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Rocha, Rochinha, Rochedo

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Por Gutemberg Rocha (do Instituto Histórico de Oeiras)

Após longa viagem até o Fim do Mundo, Augusto Rocha publicou em livro a odisseia vivida durante mais de quarenta dias de muitas emoções na companhia de Everardo Luz, cada um pilotando a sua motocicleta. Uma grande aventura! No final, o sentimento do sonho realizado.

Augusto Rocha, o “Rochinha”, filho de Adelino e Tãozinha, mora em Fortaleza, mas é piauiense. Oeirense, para ser mais preciso. Everardo Luz, o “Verô”, filho de Zédaluz e Elizete, também é oeirense, e reside em Oeiras. Poderá alguém sugerir que se trata de dois loucos, mas imagino, lembrando uma canção de Rita Lee, que eles teriam uma só resposta para tal suposição: “Louco é quem diz que não é feliz!”

A dupla viveu momentos inesquecíveis, como se pode depreender da leitura de “Eu Vou no Bombo! Apontamentos de um Motonauta”. Ali, Rochinha explica o sentido do título (uma referência a Péricles, figura emblemática de Oeiras) e retrata, passo a passo, a ousada maratona motociclística. A meta: Terra do Fogo – Argentina, cidade de Ushuaia, conhecida como “El Fin del Mundo”. Quem quiser participar da aventura, é só ler o livro. É impossível não se sentir inserido na história.

Li a narrativa quase de um só fôlego. Leitura prazerosa, daquelas que a gente termina e fica um gostinho de quero mais. O que mais me cativou, contudo, foi a pessoa do autor. Conterrâneos que somos, eu já o conhecia, sim, mas agora o conheço bem melhor, pois me parece que ele foi muito autêntico nos seus apontamentos. Mostrou-se um ser humano sensível, temente a Deus e grande companheiro. Revelou-se, mais que uma rocha, verdadeiro rochedo. Entretanto, não quis parecer um super-homem. Suas inseguranças, angústias e limitações também são relatadas no livro.

Rochinha procura dar uma noção de tudo o que experimentou, enfrentando o sol e a chuva, ventos fortes, geleiras e neve, mil dificuldades, mas, acima de tudo, a vivência da amizade e o prazer da realização pessoal. Seu estilo é leve, espontâneo, bem humorado; linguagem coloquial, sem vulgarismo e sem rebuscamento desnecessário, o que resultou num texto fluente e agradável. Como se não bastasse, há uma bem dosada porção de tempero do sertão, em palavras e expressões nordestinas (algumas tipicamente oeirenses) que permeiam todo o texto.

Além de relatar a façanha da dupla, o autor introduz informações históricas e geográficas interessantes a respeito das paisagens desbravadas. Oportunamente, fala também de situações vividas ao longo de sua existência, ilustrando e enriquecendo a narrativa, bem como ensejando-nos conhecê-lo um pouco mais.

A leitura de “Eu vou no bombo” despertou-me o desejo de também fazer (com Gardênia, minha esposa) uma longa viagem. O destino poderia ser o mesmo, mas não necessariamente. O que com certeza não seria o mesmo é o transporte. Só vou se for sobre quatro rodas. Motocicleta, jamais! Essa emoção eu dispenso. De moto, só na carona do livro de Rochinha!

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