Saúde no Mural

Internações de bebês por problemas respiratórios atingem níveis recordes em 2023

O estudo também revelou que o SUS destinou cerca de R$ 154 milhões para o tratamento dos bebês internados em 2023

Internações de bebês por problemas respiratórios atingem níveis recordes em 2023
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De acordo com um levantamento do Observatório de Saúde na Infância (Observa Infância), uma iniciativa da Fiocruz e do UNIFASE/FMP, as internações de bebês menores de 1 ano por pneumonia, bronquite e bronquiolite nos hospitais do SUS aumentaram 24% em 2023 em comparação com o ano anterior. Em 2023, foram registradas 153 mil internações, uma média de 419 por dia, representando um recorde da última década.

O estudo também revelou que o SUS destinou cerca de R$ 154 milhões para o tratamento dos bebês internados em 2023, um aumento significativo em relação a anos anteriores, pré-pandemia de covid-19.

Analisando as taxas de internação por região, observou-se uma tendência de queda até 2016, com variações nos anos subsequentes. Os anos de 2020 e 2021 mostraram quedas acentuadas, seguidas por aumentos constantes nos anos seguintes, culminando no recorde de 2023.

A Sul e a Centro-Oeste foram as regiões mais afetadas, com altas taxas de internação. Fatores como o clima extremo e queimadas contribuem para a vulnerabilidade dos bebês a infecções respiratórias graves devido ao enfraquecimento do sistema respiratório.

O coordenador do Observa Infância, Cristiano Boccolini, destacou que as mudanças climáticas e a baixa cobertura vacinal infantil podem ser os principais motivos para o aumento das internações. Ele ressaltou a importância de manter em dia a caderneta de vacinação dos bebês e crianças, bem como a necessidade de vacinação das gestantes para proteger os recém-nascidos.

Os dados do levantamento foram coletados no Sistema de Internações Hospitalares do SUS e no Sistema Nacional de Nascidos Vivos entre os anos de 2008 e 2023, evidenciando a preocupante situação e a importância de medidas preventivas para reduzir o impacto dessas doenças respiratórias nas crianças.

O Observatório de Saúde na Infância foi criado com o intuito de compartilhar informações científicas sobre a saúde das crianças e ampliar o acesso a dados qualificados, auxiliando na compreensão dos desafios enfrentados pela população infantil no Brasil.

Esse trabalho foi desenvolvido pelos pesquisadores Patricia e Cristiano Boccolini, em parceria com o Icict/Fiocruz e o UNIFASE/FMP, e contou com o apoio do CNPq e da Fundação Bill e Melinda Gates na busca por soluções para a saúde e bem-estar das crianças brasileiras.