Saúde no Mural

Psicóloga Millena Faustino aponta sinais e fatores que afetam a saúde mental no cotidiano

Especialistas apontam impacto da rotina, das relações e do uso de tecnologia no equilíbrio emocional

Psicóloga Millena Faustino aponta sinais e fatores que afetam a saúde mental no cotidiano
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O cuidado com a saúde mental envolve fatores que atravessam a rotina, as relações sociais e as condições de vida. O tema tem presença cada vez maior em espaços de debate e nos serviços de saúde, diante do aumento de queixas relacionadas à ansiedade, ao cansaço emocional e à dificuldade de concentração em diferentes faixas etárias.

A organização do dia a dia, a qualidade do sono, o excesso de estímulos digitais e a forma como cada pessoa lida com pressões externas estão entre os elementos que influenciam diretamente o bem-estar psicológico. Em muitos casos, os sinais aparecem de forma gradual, com alterações no humor, irritabilidade, desânimo persistente e queda no rendimento em tarefas simples.

A psicóloga Millena Faustino observa que a percepção desses sinais ainda encontra barreiras no cotidiano. “Muitas pessoas se acostumam com níveis elevados de cansaço emocional e passam a considerar esse estado como parte da rotina. Quando não há uma pausa para observar o que está acontecendo, esses sinais tendem a se intensificar e a interferir em várias áreas da vida”, explicou.

O uso contínuo de dispositivos eletrônicos também aparece como um dos pontos de atenção, sobretudo entre crianças e adolescentes. A exposição prolongada a telas, associada à redução de momentos de descanso e interação presencial, tem impacto na qualidade do sono e na regulação emocional.

Psicóloga Millena Faustino aponta sinais e fatores que afetam a saúde mental no cotidiano — imagem 1

Millena Faustino destaca que o acompanhamento psicológico contribui para a compreensão desses processos. “O espaço terapêutico permite que a pessoa organize pensamentos, identifique padrões de comportamento e compreenda melhor suas emoções. Esse processo não se restringe a situações extremas. Ele pode estar presente como parte do cuidado regular com a saúde, ajudando na tomada de decisões e na condução das relações pessoais e profissionais”, afirmou.

Outro aspecto considerado pelos profissionais é a importância das redes de apoio. A presença de vínculos familiares, sociais e institucionais influencia diretamente a forma como cada pessoa enfrenta períodos de maior pressão. Ambientes que favorecem o diálogo tendem a facilitar a busca por orientação e acompanhamento.

Millena Faustino também chama atenção para a necessidade de tratar o tema com clareza. “Quando a saúde mental é discutida de forma acessível, as pessoas conseguem identificar com mais facilidade o que estão sentindo e entendem que existe suporte disponível. Isso contribui para que o cuidado deixe de ser adiado e passe a fazer parte da rotina”, declarou.

A psicóloga acrescenta que o ritmo de vida atual também precisa ser observado com mais atenção. “A gente vive na sociedade do cansaço e isso é visto como sinal de alto rendimento. Estamos esquecendo que descansar também é saúde”, afirmou.

O acesso a serviços de saúde, a ampliação de informações e a inclusão do tema em diferentes espaços sociais compõem o cenário atual. O cuidado com a saúde mental passa a ser entendido como parte da vida cotidiana, com atenção contínua aos sinais e às necessidades individuais.