Entre decisões e efeitos: o que o sistema de Justiça pode (e precisa) ajustar nas relações bancárias
23/03/2026 - 17:36Uma reflexão a partir do cotidiano forense e do Dia do Consumidor
POR CARLOS RUBEM
Tenho lembrado ao atual Presidente da Associação do Comércio, Indústria e Agricultura Oeirense, Aedson Alcoforado, que no fluente ano assinala o centenário da sobredita entidade.
Já participei esse fato às autoridades municipais, em face de sua relevância coletiva. Espero que haja mobilização no sentido de se realizarem merecidas ações comemorativas, o que dará destaque à cidade. Porém, até agora, nada foi planejado, mas há tempo para tanto.
Fundada no dia 30.05.1926, seus primeiros diretores foram: Orlando Barbosa de Carvalho – Presidente; Miguel Dias de Oliveira – Vice-Presidente; José Nogueira Tapety, 1º Secretário; Joaquim Ferreira de Sousa Martins – 2º Secretário; João Ribeiro de Carvalho – Orador. Membros do Conselho Deliberativo: Augusto Rocha Neto, Cândido Martins de Sá, José Rego de Carvalho, Pedro Ferreira de Sousa Martins, Luís Rego de Carvalho, Roberto José de Amorim e José Martins de Sá.
Já tive a oportunidade de fazer apontamentos nos seus arquivos. Palpitantes assuntos foram discutidos no seu seio, nos seus primeiros anos de existência, a exemplo: (a) a passagem da Coluna Prestes em Oeiras foi motivo de consideração do sócio Dr. João Carvalho que propôs que fosse feita uma estatística dos prejuízos ocasionados pelos “rebeldes”; (b) o engenheiro conerrâneo, Dr. Raimundo Barbosa de Carvalho Neto, filho do Coronel Orlando – que projetou o edifício da Associação Comercial –, no dia 26.09.1926, pronunciou a conferência intitulada “O mundo em síntese”; (c) tendo em vista que, ardentemente, defendeu a fiel execução do traçado da malograda Estrada de Ferro de Petrolina–Teresina, passando por esta cidade, o engenheiro Dr. José Luiz Baptista, oeirense, foi aceito como sendo o seu primeiro Sócio Benemérito.
Em dezembro de 1944, a Diretoria da Associação Comercial se reuniu para analisar duas propostas de admissão de novos membros no seu quadro. Estas duas listas constavam 27 nomes.
A partir daí houve uma cisão entre seus membros, redundando em duas eleições. A contenda foi parar na Justiça. Assistidos pelos advogados Cláudio Pacheco e Demerval Lobão, Miguel Oliveira e outros interpuseram uma Ação de Nulidade de Posse contra o Coronel Orlando e outros, a qual foi julgada procedente, mas houve recurso para o Tribunal de Justiça do Piauí.
A cizânia deixou feridas profundas entre os digladiadores. Perdeu-se o espírito corporativista. A Associação entrou em colapso. Com os ânimos arrefecidos, a entidade entrou em derrocada, ficou acéfala, praticamente.
A partir de 1959, na sua sede própria (1942) passou a funcionar a agência do Banco do Nordeste. A Câmara Municipal de Vereadores, nos anos oitenta, por lá se abrigou, por algum tempo.
Quando da criação do Rotary Club de Oeiras, em 1990, fiz constar do seu Plano de Ação o propósito de se envidar esforços visando o restabelecimento da Associação Comercial. Ideia bem acolhida pelo companheiro José da Luz Coelho, que, com seu entusiasmo, e, contando com o apoio de outras pessoas, a reativou.
Desde então, vem se mantendo ao influxo das circunstâncias hodiernas, procura desenvolver e fomentar suas atividades a contento.
Saibamos, pois, honrar os elevados desideratos dos seus idealizadores, e tanto quanto aqueles que se dedicaram incrementar a modernização de seus mais lídimos objetos.