O Piauí começa 2026 em alerta. Mesmo com registros recentes de chuva em diversas regiões do estado, dados oficiais do novo boletim do Monitor de Secas mostram que todos os 224 municípios apresentam algum nível de estiagem em janeiro. Não há nenhuma cidade classificada como “sem seca”.
O levantamento revela um cenário amplo e preocupante: 132 municípios estão em seca moderada, 84 em seca grave e 49 já enfrentam seca extrema, estágio marcado por grandes perdas agrícolas e escassez generalizada de água.
A comparação com janeiro de 2025 evidencia a intensificação do quadro. No início do ano passado, predominavam áreas classificadas entre seca fraca e moderada. Já em janeiro de 2026, o mapa mostra avanço significativo das áreas em seca grave e extrema, especialmente nas regiões Sul e Sudeste do estado.
Embora o número de municípios em nível extremo tenha caído em relação a dezembro de 2025, quando 56 cidades estavam nessa classificação, o estado segue com 100% do território afetado por algum grau de seca, o que mantém o alerta para 2026.
Os dados constam no boletim técnico divulgado neste mês. A classificação considera diferentes áreas dentro de cada município. Por isso, uma mesma cidade pode aparecer em mais de um nível, dependendo da intensidade registrada em seu território.
O que significa estar em seca extrema?
A seca extrema (S3) é caracterizada por grandes perdas de culturas e pastagens, comprometimento severo da produção rural e dificuldade ampla de acesso à água em reservatórios, poços e córregos.
Entre os municípios nesse nível estão São Raimundo Nonato, Paulistana, Betânia do Piauí, Simões, Acauã, Dom Inocêncio e outras cidades do Sudeste piauiense.
Já a seca grave (S2) indica perda provável de lavouras e necessidade de restrições no uso da água. A seca moderada (S1), embora menos intensa, já representa danos às culturas, reservatórios com níveis baixos e risco de desabastecimento.
Mesmo cidades populosas como Teresina, Parnaíba, Picos e Floriano aparecem no monitoramento em algum grau de estiagem.
100% do estado afetado
O dado mais expressivo do boletim é a abrangência territorial. O mapa apresentado no relatório mostra o Piauí completamente sob tons de amarelo, laranja e vermelho, cores que indicam diferentes níveis de seca. Nenhuma área aparece na categoria “sem impactos”.
Em dezembro de 2025, 56 municípios estavam em seca extrema. Agora, embora o número tenha reduzido para 49, o estado continua integralmente afetado, o que mantém o alerta para 2026.
Foto: Reprodução / Semarh

Sudeste e Sul concentram maior preocupação
A região Sudeste do Piauí, especialmente municípios que fazem divisa com Bahia e Pernambuco, concentra os quadros mais severos. Técnicos relatam rios secos, solo exposto e vegetação comprometida.
A previsão climatológica também não é animadora. A análise da normal climatológica, média histórica de 30 anos, indica tendência de chuvas abaixo da média na região Sul do estado nos próximos meses.
Especialistas alertam que o padrão recente de chuvas intensas em poucas horas, seguido de longos períodos secos, não é suficiente para reabastecer o solo e os reservatórios de forma equilibrada. O resultado é um ciclo de estiagens mais prolongadas.
Mudanças climáticas e irregularidade das chuvas
O boletim reforça que as mudanças climáticas têm alterado os padrões de precipitação no Nordeste. Os períodos secos estão mais longos, chegando a sete ou oito meses, enquanto as chuvas se tornam mais concentradas e irregulares.
Esse cenário afeta diretamente agricultores, pecuaristas e o abastecimento urbano, especialmente nas regiões mais vulneráveis do semiárido piauiense.
Monitoramento reforçado
Para ampliar o acompanhamento climático, a Secretaria de Meio Ambiente instalou 10 novas estações meteorológicas no Sul do estado, em municípios como Picos, Pio IX, Betânia do Piauí e São Raimundo Nonato.
Os equipamentos vão coletar dados minuto a minuto sobre temperatura, umidade e volume de chuva, permitindo diagnósticos mais precisos para planejamento hídrico.