O enfermeiro Ivan Mark, de 23 anos, relatou ter sido vítima de ofensas homofóbicas enquanto trabalhava no Hemopi, em Teresina, na manhã desta quinta-feira (12). O caso foi comunicado às autoridades por meio de boletim de ocorrência e levou o Sindicato dos Enfermeiros, Auxiliares e Técnicos de Enfermagem do Estado do Piauí a cobrar providências.
Segundo o profissional, o episódio aconteceu por volta das 8h24, dentro da sala de coleta, durante o atendimento a um doador. Ele afirma que chamou o paciente pelo nome, procedimento considerado padrão na rotina da unidade, quando passou a ser acusado de maneira infundada de estar “dando em cima” do homem.
A partir daí, conforme o relato, o doador teria iniciado agressões verbais de cunho homofóbico e feito ameaças.
De acordo com o enfermeiro, o suspeito afirmou que poderia agredi-lo fisicamente ainda dentro da unidade e que, caso o encontrasse fora do local, poderia matá-lo. O profissional relatou ainda que o homem teria feito fotografias dele sem autorização, o que aumentou o sentimento de medo e constrangimento.
Diante da situação, Ivan disse que precisou deixar o ambiente de trabalho por receio quanto à própria integridade física.
Em nota, o presidente do sindicato, Erick Ricely, afirmou que o caso é grave e não pode ser tratado como fato isolado.
“É inadmissível que profissionais da enfermagem, que dedicam suas vidas ao cuidado da população, sejam alvo de discriminação, intimidação e ameaças durante o exercício das funções”, declarou.
A entidade defende a adoção de medidas de segurança para proteger trabalhadores da saúde e afirma que oferece apoio jurídico e institucional às vítimas.
Confira a nota na íntegra
O Sindicato dos Enfermeiros, Auxiliares e Técnicos de Enfermagem do Estado do Piauí (SENATEPI) manifesta profunda preocupação com a crescente ocorrência de casos de assédio, agressões físicas e verbais, homofobia e outras formas de violência contra profissionais da enfermagem em unidades de saúde no estado.
O episódio mais recente ocorreu na manhã desta quinta-feira (12), no Hemopi, em Teresina, quando o enfermeiro Ivan Mark, de 23 anos, foi vítima de ofensas homofóbicas, ameaças de agressão e de morte, além de ter sido fotografado sem autorização enquanto exercia suas funções. O caso foi registrado em boletim de ocorrência.
Para o presidente do Senatepi, Erick Riccely, o ocorrido representa um ato grave de violência e desrespeito, especialmente por acontecer dentro de um ambiente cuja missão é o cuidado e a promoção da saúde. “É inadmissível que profissionais da enfermagem, que dedicam suas vidas ao cuidado da população, sejam alvo de discriminação, intimidação e ameaças durante o exercício de suas funções”, destaca Erick.
O sindicato alerta que situações como essa não são isoladas. Casos de agressões físicas, ataques verbais, assédio moral, racismo, homofobia e outras formas de violência têm sido relatados com frequência por trabalhadores da saúde em diversas regiões do Piauí.
Muitas ocorrências, inclusive, deixam de ser formalmente denunciadas por medo de represálias ou pela sensação de impunidade.
O SENATEPI reforça que a violência contra profssionais de saúde compromete não apenas a integridade física e emocional dos trabalhadores, mas também a qualidade da assistência prestada à população. A entidade cobra das autoridades competentes a adoção de medidas efetivas para garantir segurança nas unidades de saúde, responsabilização dos agressores e campanhas permanentes de conscientização contra qualquer forma de preconceito ou violência.
O sindicato também reafirma seu compromisso de prestar apoio jurídico e institucional aos profissionais vítimas de violência e orienta que todos os casos sejam formalmente denunciados.