínua.
A redução da jornada semanal está entre as principais mudanças previstas no texto aprovado e altera a forma de distribuição do tempo de trabalho, sem estabelecer redução proporcional da remuneração.
Mudança pode favorecer o consumo local
A ampliação do tempo livre também pode produzir efeitos sobre o comércio e o setor de serviços. Trabalhadores com mais tempo disponível poderão realizar compras, frequentar restaurantes, contratar serviços e participar de atividades culturais e de lazer.
Em Oeiras, esses hábitos podem beneficiar diferentes segmentos da economia local. A manutenção dos salários também preserva a renda nominal dos trabalhadores, um fator relevante para o consumo das famílias.
Outro efeito possível é a abertura de vagas em empresas que precisem ampliar suas equipes para organizar os turnos e manter o atendimento. A criação de empregos dependerá das decisões dos empregadores e das necessidades de cada atividade econômica.
Implementação será gradual
O cronograma previsto estabelece que, 60 dias após a promulgação, a jornada máxima semanal será reduzida de 44 para 42 horas, com dois dias de descanso. Após mais 12 meses, o limite passará a 40 horas semanais, completando 14 meses de transição.
O período permitirá a reorganização das jornadas e dos turnos de trabalho conforme as novas regras. No comércio, a distribuição das folgas será um dos aspectos a serem considerados para manter o funcionamento dos estabelecimentos.
A proposta aprovada pelo Senado representa uma mudança na legislação trabalhista brasileira, com efeitos previstos sobre a duração da jornada e o descanso semanal. Para os trabalhadores, o principal resultado esperado é a ampliação do tempo de descanso, com preservação dos salários e possibilidade de reorganizar a rotina semanal.



