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Mãe da sobrinhada

Por Carlos Rubem

Mãe da sobrinhada
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POR CARLOS RUBEM

Alice Nogueira Campos (1930 - 2025), a inexcedível Mãe Ice, minha tia materna, tinha como missão precípua de vida, além de cumprir preceitos católicos, assuntar — como gostava de dizer — as crianças da nossa família. Exercia perene dedicação à sobrinhada. Transbordava bondade!

Logo que as minhas netas, Helena e Olivia, gêmeas, nasceram (09.06.2018), recebemos a sua honrosa visita, em nosso apartamento, na Cidade Verde. Fotografei-a ostentando, em cada braço, como se fosse um troféu, as aludidas pequerruchas. A sua expressão de felicidade captada é comovente, marcante.

Impossível a gente esquecer as suas qualidades maternais — embora celibatária — e outras que tais. Preocupava-se com todos, mormente com os pequenos. A rotineira sopinha oferecida tinha pitadas de carinho. Instituiu a feitura de saborosos bolos às quarta-feiras. Nesses momentos demonstrava subida satisfação.

Ficava indócil quando qualquer um de nós não comparecia aos almoços dominicais na casa do vovô Joel. Ante a sua ausência física, sinto amargo travor quando, agora, adentro à vivenda do nosso patriarca.

Ultimamente, as suas atenções voltaram-se ao estado de saúde de Paulo Jorge, 70 anos, meu irmão. Sempre nervosa, encasquetou-se que — na sua visão — esse “menino poderia levar uma queda da cama.”

Quase diariamente ia ao seu encontro. Indagava-me sobre meus descendentes. Às vezes, nem sabia o que dizer. Perquiria-me sobre as referidas gêmeas. Queria saber de notícias do Théo, 02 anos, residente em Sampa. — Cadê o sujeito?, assim aludia-se ao Joaquim Miguel, 05 anos, que gostava de aperreá-la dizendo que estava criando um cachorro, animal detestado pela dita matrona. Lamento muito que o Natanael, 04 meses, não tenha recebido o seu desvelo, assim como não terão a Amália e Bento quando abrirem os olhos à claridade,no fluente ano.

Ainda estamos impactados ante o seu falecimento, há dois meses. Era uma doce criatura. Aquele adorável espaço familiar não é mais o mesmo. Uns três meses antes do seu trespasse, sondou-me da ideia aventada, ou melhor, incentivou-me a levantar um parquinho (playground) no amplo quintal daquela residência. Vou atender ao seu propósito, mais cedo ou mais tarde.

É deplorável o sentimento de perda. Contagiou a meninada, inclusive. A Helena revelou o seu apego, artisticamente. Numa folha de papel desenhou reluzente estrela. Grafou, dentro de um coração a seguinte frase: “MELHOR ESTRELA DO MUDO” (mundo)!

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