Radialista relata falta de insumos e problemas físicos na UPA de Oeiras e cobra posicionamento de autoridades
20/04/2026 - 15:34Fala em programa de rádio descreve limitações na unidade e também menciona situação no Hospital Deolindo Couto
Um caso suspeito de raiva humana está sob investigação no Piauí. A vítima é o jovem Marlon Kaik da Silva, de 17 anos, da zona rural de Oeiras, que apresentou sintomas compatíveis com a doença cerca de 40 dias após sofrer uma mordida de animal.
Segundo a médica infectologista Elna Amaral, embora o caso ainda não tenha confirmação laboratorial, o histórico clínico é considerado “fortemente sugestivo” de infecção pelo vírus da raiva. De acordo com a especialista, o episódio reforça a necessidade de vigilância permanente.
“O vírus da raiva tem circulação silvestre. Animais como morcegos e primatas, especialmente os saguis, podem ser reservatórios. Muitas pessoas ainda alimentam saguis ou tentam se aproximar, mas isso deve ser evitado. Eles podem morder ou arranhar, mesmo sem intenção agressiva, e isso representa risco real”, alertou.
Tempo de confirmação do exame
A confirmação da raiva humana depende de exames laboratoriais específicos, que não são realizados no Piauí. Por isso, as amostras do tecido do sistema nervoso central do paciente precisam ser encaminhadas para laboratórios de referência em outros estados, como Pará e Rio de Janeiro.
“Não é qualquer laboratório que consegue fazer esse tipo de exame. São centros especializados em virologia, com estrutura adequada para identificar o vírus com precisão. É um exame mais sensível, que permite fechar o diagnóstico com maior segurança”, afirmou.
Devido ao número limitado de laboratórios aptos a realizar o teste, o prazo para liberação do resultado pode variar entre 30 e 90 dias. Enquanto isso, o caso é tratado seguindo protocolos para encefalite viral, independentemente da confirmação.
Vacinação e atendimento imediato são essenciais
A principal forma de prevenção é a vacinação de animais domésticos, como cães e gatos, que funcionam como ponte entre o ambiente silvestre e o ser humano.
Em caso de mordida ou arranhão, a orientação é procurar imediatamente um serviço de saúde. O tratamento preventivo inclui limpeza do ferimento, aplicação de vacina antirrábica e, em alguns casos, uso de soro antirrábico.
“O ideal é que o atendimento ocorra nas primeiras 24 horas, podendo se estender, no máximo, até 72 horas após a exposição”, concluiu a especialista.