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Morre em Oeiras a professora Amália Campos, aos 103 anos

Educadora lecionou por três décadas, integrou o primeiro corpo docente do Ginásio Municipal Oeirense

Morre em Oeiras a professora Amália Campos, aos 103 anos
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Ela gostava de ensinar Desenho Geométrico com um esquadro, um compasso e um transferidor em tamanho grande, para que nenhum aluno do fundo da sala perdesse o traço. Era assim, com cuidado e inventividade, que a professora Amália do Espírito Santo Campos conduzia suas aulas. Oeiras perdeu nesta quarta-feira (23) uma de suas educadoras mais queridas. Amália Campos faleceu aos 103 anos, na cidade onde nasceu, viveu e formou gerações.

Nascida em 10 de setembro de 1923, era filha de Joel Campos e Maria de Jesus Nogueira Campos, conhecida como Bembém. Sobrinha do poeta Nogueira Tapety e irmã do poeta Gerson Campos, cresceu cercada de letras e de arte.

Foi alfabetizada na escola particular de Ana Leonor de Sousa Brito, a Donana, mestra de várias gerações oeirenses. Cursou o primário no Grupo Escolar Costa Alvarenga, entre 1931 e 1935, e depois seguiu para Teresina, onde estudou como interna no Colégio Sagrado Coração de Jesus. Concluiu o curso pedagógico na Escola Normal Oficial em 1944.

Iniciou a carreira no magistério em 1946 e se aposentou em 1976, após 30 anos em sala de aula. Lecionou no Grupo Escolar Armando Burlamaqui, na Escola Comercial Dom Expedito Lopes e no Ginásio Municipal Oeirense, onde integrou o primeiro corpo docente, a convite do padre Balduíno Barbosa de Deus. Também foi violinista e cultivou a pintura.

Membro do Instituto Histórico de Oeiras, foi, ao lado das irmãs Aurora, Auristela, Alice, Aldenora e Rita Campos, uma das instituidoras da Fundação Nogueira Tapety, entidade dedicada à preservação da memória literária e cultural do município.

Mesmo aposentada, seguiu leitora diária e atenta aos rumos da educação. "Sou vocacionada a alfabetizar crianças", escreveu em uma mensagem dirigida aos estudantes brasileiros.

Em setembro de 2023, a cidade celebrou seu centenário com missa na Catedral de Nossa Senhora da Vitória e o lançamento do livro coletivo Centenário da Esperança: Amália Campos 1923-2023, organizado pelo sobrinho Carlos Rubem Campos Reis. No mês seguinte, a Câmara Municipal de Oeiras aprovou, por unanimidade, Moção de Louvor em sua homenagem.

Devota do Divino Espírito Santo, Amália Campos deixa um legado de fé, cultura e dedicação à educação oeirense.