IBAMA destina madeira apreendida para o IFPI Campus Oeiras
16/01/2026 - 07:59Carga interceptada pela PRF na BR-316 passa a integrar atividades pedagógicas e a infraestrutura do campus
POR ROGÉRIO NEWTON
Desmatamento gigantesco, com área de 492 hectares, avança rapidamente sobre floresta próxima à Chapada das Contendas e ao povoado Malhada Grande, a aproximadamente 65 km da sede do municÃpio de Oeiras (PI). De acordo com moradores da região, o lugar do desmatamento será usado para a monocultura da soja.
Segundo placa informativa colocada no local, a área está dentro dos domÃnios da Fazenda Maria Clara, latifúndio de 1.149 hectares, pertencente a Paulo Henrique da Silva Marra e Luma Isabela Coelho Rodrigues. A área desflorestada equivale a 688 campos de futebol.
Centenas de espécies vegetais e árvores de grande porte foram sacrificadas, como faveiras, aroeiras, canelas-de-velho, angicos. Na área desmatada não há vestÃgios de espécies da fauna. As que não foram mortas fugiram para florestas próximas.
O desmatamento, feito a corte raso, com tratores e outras máquinas e com uso de fogo, está na fase final. Mas há indÃcios de outros desflorestamentos nas proximidades, pois estão sendo abertas entradas largas dentro da mata.
O desmatamento gigantesco recebeu autorização da Secretaria de Meio Ambiente e Recursos HÃdricos do Estado do Piauà (SEMAR), segundo consta de registros no site daquela secretaria. O site da SEMAR não oferece acesso a documentos importantes, como Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental, entre outros.

Placa indicativa com informações do empreendimento. Foto: Rogério Newton
Os processos que culminaram na autorização do desmatamento gigantesco tramitaram nos anos de 2024 e 2025, portanto, na gestão do governador Rafael Fonteles, que tem feito uso de discurso ambientalista e assinou neste ano o Plano de Ação Climática do PiauÃ.
Apesar de suas importâncias, dois fatores não foram considerados pela SEMAR no processo de concessão da licença ambiental.
Primeiro: o desmatamento gigantesco ocorre dentro do semiárido piauiense,no municÃpio de Oeiras, que já registrou picos de altas temperaturas no Brasil, em 2024 e 2025. Neste ano, a umidade do ar em Oeiras baixou a 14%, indicador de clima desértico.
 Segundo: o desmatamento gigantesco está situado próximo à Fazenda Chapada Grande, adquirida por empresários paulistas para produzir soja, milho e outros produtos do agronegócio, que abrange grande área desmatada. Portanto, são dois desmatamentos gigantescos muito próximos, aproximadamente 40 km, em linha reta.
O agronegócio em regiões pobres e vulneráveis, que experimentam os efeitos da crise climática global, como é o caso do ora praticado pela Fazenda Santa Clara, em Oeiras, que recebeu autorização para desmatar 492 hectares no semiárido piauiense, é mais um exemplo que não se sustenta diante das discussões antigas nem das atuais, especialmente as que tiveram lugar na COP30, realizada mês passado em Belém (PA).
Esse desmatamento gigantesco é mais uma demonstração clara do que o agronegócio é capaz de fazer em termos de destruição em alta escala da natureza, sob o manto da sustentabilidade e de outros discursos e práticas insustentáveis.


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Por Rogério Newton