A primeira apresentação agendada é Coco de Zambê (RN), que ocorre na próxima quarta-feira (02), no Patamar da Igreja de Nossa Senhora do Rosário, às 20h. No dia seguinte (03), é a vez do Mercado Municipal Dona Lili receber o grupo Coco do Iguape (CE), às 9h. Na sexta-feira (04), o Patamar da Igreja do Rosário recebe o Coco de Tebei (PE). E fechando o ciclo de apresentações em Oeiras, no sábado (05), o Samba de Pareia da Mussuca (SE) mostra sua arte na Praça de Eventos, às 20h.
Em sua 20ª edição, apresenta este ano o tema "Na Pisada dos Cocos". Coco de roda, samba de coco, coco de zambê, coco de pareia, coco furado e coco de embolada. São muitas as variantes que justificam a denominação "cocos", gênero folclórico advindo das culturas indígena e africana. "Na Pisada dos Cocos" apresenta variantes desta expressão lítero-cênico-musical típica da região Nordeste do Brasil trazendo dois grupos que praticam cocos do litoral e dois do interior.
Com essa temática, o Sonora Brasil Sesc visa reproduzir a prática coletiva encontrada em áreas urbanas, e também nas rurais, onde a dança e a música, integradas, estão presentes nos terreiros, nas festas populares e em ritos religiosos.
Cantadores e dançadores são acompanhados ora por instrumentos de percussão ora por palmas ou pela batida dos pés que marcam o andamento, simulando a pisada que prepara o chão batido.
Data: 02 de agosto
- Coco de Zambê (RN)
Horário: 20h
Local: Patamar da Igreja do Rosário
Coco Zambê. É principalmente no município de Tibau do Sul, litoral do Rio Grande do Norte, que encontramos o Coco de Zambê, expressão cultural que, segundo pesquisadores, chegou aos engenhos de cana de açúcar e colônias pesqueiras da região através de africanos escravizados.
Dois tambores estão presentes na maioria dos grupos que praticam o Coco de Zambê: o próprio Zambê, também conhecido como pau furado ou oco de pau, que é maior e mais grave, e o Chama, ambos construídos artesanalmente com troncos de árvores da região. Além desses tambores outros instrumentos de percussão podem ser encontrados, inclusive a lata, usada no grupo do Mestre Geraldo que, na verdade, é o reaproveitamento da lata de 18 litros, utilizada no comércio de tintas.
A música se caracteriza como um canto responsorial, puxado pelo mestre e respondido pelo coro de vozes, e a dança acontece numa roda que mantém ao centro os tocadores. Os brincantes se revezam reverenciando o tambor e realizando passos livres de grande energia que lembram movimentos da capoeira e do frevo. Uma de suas principais características é o fato de ser praticado apenas por homens.
Data: 03 de agosto
- Coco do Iguape (CE)
Horário: 9h
Local: Mercado Municipal Dona Lili
Coco do Iguape. Aquiraz fica a 30 Km de Fortaleza, no litoral cearense, e a Praia do Iguape, localizada neste município, que foi a primeira capital do estado do Ceará, é onde moram os integrantes do grupo. Eles praticam a pesca artesanal, principal atividade econômica da região, e são liderados pelos mestres Raimundo da Costa, que desde os dez anos de idade, como ele mesmo conta, pratica o coco de embolada e Chico Caçuêra.
Segundo pesquisadores, o Coco do Iguape tem uma característica peculiar que é o andamento mais acelerado e uma dança mais "pulada". Como outros cocos do litoral, o grupo se apresenta descalço, como os pescadores costumam andar. A vestimenta é feita artesanalmente com o mesmo tecido usado nas velas das jangadas e tingida com a tinta retirada da casca do cajueiro azedo, árvore encontrada na região.
Os instrumentos utilizados pelo grupo são o caixão (espécie de Cajon), que é feito de madeira em forma de caixa, permitindo que o tocador fique sentado sobre o instrumento, e o ganzá, espécie de chocalho feito com latas reutilizadas, ambos fabricados pelos próprios integrantes. O triângulo, pouco encontrado em grupos de coco, foi inserido a partir de influências externas.
Data: 04 de agosto
- Coco de Tebei (PE)
Horário: 20h
Local: Patamar da Igreja do Rosário
Coco de Tebei. O Coco de Tebei é cantado por mulheres e dançado por casais. Não utiliza instrumentos e a base rítmica é marcada pela pisada dos dançadores. A sonoridade que resulta do canto somado ao ritmo da pisada nos remete, de certa forma, a uma ritualística indígena, que se caracteriza pelo contraste de timbre entre o metal das vozes femininas e o som seco da pisada no chão, e pela ausência de nuances em cada um dos elementos. Também faz parte da memória do grupo a cantoria do rojão, associado ao uso da enxada na preparação da terra para o plantio.
Data: 05 de agosto
- Samba de Pareia da Mussuca (SE)
Horário: 20h
Local: Praça de Eventos
Samba de Pereia da Mussuca. O Samba de Pareia, segundo relatos, surgiu há mais de 300 anos entre os escravos que trabalhavam nos canaviais, como uma forma de ocupar o pouco tempo de descanso que tinham ao longo de sua jornada diária de trabalho. O nome viria do fato de ser dançado em pares.
Na Mussuca, o Samba de Pareia é dançado por mulheres. Os homens acompanham apenas como tocadores que sustentam o ritmo com dois tambores médio-graves, uma cuíca e um ganzá, tocado por uma das mulheres. O principal elemento rítmico é a pisada dos tamancos das dançadeiras que fazem toda a diferença na sonoridade e na harmonia.
Uma peculiaridade desta manifestação cultural é o fato de estar relacionada a um ritual de nascimento que vem dos antepassados, onde o grupo se apresenta para manifestar a alegria pela chegada de mais uma criança no povoado, dando-lhe as boas-vindas no seu décimo quinto dia de vida.
A Mussuca fica a 23 Km de Aracaju, capital sergipana. É uma comunidade de remanescentes quilombolas que se empenha para manter as tradições herdadas de seus antepassados, como a Dança de São Gonçalo e o Samba de Pareia.




