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Oeiras amada, idolatrada, salve! Salve!

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 Leidiane Ferraz*


Recentemente no site do “TERRA PIAUÍ”, publicou-se matéria com dados que me tiraram atenção dos meus trabalhos técnicos jurídicos, e me assentei a concluir tal artigo que seria da realidade dos eleitores nordestinos, sendo que assim foram feitas várias alterações tudo em face de uma realidade mais próxima, da minha querida cidade e região. No site então noticiou matéria com título “Eleitorado de Oeiras tem aumento de 3,8% para as eleições de 2010”.


De acordo com tais dados da matéria fornecidos pelo cartório eleitoral de Oeiras, sinalizo como é preocupante o nível de escolaridade dos eleitores da nossa primeira capital e região. Coloco aqui que sabido é o baixo nível de escolaridade da grande maioria da população de eleitores de nossa região, mas fiquei perturbada em não conceber que era tão “berrante” e “impactante”.


Assim ignorante a tais dados precisos do eleitorado de nossa região em especial para o “nível de escolaridade” coloco que conheço várias pessoas analfabetas que possuem senso crítico da realidade. Pondero, no entanto, que essa influência é relativa, pois creio que uma escolaridade melhor pode influenciar na politização da sociedade.


Compartilho então com o mesmo posicionamento que defende o cientista político Jorge Almeida dividindo o eleitorado em dois tipos: “aqueles que votam baseados em valores dos seus candidatos, como critérios morais e religiosos, e outros que decidem de forma mais pragmática, votando com o pensamento nas vantagens imediatas que podem ser obtidas. Mas, Almeida ressalva, o primeiro grupo também não está imune a votar de modo imediatista, só que há nele a maior possibilidade de pensar em resultados a médio e longo prazo.” Avalia ainda o cientista que o segundo grupo: “estaria ainda mais vulnerável à influência de políticas assistencialistas e compra de votos”. Segundo ele, há a tendência de que as pessoas com baixa escolaridade façam parte deste grupo. “Mas, na verdade, não quer dizer que os eleitores com alta escolaridade votem melhor”, diz o cientista.


Avalio que por mais que os can­di­da­tos uti­li­zem de di­ver­sas fer­ra­men­tas pa­ra a di­fu­são de su­as pro­pos­tas e idei­as, o elei­to­ra­do ain­da con­ti­nua bas­tan­te res­tri­to na captação de in­for­ma­ções. Res­sal­to mais uma vez que o bai­xo ní­vel de es­co­la­ri­da­de faz com que a men­sagem mui­tas ve­zes não se­ja ab­sor­vi­da co­mo o es­pe­ra­do. Is­so faz com que o elei­to­ra­do se tor­ne mais con­ser­va­dor, as­si­mi­lan­do dis­cur­sos su­per­fi­ci­ais, o pró­prio elei­tor aca­ba então con­di­cio­nan­do seu ní­vel de par­ti­ci­pa­ção.


Existindo es­sa sim­pli­fi­ca­ção os can­di­da­tos se adap­tam de for­ma a aten­der ao per­fil do elei­to­ra­do, me­nos pre­o­cu­pa­do com pro­pos­tas de gran­de im­pac­to, mas que atendam a ne­ces­si­da­des pon­tu­ais. O que verificamos é que o dis­cur­so não tem mais cri­té­rio, há um in­ves­ti­men­to mas­si­vo especialmente em pro­pa­gan­das nas gran­des mí­di­as pas­san­do men­sa­gens de fá­cil ab­sor­ção e pou­ca pro­fun­di­da­de. Tornando o eleitor frágil diante dos candidatos.


Caros eleitores da quinta zona eleitoral do Piauí e caros eleitores do Brasil acompa­nho infelizmente e nitidamente um pro­ces­so de des­po­li­ti­za­ção da so­ci­e­da­de. As es­co­las principalmente não in­cen­ti­vam a par­ti­ci­pa­ção e o de­ba­te de te­mas de in­te­res­se co­le­ti­vo, há um ver­da­dei­ro blo­queio. Ati­tu­des co­mo es­sas têm ge­ra­do amar­ras e cri­a­do uma ge­ra­ção de jo­vens alie­na­dos. Mes­mo os que em al­gum mo­men­to se in­te­res­sam, aca­bam se iso­lan­do da po­lí­ti­ca, hor­ro­ri­za­dos com os ca­sos de cor­rup­ção de­nun­ci­a­dos cons­tan­te­men­te pe­la im­pren­sa. Aca­ba-se vo­tan­do por ou­tros mo­ti­vos, in­clu­si­ve pe­la obri­ga­to­ri­e­da­de do vo­to no Bra­sil. Oeiras, amada, idolatrada, Salve! Salve!




* Leidiane
 Ferraz é eleitora da 5ª zona eleitoral do Estado do Piauí e advogada.
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