Cultura

Livro de poesias presta homenagem a Oeiras e ao Piauí

A obra reúne poemas que celebram a história, a cultura, a fé e a identidade do povo piauiense, transformando o estado em matéria viva de poesia.

Livro de poesias presta homenagem a Oeiras e ao Piauí
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A cidade de Oeiras, primeira capital do Piauí, ganha destaque especial no livro Coração de Sol – Alma Solar do Piauí, da escritora Aline Gonçalves Jatahy, que será lançado em breve. A obra reúne poemas que celebram a história, a cultura, a fé e a identidade do povo piauiense, transformando o estado em matéria viva de poesia.

Em versos sensíveis e imagéticos, Aline percorre paisagens naturais, cidades históricas, tradições populares e personagens marcantes do Piauí. Oeiras surge como um dos grandes símbolos do livro, retratada como cidade de memória, devoção e resistência, onde o tempo, a fé e a história caminham juntos.

O livro dedica poemas exclusivos à cidade, exaltando sua importância histórica como primeira capital, sua religiosidade marcante, especialmente na Semana Santa, e seu papel fundamental na formação cultural do estado. A poesia destaca ainda personalidades ligadas a Oeiras e a força de seu povo, que preserva tradições seculares.

Livro de poesias presta homenagem a Oeiras e ao Piauí — imagem 1

Coração de Sol é mais do que um livro de poemas: é um gesto de pertencimento e preservação cultural. A obra convida o leitor a sentir o Piauí com o coração, reconhecendo em cada verso a beleza de uma terra que resiste, floresce e inspira.

O lançamento está previsto para breve e promete ser um marco para a literatura piauiense contemporânea.

Transcrição dos poemas de Oeiras

Oeiras – Primeira Capital do Piauí

Oeiras nasceu sob o som dos sinos

primeira voz do Piauí altivo

entre colinas, fé e destinos

desabrochou num gesto coletivo

No coração da terra nordestina

fez-se capital, raiz, fundação

com passos firmes, luz teresina

e um povo manso em devoção

Na Semana Santa o tempo ajoelha

e o povo inteiro canta com fervor

cada procissão, cada centelha

renova a alma em honra e em louvor

Ali nasceu Vavá, cantor de lida

que fez da vila um canto universal

e Clóvis Moura, com voz erguida

rasgou as veias do pensar social

Dom Edilson, na praça e no altar

leva a palavra em tom de mansidão

e em cada gesto simples de rezar

brota a grandeza dessa população

A cidade fala em pedra e memória

em cada ladeira há um tempo que pulsa

no chão sagrado vive a própria história

em cada casa um traço que não expulsa

Oeiras é doçura e resistência

tradição viva entre fé e saber

guarda o passado com benevolência

e ensina ao tempo como renascer

Oeiras, Berço da Luz

Oeiras, primeiro clarão do sertão,

erguida no tempo com fé e paixão.

Primeira capital do chão piauiense,

teu nome ressoa, solene, e não cessa ou silencia, jamais se dispense.

Teus sinos ecoam em nota sagrada,

na Igreja das Vitórias, tua morada.

Primeiro altar deste solo nordestino,

onde o céu se inclina, sereno e divino.

Teu povo é raiz, é gesto e calor,

é bênção que canta o dom do amor.

No passo das procissões, chão sagrado,

há cheiro de incenso, de milho assado.

No Centro Histórico, o tempo repousa,

em cada fachada, em cada lousa.

Teus sobrados guardam memórias mil,

de um povo nobre, forte e gentil.

E quando é Semana Santa, a alma desperta,

toda Oeiras se veste de dor descoberta.

Na Procissão do Bom Jesus dos Passos, o roxo é lamento,

silêncio profundo em cada momento.

E à noite, as tochas acesas em fé,

desenham o fogo no passo de pé.

Na Procissão do Fogaréu, luz e treva,

num teatro sagrado que o povo celebra.

Teu rio Canindé corre manso e sereno,

espelho do céu, coração tão ameno.

E quando o sol beija as cúpulas belas,

pintando de ouro as janelas e estrelas…

É como se o mundo parasse em respeito,

à tua história bordada no peito.

Cada esquina é um livro que fala,

cada rua, uma alma que nunca se cala.

Oh minha Oeiras, morada primeira,

do sonho, da infância, da tarde faceira.

Teu nome é saudade que nunca se vai,

é canto que mora onde o peito é pai.

Te celebro em rima, em verso, em flor,

com tinta de afeto, com todo amor.

Pois sou tua filha, teu chão, tua voz,

e em mim tu bates, coração de nós.

— Aline Gonçalves Jatahy