Oeiras
Oeiras dos velhos casarões, das ruas largas que nos remetem ao passado. Teus becos e praças transpiram história e cultura. Teu povo professa uma fé cristã intensa e fervorosa. Os sinos de tuas igrejas badalam reforçando essa fé. A tradição reina sobre ti. Uma sede de conhecimento perturba o espírito irrequieto de teus jovens ao mesmo tempo que os mestres anseiam por transmiti-lo de geração a geração. Teus morros e colinas correm sobre teu relevo subindo e descendo, dando a ti uma sinuosidade bela e rica.
Personagens históricos transcendem por tuas ruas e casarios, em meio aos viventes que sentem no ar sua presença marcante. A cada porta que se abre ou se fecha, parecem correr negros escravos gritando por liberdade num passado não muito distante. A velhice de teus filhos não reflete cansaço, mas sabedoria e prudência.
Oeiras do riacho Mocha que choraminga algumas lágrimas, correndo e escondendo-se em alguma loca, acanhado e zangado por não encontrar mais seu leito macio de terra que Deus lhe deu.
Oeiras, no alto do Leme, a Virgem Santa abre os braços e te abençoa!
Jesualdo Alves