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Compaixão é caridade espiritual

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Até onde conseguem ir o orgulho, o egoísmo e a arrogância em contrapartida às virtudes humanas?

Tantos são aqueles que se dizem religiosos, caridosos de bom coração. Porém, basta um pouco de especulação, de discussão e de polêmica para que sejam reveladas as verdades por trás do véu branco da aparência.

É fácil fazer caridade com aquilo que não lhe faz tanta falta, com a ação que não lhe custa tanto esforço e com a promoção da imagem que isso lhe traz. Embora cite a bíblia que "Que uma mão não saiba o que a outra faz", muitas caridades acabam se tornando promocionais.
Mas e a caridade espiritual.? Fazer caridade quando isso lhe afeta o orgulho, a vaidade, a superioridade, a indiferença pelo outro, lhe custa esforço? Essa caridade é difícil. É divina.

Muitas são as afins do egoísmo. Ele é como um caule de onde brotam os ramos da vaidade, do orgulho, da soberba, por vezes, da indiferença. O egoísmo põe a si mesmo em primeiro lugar, em segundo, em terceiro e em muitas outras outras colocações consecutivas. Do egoísmo se elegem suas prioridades, os entes queridos com os quais se preocupar. Dai, pouco a pouco, o humano se aproxima do inanimado. A pessoa ao lado é apenas um desconhecido. Sua dor, ao outro não importa. É apenas um desconhecido. A desgraça alheia já não incomoda, não assusta, não constrange. É desgraça de alguém que não faz parte do seu mundo, de seu ciclo. Não faz diferença.

Quando um seqüestro, assalto ou outro crime acontece com alguém conhecido, ocorre a pergunta? Mas para onde caminha o mundo? Onde está a humanidade.? As pessoas se matam como se a vida já não importasse! E é isso que acontece. A vida está se tornando banal. Mas não apenas para os criminosos; também para os cidadãos comuns. Pois quando estes se esquivam aos males apenas porque estes não os atingiu de frente, isso prova que a insensibilidade os alcançou. Tão desumanos e insensíveis estão se tornando, porém, por não empunharem uma arma, não percebem compactuar de tal indiferença à vida.

Compaixão: Dor que nos causa o mal alheio (dic. Michaelis). Virtude bíblica. Refere-se ao comportamento se respeitar o próximo e de se importar com sua dor. Ela alude e alcança as ações individuais e as omissões as quais afetam a vida de outras pessoas. Ela caminha na direção contrária à omissão e à indiferença. É consciência. Noção da responsabilidade do ser e do ter individual que afeta outras pessoas que vivem ao lado, embora ignoradas. Parece utópico, mas é uma virtude pregada, defendida por grandes líderes espirituais: Cristo, Dalai Lama. E ainda outros intelectuais, autores de livros, estudiosos do comportamento humano. Compaixão. Algo que pouco se conhece e pouco se desenvolve. Dela depende, em muitos aspectos, a melhoria do mundo. Ele que agoniza doente em tantos pontos, em tantos aspectos, em tantas regiões, além de tantas fronteiras.

Compaixão é caridade espiritual.

Caridade material pode ser feita com muito ou pouco que se possa dispor ou conseguir. É importante, ajuda a carência do corpo, é louvável. Mas é incomparavelmente mais fácil em relação à caridade da alma, da virtude, dos valores. Essa caridade só pode ser feita com aquilo que carregamos na alma. Aquilo que doamos de dentro pra fora. Compaixão é algo pessoal e intransferível. Algo que só pode ser doado se se for possuidor verdadeiramente. Em termos de caridade espiritual, "cada um só pode dar aquilo que tem."
Mães Históricas!
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Crônica da Prof.ª Rita de Cássia Neiva S. Gama