Com 23 anos de experiência, VirteX realiza ações em Alagoinha e Vila Nova; empresa anuncia chegada a Teresina
02/09/2025 - 09:10A VirteX Telecom está prestes a dar um passo importante, sua chegada a Teresina
A inteligência
artificial (IA) generativa deixou de ser uma promessa futurista para se tornar
uma ferramenta de trabalho presente em escritórios de advocacia de todos os
portes.
No entanto, a rapidez com que essas
tecnologias foram adotadas trouxe à tona debates cruciais sobre ética, precisão
e a responsabilidade profissional do advogado.
Utilizar a IA para otimizar processos é
uma estratégia inteligente, mas exige um olhar crítico para evitar falhas que
podem comprometer a defesa de um cliente e a própria carreira do profissional.
O grande desafio reside na natureza
dessas ferramentas, que operam com base em probabilidades estatísticas e não em
um entendimento real do ordenamento jurídico.
Quando um advogado utiliza plataformas
como o ChatGPT para redigir petições ou realizar pesquisas jurisprudenciais sem
a devida supervisão, ele se expõe ao risco das chamadas “alucinações”, onde a
IA cria fatos, leis ou decisões judiciais inexistentes com uma aparência de
veracidade impressionante.
O risco das alucinações e a litigância
de má-fé
Casos recentes no
Judiciário brasileiro e internacional mostram que o uso negligente da IA já
está gerando consequências severas. Recentemente, o ConJur
reportou que o uso de jurisprudência falsa criada por IA gera multa por má-fé,
além de ofícios à OAB para apuração de conduta ética. Isso ocorre porque o
dever de conferência da veracidade das informações apresentadas em juízo é
indelegável e de total responsabilidade do advogado.
A transparência também se tornou um
pilar fundamental. O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e diversos tribunais
têm discutido diretrizes para que o uso de ferramentas generativas seja
informado nos processos, garantindo que a tecnologia sirva como suporte à
inteligência humana, e não como sua substituta. O alerta sobre a
responsabilidade profissional na justiça reforça que a IA deve ser vista como
um rascunho avançado, exigindo sempre uma revisão técnica minuciosa.
Sanções da OAB para o uso indevido de IA
O uso irresponsável
da inteligência artificial pode configurar infração ética, sujeitando o
profissional às sanções previstas no Estatuto da
Advocacia e no Código de Ética da OAB.
Dependendo da gravidade da conduta —
como a apresentação de informações falsas, a violação de sigilo profissional ou
a atuação com negligência — o advogado pode sofrer penalidades que vão desde
advertência e censura até suspensão do exercício profissional e, em casos
extremos, exclusão dos quadros da OAB.
A utilização de conteúdo fabricado por
IA sem conferência, por exemplo, pode ser interpretada como falta de diligência
ou até mesmo como tentativa de induzir o juízo a erro. Além das consequências
processuais, como multas por má-fé, o profissional ainda pode responder a
processo disciplinar perante o Tribunal de Ética e Disciplina da seccional
correspondente.
Assim, a adoção da IA no cotidiano
jurídico não é apenas uma questão tecnológica, mas também de responsabilidade
institucional e reputacional.
Boas práticas para o
uso ético da tecnologia
Para aproveitar os benefícios da IA sem
correr riscos desnecessários, o advogado deve adotar uma postura proativa de
supervisão. Algumas práticas essenciais incluem:
Validação
de Fontes: Nunca utilize uma citação jurisprudencial
ou base legal fornecida pela IA sem antes conferir a fonte original nos
repositórios oficiais dos tribunais.
Proteção
de Dados: Evite inserir dados sensíveis de clientes
ou detalhes sigilosos de processos em ferramentas de IA públicas, respeitando a
Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e o sigilo profissional.
Treinamento
Específico: Invista em ferramentas de IA desenvolvidas
especificamente para o mercado jurídico, que utilizam bases de dados curadas e
oferecem maior segurança técnica.
Em conclusão, a inteligência artificial
generativa é uma aliada poderosa que pode aumentar drasticamente a
produtividade jurídica.
No entanto, o sucesso no uso da IA na
advocacia moderna depende da capacidade do profissional de manter o controle
ético e técnico sobre a máquina. A tecnologia evolui, mas a responsabilidade de
garantir a justiça e a veracidade dos fatos permanece sendo, exclusivamente, do
ser humano por trás da carteira da OAB.