Carta Aberta à sociedade do Vale do Rio Canindé
Instalada em Oeiras no ano de 2000, ainda no governo Mão Santa, a UESPI em Oeiras sempre conviveu com problemas de vários tipos. Nunca, no entanto, a sua presença nessa cidade esteve tão ameaçada quanto nos dias atuais.
Problemas nas instalações físicas e elétricas do prédio; falta de sala para funcionamento das coordenações dos cursos; ausência de gabinete (sala) para os professores; biblioteca precária, em relação à estrutura física, à variedade dos títulos e ao número de livros; insuficiência de recursos didáticos e tecnológicos; quase inexistência de apoio ao estudante, através do benefício de auxílio-moradia, bolsa-trabalho e auxílio alimentação; repasse financeiro irregular e insuficiente para a manutenção de seu funcionamento; internet mais lenta que uma tartaruga peada; número insuficiente de funcionários efetivos na área técnico-administrativa; número insuficiente de professores efetivos; ufa...! E esses são somente os problemas mais visíveis com os quais o campus de Oeiras tem convivido ao longo desses quase 20 anos.
Mas o que mais causa indignação é saber que, já há mais de uma década, o Conselho Estadual de Estadual do Piauí (CEE/PI) vem solicitando às autoridades competentes (entenda-se ao Governador) que adote as providências necessárias para solucionar tais problemas. E nada! E o mais incrível (se é que é possível!) dessa história toda é que, nos últimos 15 anos, o Estado do Piauí foi governado por pessoas naturais dessa região de Oeiras - portanto, pessoas que nasceram em cidades cuja população pode ser beneficiada com a presença da UESPI em Oeiras -, inclusive o nosso atual mandatário, Sua Excelência o Governador Wellington Dias (já em seu 4º mandato!).
Mesmo com todos esses problemas, a UESPI de Oeiras tem oferecido, ao longo de sua história, inegável contribuição à sociedade das 17 cidades que compõem o Território do Vale do Rio Canindé, em especial a de sua sede. Mas pasmem: daqui a alguns anos faltarão alunos! Afinal, desde o ano de 2017, o único curso que recebe novos alunos é o de História. Se essa realidade persistir, no ano de 2021 haverá, na UESPI de Oeiras, apenas o Curso de História, motivo pelo qual será alegada a inviabilidade de sua manutenção com um único curso, ocorrendo, assim, na Primeira Capital do Piauí, o que já foi feito em várias outras cidades onde a UESPI não existe mais. Ao que parece, nem chegaremos a usar as instalações do novo campus, em construção e que deveria ter sido entregue em 2017, nas comemorações dos 300 anos de Oeiras.
Ora, o fechamento do campus da UESPI em nossa cidade trará para ela, assim como para as demais cidades que ficam em seu entorno, consequências desastrosas, em diversos âmbitos. Um primeiro impacto a ser sentido, por exemplo, é em relação à economia de Oeiras (com destaque, entre outros, para o comércio e para o setor imobiliário), pois se estima que, atualmente, a presença da UESPI faz circular, aproximadamente, R$ 200.000,00 (duzentos mil reais) mensais ou R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais) anuais.
O que dizer então para aqueles jovens que estão na escola hoje (e cujas famílias não podem custear os seus estudos universitários em outra cidade, como Picos ou Floriano): "olhem, sinto muito, mas vocês não poderão fazer um curso superior, porque a UESPI em Oeiras vai fechar!". Portanto, o fechamento da UESPI em Oeiras estará, também, matando muito sonhos: sonhos daqueles que desejam ser professor e contribuir com a formação de nossa sociedade; sonhos daqueles que esperam, através dos estudos, mudar de vida e dar uma vida melhor para seus pais.
Ante o exposto, fica, então, a conclusão de que, mais do que importante, a presença da UESPI em Oeiras é necessária para a construção de uma sociedade mais justa, fraterna e consciente de seus direitos e deveres.
Além disso, é possível afirmar que o fechamento do Campus Professor Possidônio Queiroz (UESPI Oeiras) terá algo de simbólico, pois isso significa dizer que a terra que foi o berço para a formação do Estado do Piauí - a sua primeira freguesia, a sua primeira vila, a sua primeira cidade, a sua primeira capital -, o povo que derramou o seu sangue e deu a sua vida pela defesa de sua terra, o povo que se opôs à Coroa Portuguesa na luta pela Independência do Brasil não terão mais um campus universitário para chamar de seu.
Amigos da UESPI Oeiras
UESPI de Oeiras está sob ameaça de ser fechada
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