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29/04/2026 - 09:43Reconhecimento considera trajetória na inteligência policial e serviços prestados à segurança pública no estado
A casa na localidade Lavandeira guarda sons que não se apagam. O abrir da porta para quem chegava sem aviso, o chamado aos animais no terreiro, a conversa que atravessava a tarde, o jeito atento de quem sempre percebia a necessidade do outro antes mesmo de qualquer palavra. Há um mês, no dia 3 de abril de 2026, essa rotina ganhou outra forma. Partiu Maria da Conceição Santos, aos 78 anos, natural de Oeiras, viúva, nascida em 16 de abril de 1947.
A data da despedida se misturou ao calendário da fé que ela tanto respeitava. Sexta-feira Santa. Dia de silêncio, de caminhada, de oração. Dia em que ela costumava seguir em procissão, acompanhando com devoção cada passo. A coincidência não passa despercebida por quem conviveu com sua forma de crer.
A fé não estava apenas nos momentos religiosos. Estava nos gestos. Devota de São Francisco de Assis, Maria da Conceição traduzia essa devoção no cuidado com os animais, no olhar paciente, na forma como tratava cada vida ao seu redor. No quintal, entre galinhas, cabras e outros bichos, construÃa um cotidiano que unia trabalho e afeto.
No fim do ano passado, uma cena passou a fazer parte das conversas da famÃlia. Uma cabrita nasceu e a mãe morreu durante o parto. Diante da fragilidade do animal, ela não se afastou. Acolheu, deu nome, chamou de Maria Vitória. Passou a alimentar na mamadeira, acompanhando cada pequeno avanço. O gesto revela muito mais do que cuidado. Revela presença, responsabilidade, vÃnculo.
 
 Viúva há 14 anos, manteve o apego à vida no interior. Nunca abriu mão da rotina simples, dos afazeres, do contato com a terra e com os animais. O tempo era dividido entre o trabalho e as pessoas. Conversar fazia parte do seu modo de viver. Ouvir também. Quem chegava encontrava acolhimento imediato. A casa não impunha distância. Recebia.
A preocupação com o outro se mostrava concreta. Diante de alguém passando necessidade, não havia espera. A comida era compartilhada, o apoio vinha sem anúncio. Havia um incômodo sincero ao ver o sofrimento alheio. Esse sentimento guiava suas atitudes.
Sempre manteve disposição para o trabalho. Cuidava da casa, dos animais, dos compromissos do dia a dia. A idade não interrompeu esse ritmo. Havia constância, havia responsabilidade, havia uma forma própria de conduzir a vida.
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Nos últimos meses, o corpo passou a exigir mais atenção. Desde setembro, enfrentava complicações provocadas pela doença de Chagas. O perÃodo foi marcado por internações e cuidados intensivos. Permaneceu um mês e três dias em unidade de terapia intensiva. Em meados de março, recebeu alta e voltou para casa. Passou dez dias ao lado da famÃlia, no espaço que sempre foi seu. No dia 1º de abril, retornou ao hospital. No dia 3 de abril, deu-se o óbito.
O tempo, desde então, segue com outra medida. Um mês não dilui a ausência. Ela se manifesta nos detalhes. Na cadeira que permanece no mesmo lugar, no silêncio que surge onde antes havia conversa, na rotina que continua, ainda que modificada.
A famÃlia registra o que permanece. Não apenas na lembrança, mas na forma como ela conduziu a vida. Cada gesto, cada atitude, cada escolha construiu um caminho reconhecido por quem esteve por perto.

Em mensagem, os filhos expressam gratidão pelas manifestações de carinho recebidas. As visitas, as palavras, as presenças durante o perÃodo de despedida formam uma rede de apoio que sustenta os dias seguintes. O reconhecimento vindo de tantas pessoas aponta para o alcance da convivência que ela construiu ao longo dos anos.
O nome de Maria da Conceição Santos segue ligado a uma história feita de relações. Filhos: Eliana, Elisabete, Elisete, Edilberto e André. Netos: Edivania (in memoriam), Lucas Marcillyo, Vitória, Victor, Rafaella, Noelani, Gabriela, Karyne, Maria Rita, Emanuel e Esdras Henrique. Bisnetos: Vicenzo e Maya.
A famÃlia identifica nesse percurso um legado que não se limita à memória. Está presente nas atitudes que continuam, nos ensinamentos que permanecem sendo praticados, nas formas de cuidado que se repetem.
A ausência é sentida todos os dias. Ao mesmo tempo, a vida que ela construiu segue em movimento, atravessando gerações, ocupando espaços, permanecendo nos gestos de quem aprendeu com ela.
Maria da Conceição Santos permanece onde sempre esteve: naquilo que fez, nas pessoas que tocou, na forma como viveu.


































































