Política

Amilton de Zé Moura rebate críticas sobre IDEB de Oeiras e pede que resultado não seja politizado

Amilton reconheceu a queda registrada nos anos finais, mas defendeu uma análise mais ampla dos dados

Amilton de Zé Moura rebate críticas sobre IDEB de Oeiras e pede que resultado não seja politizado
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O vereador Amilton de Zé Moura rebateu, durante a sessão desta segunda-feira (24), na Câmara Municipal de Oeiras, críticas feitas pelo vereador Espedito Martins sobre o resultado do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) do município. Na tribuna, Amilton reconheceu a queda registrada nos anos finais, mas defendeu uma análise mais ampla dos dados e afirmou que o tema não deve ser politizado.

Segundo o parlamentar, os resultados da educação não podem ser avaliados de forma isolada. Para ele, é necessário observar todo o processo que antecede a aplicação das avaliações.

“Educação é um filme, não é uma foto. Ela não é congelada no retrato de um momento”, afirmou.

Amilton destacou que, nos anos iniciais, houve uma oscilação de 7,1 para 7 e argumentou que Oeiras permanece acima da média nacional. Já em relação aos anos finais, admitiu que o município registrou queda e disse que é necessário identificar as causas do resultado.

Vereador cita reprovações e efeitos da pandemia

Durante o pronunciamento, Amilton explicou que o IDEB considera não apenas o desempenho dos estudantes nas provas de português e matemática aplicadas pelo Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), mas também indicadores relacionados ao fluxo escolar, incluindo as reprovações.

De acordo com os números apresentados pelo vereador, Oeiras não registrou reprovação escolar em 2021, 2022 e 2023. Em 2024, porém, foram contabilizadas 76 reprovações em português, matemática e inglês. Segundo ele, a maioria dos estudantes reprovados estava no 9º ano.

O parlamentar afirmou que esses dados precisam integrar a avaliação sobre o desempenho do município. Ele também mencionou que algumas escolas não possuíam conselho escolar para discutir uma possível recomposição da aprendizagem.

Outro ponto levantado foi o impacto da pandemia sobre os alunos que chegaram ao 9º ano e participaram da avaliação. Segundo Amilton, parte desses estudantes passou anos anteriores do ensino fundamental com aulas remotas ou em sistema híbrido.

“Todos nós sabemos o que a pandemia nos impôs”, declarou.

Na avaliação do vereador, responsabilizar apenas os professores pelo resultado seria desconsiderar todo o ciclo educacional vivido pelos estudantes. Ele ressaltou que o desempenho do 9º ano é consequência também do percurso realizado no 6º, 7º e 8º anos.

Amilton defende professores da rede municipal

O vereador também saiu em defesa dos profissionais da educação de Oeiras. Segundo ele, muitos professores que atualmente estão nas salas de aula já faziam parte da rede na gestão anterior e continuam contribuindo diretamente para a qualidade do ensino.

“Oeiras sempre foi referência na docência. Então, os nossos professores não desaprenderam”, afirmou.

Amilton disse ainda acreditar que divergências políticas não interferem no compromisso dos educadores com os estudantes.

“Oeiras é uma terra de professor e professora comprometida. Tenho certeza que o lado político não interfere no trabalho de nenhum colega, professor ou professora”, declarou.

Para o parlamentar, discutir os indicadores educacionais na Câmara é necessário, mas o debate deve evitar transformar os números em instrumento de disputa política.

“É um tema que merece, sim, ser discutido nessa Câmara. Ele só não pode ser politizado”, disse.

SAEPI e prêmio Alpha 10 também foram citados

Ao defender uma avaliação mais ampla da educação municipal, Amilton mencionou ainda os resultados do Sistema de Avaliação Educacional do Piauí (SAEPI). Segundo ele, Oeiras avançou nos anos iniciais e três escolas do município conquistaram, pela primeira vez, o prêmio Alpha 10.

O vereador argumentou que o SAEPI utiliza a mesma base curricular nacional e questionou a desconsideração desse indicador no debate sobre a qualidade da educação.

Apesar dos avanços apontados, Amilton voltou a reconhecer que os anos finais apresentam dificuldades e precisam receber atenção.

“Os anos finais é inegável o déficit que Oeiras possui. Não é a gestão do Dr. Ailton que possui, é a nossa educação que possui”, afirmou.

Ele citou ainda a criação do CRIA, apresentado em seu discurso como um centro de referência voltado à recomposição, como uma das iniciativas adotadas diante das dificuldades identificadas.

Vereador critica divulgação de resultados negativos como comemoração

Na parte final do pronunciamento, Amilton afirmou que considera legítimo fazer alertas e discutir resultados negativos, como, segundo ele, fez Espedito Martins na Câmara. No entanto, criticou o uso de redes sociais e do rádio para difundir notícias ruins sobre o município em tom de comemoração.

“A gente fazer um alerta, como o vereador Espedito Martins fez aqui, é válido, é importante refletir, e a gente tem que refletir sobre esses números”, declarou.

O parlamentar também fez uma projeção sobre o próximo ciclo de avaliação. Segundo ele, caso as provas aplicadas em 2027 apresentem queda nos resultados divulgados em 2028, utilizará a tribuna para atribuir a responsabilidade à gestão da professora Jani Cléia Alves e do doutor Ailton Alves, por considerar que todo o período avaliado estará inserido naquela administração.

Amilton afirmou ainda que as provas consideradas no debate atual foram aplicadas em 2025, levando em conta o censo escolar de 2024. Ao encerrar, voltou a destacar as 76 reprovações registradas naquele ano e reconheceu que os anos finais da educação municipal exigem atenção da atual gestão.