De acordo com os engenheiros da CMTP (Companhia Metropolitana de Transportes Públicos), a demora se deve ao estado da linha férrea, deteriorada pelo tempo e pela passagem de trens de carga, que com seu peso acabam por danificar a via.
Na chegada à cidade de Altos muita festa para receber a comitiva, composta pelo presidente da CMTP, Marcos Silva, pelo secretário estadual de Planejamento, Sérgio Miranda, pelo prefeito de Altos, José Batista Fonseca, engenheiros ligados à CMTP e à empresa responsável pela recuperação dos trens e das linhas, além de jornalistas e convidados.

Debaixo de fogos de artificio, aplausos e gritos vindos de uma multidão que aguardava ansiosa pela chegada dos vagões do metrô. Bastante animada, a senhora Maria José, que mora a poucos metros da estação de Altos e tem um filho que trabalha na capital, comemora a criação da nova linha do metrô.
“A vinda do metrô até Altos vai ser muito bom para todos nós. Meu filho trabalha em Teresina. Todo dia ele vai e volta ônibus. Só com passagem ele gasta R$ 180,00. Com o trem mais ficar mais barato e ele vai acabar economizando”.

Após uma pausa de certa de 20 minutos na cidade de Altos a comitiva partiu rumo à capital piauiense. Na volta algumas das autoridades decidiram não usar mais o metrô. Sérgio Miranda retornou de carro próprio e Marcos Silva seguiu de automóvel para a cidade de Parnaíba. Ambos perderam a maior emoção da viagem.
O péssimo estado da linha férrea, com dormentes (peça feita de madeira que mantém a distancia regular entre cada trilho) estragados e muitos afundados na terra, grampos de linha (espécie de pregos que ligam o trilho aos dormentes) enferrujados e soltos, sendo possível até retirar alguns deles com as mãos, o metrô balança muito e em uma das curvas da estrada, um dos vagões acabou descarrilando.
Muitos passageiros acabaram se assuntando no momento do descarrilamento. Graças à perícia do maquinista e da baixa velocidade desenvolvida pelo veículo, o metrô não demorou muito a parar. Por sorte, ninguém saiu ferido no incidente.

Após o susto inicial, um a um os integrantes da comitiva começaram a descer do metrô e procurar abrigo no meio do mato, já que o Sol castigava a todos. Engenheiros e funcionários da CMTP começaram a analisar as causas do fato e foi solicitada a ajuda de outros funcionários da companhia.
Debaixo de Sol forte, cerca de 50 pessoas aguardavam a chegada do resgate, que foi feito em duas pequenas locomotivas. Todos os passageiros foram levados para a cidade de Altos. A chegada à “Capital da Manga” aconteceu por volta das 12h30. Para muitos, o que parecia ser um alívio, tornou-se uma verdadeira agonia.
Cansados, com fome e sem ter como retornar a Teresina, todos aguardavam uma definição de como seria a viagem para a capital do estado. Várias hipóteses foram levantadas, ônibus escolares, carros de reportagem de veículos de comunicação e até mesmo uma Veraneio (antiga caminhoneta) foram cogitados como forma de locomoção.

A definição sobre o retorno dos passageiros da viagem experimental do metrô só aconteceu por volta das 15h. O engenheiro Mário Brígido, da empresa responsável pela recuperação dos metrôs, pagou do próprio bolso as passagens em um ônibus da empresa Barroso e todos puderam enfim retornar a Teresina.



