Cultura
Livro de poesias presta homenagem a Oeiras e ao PiauÃ
A obra reúne poemas que celebram a história, a cultura, a fé e a identidade do povo piauiense, transformando o estado em matéria viva de poesia.
Por: Da Redação em 26/01/2026 - 18:27
A cidade de Oeiras, primeira capital do PiauÃ, ganha destaque especial no livro Coração de Sol – Alma Solar do PiauÃ, da escritora Aline Gonçalves Jatahy, que será lançado em breve. A obra reúne poemas que celebram a história, a cultura, a fé e a identidade do povo piauiense, transformando o estado em matéria viva de poesia.
Em versos sensÃveis e imagéticos, Aline percorre paisagens naturais, cidades históricas, tradições populares e personagens marcantes do PiauÃ. Oeiras surge como um dos grandes sÃmbolos do livro, retratada como cidade de memória, devoção e resistência, onde o tempo, a fé e a história caminham juntos.
O livro dedica poemas exclusivos à cidade, exaltando sua importância histórica como primeira capital, sua religiosidade marcante, especialmente na Semana Santa, e seu papel fundamental na formação cultural do estado. A poesia destaca ainda personalidades ligadas a Oeiras e a força de seu povo, que preserva tradições seculares.

Coração de Sol é mais do que um livro de poemas: é um gesto de pertencimento e preservação cultural. A obra convida o leitor a sentir o Piauà com o coração, reconhecendo em cada verso a beleza de uma terra que resiste, floresce e inspira.
O lançamento está previsto para breve e promete ser um marco para a literatura piauiense contemporânea.
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Transcrição dos poemas de Oeiras
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Oeiras – Primeira Capital do PiauÃ
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Oeiras nasceu sob o som dos sinos
primeira voz do Piauà altivo
entre colinas, fé e destinos
desabrochou num gesto coletivo
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No coração da terra nordestina
fez-se capital, raiz, fundação
com passos firmes, luz teresina
e um povo manso em devoção
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Na Semana Santa o tempo ajoelha
e o povo inteiro canta com fervor
cada procissão, cada centelha
renova a alma em honra e em louvor
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Ali nasceu Vavá, cantor de lida
que fez da vila um canto universal
e Clóvis Moura, com voz erguida
rasgou as veias do pensar social
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Dom Edilson, na praça e no altar
leva a palavra em tom de mansidão
e em cada gesto simples de rezar
brota a grandeza dessa população
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A cidade fala em pedra e memória
em cada ladeira há um tempo que pulsa
no chão sagrado vive a própria história
em cada casa um traço que não expulsa
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Oeiras é doçura e resistência
tradição viva entre fé e saber
guarda o passado com benevolência
e ensina ao tempo como renascer
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Oeiras, Berço da Luz
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Oeiras, primeiro clarão do sertão,
erguida no tempo com fé e paixão.
Primeira capital do chão piauiense,
teu nome ressoa, solene, e não cessa ou silencia, jamais se dispense.
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Teus sinos ecoam em nota sagrada,
na Igreja das Vitórias, tua morada.
Primeiro altar deste solo nordestino,
onde o céu se inclina, sereno e divino.
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Teu povo é raiz, é gesto e calor,
é bênção que canta o dom do amor.
No passo das procissões, chão sagrado,
há cheiro de incenso, de milho assado.
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No Centro Histórico, o tempo repousa,
em cada fachada, em cada lousa.
Teus sobrados guardam memórias mil,
de um povo nobre, forte e gentil.
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E quando é Semana Santa, a alma desperta,
toda Oeiras se veste de dor descoberta.
Na Procissão do Bom Jesus dos Passos, o roxo é lamento,
silêncio profundo em cada momento.
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E à noite, as tochas acesas em fé,
desenham o fogo no passo de pé.
Na Procissão do Fogaréu, luz e treva,
num teatro sagrado que o povo celebra.
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Teu rio Canindé corre manso e sereno,
espelho do céu, coração tão ameno.
E quando o sol beija as cúpulas belas,
pintando de ouro as janelas e estrelas…
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É como se o mundo parasse em respeito,
à tua história bordada no peito.
Cada esquina é um livro que fala,
cada rua, uma alma que nunca se cala.
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Oh minha Oeiras, morada primeira,
do sonho, da infância, da tarde faceira.
Teu nome é saudade que nunca se vai,
é canto que mora onde o peito é pai.
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Te celebro em rima, em verso, em flor,
com tinta de afeto, com todo amor.
Pois sou tua filha, teu chão, tua voz,
e em mim tu bates, coração de nós.
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— Aline Gonçalves Jatahy