Geral

Carta da filha de Rita Vieira relata sofrimento vivido pela mãe e pede justiça após feminicídio em Oeiras

Érica Batista reúne lembranças sobre Rita Vieira e menciona depressão e anos de agressões psicológicas

Carta da filha de Rita Vieira relata sofrimento vivido pela mãe e pede justiça após feminicídio em Oeiras
Compartilhar
WhatsApp

A dor deixada pelo feminicídio de Rita Vieira, de 60 anos, na localidade Riacho Fundo, zona rural de Oeiras, ganhou voz pública por meio de uma carta aberta escrita pela filha da vítima, Érica Batista e enviada ao Mural da Vila. No texto, ela descreve a mãe como uma mulher de força, honestidade e fé, relata anos de sofrimento dentro do casamento e faz um apelo por justiça.

Rita Vieira foi morta na manhã de terça-feira (30), dentro da casa onde morava com uma facada na região do pescoço. O principal suspeito do crime foi preso poucas horas depois no Mercado Municipal de Oeiras. Em depoimento à Polícia Civil, ele confessou o assassinato.

A carta escrita por Érica Batista acrescenta ao caso um relato sobre a vida da mãe. A filha afirma que Rita enfrentava depressão havia 19 anos em decorrência de maus-tratos e sofria agressões psicológicas diariamente. Também relata que a mãe permaneceu por 36 anos em um relacionamento que, segundo descreve, lhe tirava a paz, comprometia sua saúde e abalava sua vontade de viver.

Ao recordar a trajetória de Rita Vieira, Érica destaca a mulher que criou três filhos “com honra, idoneidade, sabedoria e fé”, uma mãe que, apesar das marcas deixadas pelo sofrimento, ainda encontrava alegria nas coisas mais simples da vida. A carta também fala do orgulho que Rita tinha da família, do amor dedicado às duas netas e do vazio deixado por sua morte.

O texto publicado pela filha reúne lembranças sobre Rita Vieira e apresenta a versão da família sobre os anos vividos pela vítima dentro do relacionamento. Ao tornar pública essa narrativa, a carta acrescenta ao caso elementos sobre a vida da vítima, o sofrimento relatado pelos familiares e o impacto da morte dentro da própria família.

A seguir, a íntegra da carta aberta publicada por Érica Batista:

Carta aberta para minha mãe!

"Mãe, falar da senhora é falar de força.

O legado que a senhora deixou para seus três filhos nós carregaremos eternamente. Rita Batista, filha de Mário Batista e Alexandrina dos Anjos, foi uma mulher honesta, que criou os três filhos com honra, idoneidade, sabedoria e fé.

Sua vida foi interrompida aos 60 anos, quando ainda tinha muito pela frente. Era uma mulher de garra, com vontade de viver.

Minha mãe enfrentava a depressão havia 19 anos, em decorrência dos maus-tratos. Sofria agressões psicológicas todos os dias. Mesmo assim, honrou seu matrimônio até o último dia. Viveu 36 anos ao lado de quem tirava sua paz, sua saúde e sua vontade de viver.

Apesar de tudo o que passou, minha mãe encontrava felicidade nas coisas mais simples que a vida lhe oferecia. Era uma mãe realizada, e seus filhos sempre lhe deram orgulho. Tinha duas netas lindas e maravilhosas, que eram a vida dela.

Peçamos justiça.

Que a justiça seja feita.

Que Deus lhe conceda a paz, minha mãe.

Aqui ficam a saudade devastadora, a dor e a indignação".

O caso segue sob investigação da Polícia Civil de Oeiras. Após ser preso e levado para a Delegacia Regional, o suspeito passou por audiência de custódia e permanece à disposição da Justiça, enquanto o inquérito prossegue para reunir os elementos que irão compor a responsabilização criminal pelo feminicídio.

Carta da filha de Rita Vieira relata sofrimento vivido pela mãe e pede justiça após feminicídio em Oeiras — imagem 1

Carta da filha de Rita Vieira relata sofrimento vivido pela mãe e pede justiça após feminicídio em Oeiras — imagem 2

Carta da filha de Rita Vieira relata sofrimento vivido pela mãe e pede justiça após feminicídio em Oeiras — imagem 3

Carta da filha de Rita Vieira relata sofrimento vivido pela mãe e pede justiça após feminicídio em Oeiras — imagem 4

Carta da filha de Rita Vieira relata sofrimento vivido pela mãe e pede justiça após feminicídio em Oeiras — imagem 5