Dia do Consumidor provoca reflexão sobre eficácia das decisões da Justiça
15/03/2026 - 12:03Análise aponta que o principal desafio da proteção consumerista hoje é reduzir a distância entre o direito reconhecido pela Justiça e sua aplicação real.
Por Carlos Rubem
Veio-me à memória, hoje (16.03.2026), um fato que muito me deixou desolado. Encontrava-me numa galeria, situada na avenida Paulista, em Sampa, comprando um livro, quando recebi um telefonema da minha mãe, Aldenora Campos, comunicando-me o falecimento de João Damasceno de Oliveira Leite, 66, vítima de ataque cardíaco, pela madrugada, há, exatos, 15 anos.
Éramos vizinhos da Rua da Feira, em Oeiras. O seu pai, Pedro Leite, figura engraçada, era primo da minha avó materna, Bembém. A sua genitora, Vitalina, foi criada, com todo mimo, na casa do meu bisavô, Antônio Tapety. Desfrutávamos de intimidade familiar. Menino curioso, ficava admirado com as manchas brancas corporais em face do vitiligo de que era acometido.
A tia Amália Campos, professora, do alto dos seus 102 anos, gosta de ressaltar que o alfabetizou. Aluno do antigo Ginásio Municipal Oeirense. Estudou, em Fortaleza, no Colégio Ceará. Tornou-se Técnico em Contabilidade, em Teresina.
Moreno charmoso, olhos esverdeados. Espadaúdo, vestia-se com aprumo. Tinha coleções de roupas. O seu velho, espirituoso, dizia que cada palavra escrita por João Leite, valia um boi!
Grande jogador de futebol, centroavante. Seu chute era forte, indefensável. Atleta completo em diversas modalidades desportivas. Flamenguista doente. Sabia de notícias acerca do esporte bretão. Andava carregando seu rádio de pilhas.
Apreciava, também, o carteado, dominó, sinuca, bilhar, tudo com muito exímio e sorte. Bebia bem. Gostava de umas louras geladas. Excelente dançarino. Bonito vê-lo na gafieira.
Discreto, conveniente, perspicaz. Ingressou no serviço público, em 1971, como Assessor do então prefeito Juarez Tapety, que o estimava. Tinha ligação funcional à Assembleia Legislativa do Piauí. Chefe do escritório do Detran local.
Cativava as pessoas pela sua simplicidade. Solidário com os mais desfavorecidos. Cultivava boas amizades. Observador da cena citadina. Jamais tratava de um assunto importante, delicado, com seu interlocutor, às escâncaras. Tudo se resolvia na esfera privada, à socapa. Sensível político. Dava nó em pingo d’água!
Em 1992, elegeu-se vereador à Câmara Municipal de Oeiras e nos quatros pleitos subsequentes, sempre com expressiva votação. Fato inusitado: nunca fez uso da palavra em palanque eleitoral e nem muito tão pouco assomou o parlatório mirim. O auditório da aludida Casa Legislativa leva o seu nome.
Teve mil namoradas. Madurão, casou-se com Maria das Graças Freitas Reis Leite, com quem houve um único filho. Se vivo fosse, conheceria o João Victor, 09 meses, filho Weiman, seu herdeiro, com a Mara Rúbia, sua nora. Iria adorar seu netinho!
