Política

Vitória de Lula quebra paradigmas históricos das eleições presidenciais

Petista reverteu derrota no primeiro turno, virou em Minas Gerais e conquistou o quarto mandato

Vitória de Lula quebra paradigmas históricos das eleições presidenciais
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A reeleição de Lula (PT) à Presidência da República, neste domingo (25), entrou para a história política brasileira ao romper uma sequência de resultados que se repetia desde a redemocratização. Pela primeira vez desde 1989, um candidato que terminou o primeiro turno em segundo lugar conseguiu reverter a desvantagem e vencer a disputa presidencial. A vitória também foi marcada por uma virada em Minas Gerais, estado considerado decisivo nas eleições nacionais.

Lula conquistou 51,79% dos votos válidos no segundo turno, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro (PL). O resultado contrariou o cenário estabelecido no primeiro turno, realizado em 4 de outubro, quando o candidato do PL terminou na liderança nacional. A diferença final entre os dois presidenciáveis foi de aproximadamente 4,4 milhões de votos.

Pela primeira vez, o segundo colocado no primeiro turno venceu a eleição
Desde 1989, todos os candidatos que lideraram o primeiro turno das eleições presidenciais brasileiras e disputaram o segundo conseguiram confirmar a vitória. A sequência atravessou diferentes governos e partidos, incluindo Fernando Collor, Lula, Dilma Rousseff e Jair Bolsonaro.

Em 2026, entretanto, a tradição foi interrompida. Flávio Bolsonaro chegou ao segundo turno depois de liderar a primeira votação, mas perdeu para Lula, que conseguiu ampliar seu eleitorado na etapa decisiva. Foi a primeira virada desse tipo em uma eleição presidencial brasileira desde a retomada do voto direto para presidente.

Minas Gerais manteve a tradição, mas protagonizou uma virada
Outro elemento histórico da eleição foi o comportamento do eleitorado de Minas Gerais. Desde 1989, todos os presidentes eleitos também venceram no estado, considerado um retrato da diversidade política e social brasileira.

No primeiro turno de 2026, Flávio Bolsonaro havia conquistado 48,24% dos votos válidos em Minas Gerais, enquanto Lula recebeu 43,33%. A vantagem inicial do candidato do PL alimentou expectativas sobre o desempenho no segundo turno.

O cenário, porém, mudou. Lula venceu em Minas Gerais com 50,43% dos votos válidos, contra 49,57% de Flávio Bolsonaro, revertendo uma diferença de aproximadamente 589 mil votos no primeiro turno e encerrando a disputa estadual com 109.313 votos de vantagem.

Dessa forma, a eleição não quebrou a tradição de que o vencedor em Minas Gerais também conquista a Presidência. Pelo contrário, confirmou essa coincidência histórica, mas com uma virada entre os dois turnos.

Lula conquista o quarto mandato presidencial
A eleição de 2026 também marcou um feito na trajetória política de Lula. Com a reeleição, o petista chegou ao quarto mandato como presidente da República, após as vitórias de 2002, 2006 e 2022.

A conquista amplia um recorde pessoal e consolida Lula como o político com maior número de eleições vencidas para a Presidência desde a redemocratização.

Vitória em 13 estados foi suficiente para conquistar a Presidência
Outro aspecto da eleição foi a distribuição geográfica dos votos. Lula venceu em 13 estados, enquanto Flávio Bolsonaro conquistou outros 13 e o Distrito Federal.

Apesar de vencer em menos unidades da Federação, Lula obteve a maioria dos votos válidos em âmbito nacional. O resultado demonstra que a eleição presidencial é definida pelo total de votos dos eleitores brasileiros, e não pela quantidade de estados conquistados.

Crescimento em todos os estados ajudou a construir a virada
A recuperação eleitoral de Lula não ficou restrita a Minas Gerais. O petista ampliou seu desempenho percentual nos 26 estados e no Distrito Federal entre o primeiro e o segundo turno, inclusive em locais onde Flávio Bolsonaro permaneceu vencedor.

Esse crescimento permitiu reduzir as vantagens do adversário em diferentes regiões e ampliar a votação nos estados onde Lula já havia conquistado a liderança.

A eleição presidencial de 2026, portanto, ficará marcada principalmente pela quebra de uma tradição de 37 anos: a de que o candidato mais votado no primeiro turno também venceria o segundo. Ao mesmo tempo, confirmou a importância histórica de Minas Gerais e mostrou como a distribuição dos votos pelo país pode alterar o resultado de uma disputa presidencial entre os dois turnos.