O uso responsável da inteligência artificial generativa na advocacia
04/03/2026 - 10:11A adoção da IA no cotidiano jurídico não é apenas uma questão tecnológica, mas também de responsabilidade institucional e reputacional
Se você já
está familiarizado com o conceito de Software como Serviço (SaaS), saiba que
existe uma evolução natural desse modelo que vem ganhando espaço rapidamente no
mercado corporativo: o Device as a Service, ou simplesmente DaaS.
Embora já
seja amplamente adotado em mercados mais maduros como Estados Unidos e Europa,
o modelo começa a se consolidar no Brasil a partir de 2025 e promete
transformar a forma como empresas lidam com tecnologia no dia a dia.
O conceito de
DaaS é simples e ao mesmo tempo bastante estratégico. Em vez de investir
grandes quantias na compra de equipamentos como notebooks, desktops, tablets e smartphones, a empresa
passa a contratar esses dispositivos como um serviço.
Funciona
assim: a organização paga uma mensalidade para um fornecedor, que se
responsabiliza por fornecer os equipamentos, garantir manutenção, suporte
técnico, atualizações e, em muitos casos, soluções de segurança digital.
Na prática, é
uma mudança de mentalidade. Sai o modelo de propriedade e entra o modelo de
uso. A empresa deixa de “possuir” os ativos e passa a consumir tecnologia
conforme sua necessidade.
Um dos
principais fatores que impulsionam o DaaS é o aspecto financeiro. Em vez de um
alto investimento inicial, conhecido como CAPEX, a empresa transforma esse
gasto em uma despesa operacional previsível, o OPEX. Isso melhora o fluxo de
caixa e facilita o planejamento financeiro.
Outro ponto
relevante é a simplificação da gestão de tecnologia. Empresas não precisam mais
se preocupar com inventário, depreciação de equipamentos ou substituição de
máquinas antigas. Tudo isso fica sob responsabilidade do fornecedor.
O crescimento
do trabalho remoto e híbrido também acelerou essa tendência. Com equipes
distribuídas, torna-se mais complexo gerenciar dispositivos de forma
tradicional. O DaaS surge como uma solução prática para escalar operações com
agilidade.
Segundo a IDC
Brasil, o mercado brasileiro de DaaS apresentou crescimento consistente nos
últimos anos, impulsionado justamente por essa nova dinâmica de trabalho e pela
necessidade de eficiência operacional.
Grandes
empresas e organizações com operações distribuídas são as que mais se
beneficiam do modelo. Isso inclui companhias com múltiplas filiais, equipes em
home office ou alta rotatividade de funcionários.
No entanto, o
DaaS também vem se tornando atrativo para startups e pequenas empresas em
expansão. Para esses negócios, a possibilidade de acessar equipamentos modernos
sem comprometer o capital inicial pode fazer toda a diferença.
Além disso,
empresas em rápido crescimento conseguem ajustar rapidamente o número de
dispositivos contratados, evitando tanto a falta quanto o excesso de recursos.
Apesar das
vantagens, o modelo exige análise cuidadosa. Um dos principais pontos é o custo
total ao longo do tempo. Em alguns casos, o valor acumulado das mensalidades
pode superar o investimento em compra direta.
Por isso, é
fundamental calcular o TCO, ou Total Cost of Ownership, considerando não apenas
o preço dos equipamentos, mas também custos indiretos como manutenção, suporte
e gestão.
Outro fator
importante é a dependência do fornecedor. Ao terceirizar toda a infraestrutura
de dispositivos, a empresa precisa confiar na continuidade e na qualidade do
serviço prestado.
Especialistas
recomendam atenção especial aos contratos, principalmente aos Service Level
Agreement (SLAs). Esses acordos definem prazos de atendimento, níveis de
serviço e responsabilidades. Também é essencial revisar cláusulas de rescisão
para evitar problemas futuros.
O mercado
brasileiro já conta com grandes players oferecendo soluções estruturadas de
DaaS. Fabricantes globais como HP, Dell e Lenovo lideram esse movimento,
geralmente em parceria com distribuidores e integradores locais.
Além deles,
empresas especializadas em serviços de tecnologia, como Logicalis e Atos,
também oferecem soluções personalizadas, adaptadas às necessidades de empresas
brasileiras.
Esses
fornecedores costumam montar pacotes sob medida, levando em conta o porte da
empresa, o perfil dos colaboradores e o nível de suporte necessário.
A tendência é
clara. O modelo de dispositivos como serviço deve continuar crescendo no Brasil
nos próximos anos, acompanhando a digitalização das empresas e a busca por
maior eficiência operacional.
À medida que
mais gestores entendem os benefícios do DaaS, a adoção tende a se expandir para
diferentes setores da economia. Empresas que antes viam a tecnologia como um
ativo passam a encará-la como um serviço estratégico.
No fim das
contas, o DaaS representa mais do que uma mudança na forma de adquirir
equipamentos. Ele reflete uma transformação mais ampla na maneira como as
empresas operam, priorizando flexibilidade, escalabilidade e foco no core do
negócio.