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O menino do Fidalgo

Por Carlos Rubem

O menino do Fidalgo
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 Por Carlos Rubem

É motivo de muito regozijo para Oeiras ter sido o seu ilustre filho, Welington Dias - Senador da República eleito -, anunciado como Ministro do Desenvolvimento Social do futuro governo Lula a iniciar-se no dia 1° de janeiro vindouro.

Não resta dúvida que o "Menino do Fidalgo", no dizer do conterrâneo José Hipólito Marinho, o famoso Zé de Helena, de memória imperecível, é o mais destacado político piauiense do Século XXI.

Teve (tem) uma carreira pública - sempre afiançada pelo escrutínio popular - meteórica, a qual me dispenso tecer considerações à vista de sua notoriedade.

A sua viúva mãe, Dona Teresinha, carismática, continua morando na fazenda Umburana, pertencente ao município de São Miguel do Fidalgo, antiga possessão oeirense.

Umburana fica a curta distância cidade de Paes Landim, nascida do povoado Costa, que foi atrelado a São João do Piauí. Parte de sua família é de lá oriunda.

Salvo engano, estudou o primário no Grupo Escolar Armando Burlamaqui (ou foi no Visconde da Parnaíba?), em Oeiras.

Aqui também fez o curso ginasial na Unidade Escolar Farmacêutico João Carvalho. Já demonstrava liderança no grêmio estudantil.

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Integrante do nativo Grupo de Escoteiros Domingos Afonso Mafrense. Na adolescência, era namoradozinho danado. Kátia Moreira, garota disputadíssima pela rapaziada, não me deixa mentir.

Lembro-me ter visto algumas vezes o José Wellington (conhecido assim) encarapitado na carroceria do caminhão de Joaquim Soldador, entre mercadorias e mangaieiros, em demanda ao Banco de Areia (ou de lá retornando), pop anterior denominação de São Miguel do Fidalgo.

A minha convivência com Wellington Dias sempre foi marcada por períodos de paz e guerra. Sempre cuidamos, unicamente, de interesse republicano e de forma respeitosa.

Já desferi acerbas críticas à sua gestão administrativa, o que não me arrependo. De certo houve avanços comunitários em decorrência das nossas tratativas.

Exemplifico: embora tenha empreendido emergencial recuperação do teto - o que foi providencial para evitar maiores deterioração -, prometeu, mas não fez por onde materializar-se a restauração do monumental prédio em que abrigou a Fábrica de Laticínios dos Campos, hoje, Campinas do Piauí, a primeira do nordeste, criada em 1897.

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Ficou devendo este pleito que não é meu porque é de todos. Uma omissão imperdoável, diria. Legítimos e recorrentes apelos lhe foram dirigidos em vão.

Ora, aquele portentoso marco, de belas linhas arquitetônicas e atrativo turístico, bem que poderia servir de centro administrativo e memorial sertanejo, dentre outras atividades a serem lá desenvolvidas.

O ministro indicado sabe se safar das situações mais embaraçosas. Às vezes faz raiva a gente, mas sabe desarma o interlocutor. Tido como índio sabido, poderoso pajé. Profetiza curetagens sociais, prevê acontecimentos. Tem o dom de iludir, esperançar, convincentemente, convenhamos. Insuperável sua habilidade política. Contista dos bons!

A nomeação em tela, trouxe-me à memória de outro oeirense que pontificou-se no cenário nacional: Francisco José Furtado.

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Nascido em 3 de agosto de 1818. Advogado, formou-se pela Faculdade de Direito de São Paulo em 1838. Ocupou diversos cargos na magistratura, entre eles o de juiz de Direito em Caxias e de juiz especial do comércio em São Luís, ambos no Maranhão.

Foi deputado geral em diferentes mandatos (1848, 1861 e 1864) até ser nomeado senador do Império (1864), tendo sido também Presidente da Província do Amazonas (1857).

Vinculado aos liberais, assumiu a pasta da Justiça no curto período do gabinete de Zacarias de Góes e Vasconcelos (1862) e retornou ao cargo em 1864, quando foi nomeado pelo imperador Dom Pedro II para uma das funções mais importantes do Império, a de Presidente do Conselho de Ministros, responsável por indicar os ocupantes de todas as pastas. Morreu no Rio de Janeiro em 20 de julho de 1870.

Oeiras, o Piauí, o Brasil, necessitam de seu tirocínio, W. Dias. Vamos ver!…

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