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Palpite infeliz?

Palpite infeliz?
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  Por Rogério Newton

Mirei a fotografia que ilustra a matéria publicada neste portal sobre o fechamento da Unidade Escolar Eva Feitosa, em Oeiras. Fiz isso para ver se descobria na imagem aquilo que não encontrei nas palavras. O que vejo? Um número expressivo de pessoas, aparentemente alunos e mães, agrupados no que parece ser auditório ou pátio interno. Há dez dias, eles participaram de uma reunião para tratar da decisão da SEDUC em fechar a escola e transforma-la em sede administrativa da 8ª Gerência Regional de Educação.

O que diz a fotografia? As pessoas estão caladas, pensativas, com fisionomias contrafeitas. Ouvem um orador, que não sai na imagem. Pelas expressões, não gostam do que estão escutando. Pelo ar de consternação, talvez estejam pensando: a escola morreu?

Meu primeiro impulso foi sentir a mesma perplexidade. Afinal, uma escola a menos em um município onde quase um terço da população é constituído de analfabetos é ou não é motivo de espanto? Até agora não consegui compreender direito o fato. Como imagino que os leitores estão na mesma situação, anotei alguns pontos que podem servir para uma possível (re)leitura. Faço isso sob a forma de perguntas, pois quase não tenho respostas.

1) O fechamento da escola é uma decisão unilateral da Secretaria de Educação do Estado ou foi compartilhada com pais, alunos e professores? Até que ponto os anseios, dores e aspirações dos destinatários da escola foram ou serão considerados?

2) A escola Eva Feitosa tem mais de vinte anos de existência. Segundo o site da SEDUC, possui 362 alunos. Fui informado por professores que a escola tem boa gestão e estrutura. Pelas declarações de mães e ex-alunos, há boa relação de afetividade deles para com a escola, que é uma boa referência na cidade.

3) O fechamento da escola é uma medida de corte de despesas? Se isso é verdade, a questão é muito mais grave do que se imagina, especialmente neste momento em que foi divulgado que o Brasil ocupa o penúltimo lugar no ranking mundial da educação. Por que cotar gastos com um direito social tão importante? Segundo informações não oficiais, é provável que outras escolas sejam fechadas em outros municípios do Piauí, cujo índice de analfabetismo é um dos maiores do Brasil.

4) A confiança na governança e em pessoas e instituições da comunidade é tida como um dos fatores mais importantes para a vitalidade comunitária e para o bem estar social. O fechamento da escola pode causar mais desconfiança e descrédito nas já desgastadas relações entre governo e sociedade?

5) Nos momentos de crise e gravidade, emerge a necessidade de lideranças lúcidas e atentas, que possam ajudar a iluminar as questões e encaminhar a solução dos problemas. Essa é uma oportunidade de avaliação das lideranças políticas e sociais. De que forma e em que termos elas se manifestaram no episódio específico do fechamento da escola?

6) Os principais interessados (alunos, pais e professores) estão organizados em uma possível resistência e mobilização, no sentido de apresentarem a reivindicação de não fechamento da escola e discutirem com as instâncias decisórias como interlocutores fortes? Essa também é uma oportunidade de avaliação da capacidade da sociedade se organizar e responder com prontidão.

Se os verdadeiros interessados desejam evitar o fechamento da escola, sugiro constituírem comissão de pais, alunos e professores para reivindicarem, pessoalmente, ao Secretário de Educação do Estado. Como diria um samba de Noel, será esse um palpite infeliz?
Mães Históricas!
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