Na onda de atrações espíritas que despontam no ano do centenário de nascimento de Chico Xavier, o longa de Wagner de Assis adapta a história pós-morte contada ao médium pelo médico André Luiz. Com o mesmo enredo, a peça "Nosso Lar, a Morada da Esperança", de Gabriel Catellani, também está em cartaz.
No longa, acompanhamos a saga de André (interpretado pelo ator Renato Prieto) depois de sua morte. Primeiro, no caótico umbral, uma espécie de purgatório onde chafurdam almas perdidas. Em seguida, na futurista cidade espiritual que dá nome à obra.
É ali que se concentra toda a ostentação estética: uma esplanada, dividida em ministérios, que só lembra Brasília na organização. Alamedas bucólicas cortam uma arquitetura espacial, de tons branco, lilás e azul. Os moradores desse oásis celestial são comandados por Anacleto (Othon Bastos).
Tudo é controlado, até a rebeldia de Eloisa (Rosanne Mulholland), desconfortável na instância superior. No fim, aprendemos a doutrina, mas não embarcamos na trama.


