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Projeto Sonora Brasil chega a Oeiras com grupos de cultura popular

Sonora Brasil é um projeto temático do Sesc com apoio da Secretaria Municipal de Cultura.

28 de Julho de 2017 às 12h20 Imprimir

Atualizada em 31/07/2017 às 10h24

 Em agosto, mês que celebra o folclore brasileiro, Oeiras receberá grupos de cocos de quatro estados. As apresentações fazem parte do Sonora Brasil, projeto temático do Sesc, com apoio da Secretaria Municipal de Cultura, que tem como objetivo levar ao público expressões musicais pouco difundidas e que integram o amplo cenário da cultura popular musical brasileira. O acesso é gratuito.

A primeira apresentação agendada é Coco de Zambê (RN), que ocorre na próxima quarta-feira (02), no Patamar da Igreja de Nossa Senhora do Rosário, às 20h. No dia seguinte (03), é a vez do Mercado Municipal Dona Lili receber o grupo Coco do Iguape (CE), às 9h. Na sexta-feira (04), o Patamar da Igreja do Rosário recebe o Coco de Tebei (PE). E fechando o ciclo de apresentações em Oeiras, no sábado (05), o Samba de Pareia da Mussuca (SE) mostra sua arte na Praça de Eventos, às 20h.

Em sua 20ª edição, apresenta este ano o tema "Na Pisada dos Cocos". Coco de roda, samba de coco, coco de zambê, coco de pareia, coco furado e coco de embolada. São muitas as variantes que justificam a denominação "cocos", gênero folclórico advindo das culturas indígena e africana. "Na Pisada dos Cocos" apresenta variantes desta expressão lítero-cênico-musical típica da região Nordeste do Brasil trazendo dois grupos que praticam cocos do litoral e dois do interior.

Com essa temática, o Sonora Brasil Sesc visa reproduzir a prática coletiva encontrada em áreas urbanas, e também nas rurais, onde a dança e a música, integradas, estão presentes nos terreiros, nas festas populares e em ritos religiosos.

Cantadores e dançadores são acompanhados ora por instrumentos de percussão ora por palmas ou pela batida dos pés que marcam o andamento, simulando a pisada que prepara o chão batido.

Data: 02 de agosto
- Coco de Zambê (RN)

Horário: 20h
Local: Patamar da Igreja do Rosário

Coco Zambê. É principalmente no município de Tibau do Sul, litoral do Rio Grande do Norte, que encontramos o Coco de Zambê, expressão cultural que, segundo pesquisadores, chegou aos engenhos de cana de açúcar e colônias pesqueiras da região através de africanos escravizados.

Dois tambores estão presentes na maioria dos grupos que praticam o Coco de Zambê: o próprio Zambê, também conhecido como pau furado ou oco de pau, que é maior e mais grave, e o Chama, ambos construídos artesanalmente com troncos de árvores da região. Além desses tambores outros instrumentos de percussão podem ser encontrados, inclusive a lata, usada no grupo do Mestre Geraldo que, na verdade, é o reaproveitamento da lata de 18 litros, utilizada no comércio de tintas.

A música se caracteriza como um canto responsorial, puxado pelo mestre e respondido pelo coro de vozes, e a dança acontece numa roda que mantém ao centro os tocadores. Os brincantes se revezam reverenciando o tambor e realizando passos livres de grande energia que lembram movimentos da capoeira e do frevo. Uma de suas principais características é o fato de ser praticado apenas por homens.


Data: 03 de agosto
- Coco do Iguape (CE)

Horário: 9h
Local: Mercado Municipal Dona Lili

Coco do Iguape. Aquiraz fica a 30 Km de Fortaleza, no litoral cearense, e a Praia do Iguape, localizada neste município, que foi a primeira capital do estado do Ceará, é onde moram os integrantes do grupo. Eles praticam a pesca artesanal, principal atividade econômica da região, e são liderados pelos mestres Raimundo da Costa, que desde os dez anos de idade, como ele mesmo conta, pratica o coco de embolada e Chico Caçuêra.

Segundo pesquisadores, o Coco do Iguape tem uma característica peculiar que é o andamento mais acelerado e uma dança mais "pulada". Como outros cocos do litoral, o grupo se apresenta descalço, como os pescadores costumam andar. A vestimenta é feita artesanalmente com o mesmo tecido usado nas velas das jangadas e tingida com a tinta retirada da casca do cajueiro azedo, árvore encontrada na região.

Os instrumentos utilizados pelo grupo são o caixão (espécie de Cajon), que é feito de madeira em forma de caixa, permitindo que o tocador fique sentado sobre o instrumento, e o ganzá, espécie de chocalho feito com latas reutilizadas, ambos fabricados pelos próprios integrantes. O triângulo, pouco encontrado em grupos de coco, foi inserido a partir de influências externas.

Data: 04 de agosto
- Coco de Tebei (PE)

Horário: 20h
Local: Patamar da Igreja do Rosário

Coco de Tebei. O Coco de Tebei é cantado por mulheres e dançado por casais. Não utiliza instrumentos e a base rítmica é marcada pela pisada dos dançadores. A sonoridade que resulta do canto somado ao ritmo da pisada nos remete, de certa forma, a uma ritualística indígena, que se caracteriza pelo contraste de timbre entre o metal das vozes femininas e o som seco da pisada no chão, e pela ausência de nuances em cada um dos elementos. Também faz parte da memória do grupo a cantoria do rojão, associado ao uso da enxada na preparação da terra para o plantio.

Data: 05 de agosto
- Samba de Pareia da Mussuca (SE)

Horário: 20h
Local: Praça de Eventos

Samba de Pereia da Mussuca. O Samba de Pareia, segundo relatos, surgiu há mais de 300 anos entre os escravos que trabalhavam nos canaviais, como uma forma de ocupar o pouco tempo de descanso que tinham ao longo de sua jornada diária de trabalho. O nome viria do fato de ser dançado em pares.

Na Mussuca, o Samba de Pareia é dançado por mulheres. Os homens acompanham apenas como tocadores que sustentam o ritmo com dois tambores médio-graves, uma cuíca e um ganzá, tocado por uma das mulheres. O principal elemento rítmico é a pisada dos tamancos das dançadeiras que fazem toda a diferença na sonoridade e na harmonia.

Uma peculiaridade desta manifestação cultural é o fato de estar relacionada a um ritual de nascimento que vem dos antepassados, onde o grupo se apresenta para manifestar a alegria pela chegada de mais uma criança no povoado, dando-lhe as boas-vindas no seu décimo quinto dia de vida.

A Mussuca fica a 23 Km de Aracaju, capital sergipana. É uma comunidade de remanescentes quilombolas que se empenha para manter as tradições herdadas de seus antepassados, como a Dança de São Gonçalo e o Samba de Pareia.




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Fonte: Ascom/ PMO  |  Edição: Redação Oeiras

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